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Conselho Tutelar diz que era quase “escravidão” e Sport Club nega acusações

Responsáveis pelo Sport Club Campo Mourão foram denunciados pelo Ministério Público por organização criminosa, estelionato e maus-tratos

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Seis dirigentes e empresários vinculados ao Sport Club Campo Mourão, antigo Hawaí Esporte Clube, estão sendo acusados pelo Ministério Público (MP) do Paraná pelos crimes de organização criminosa, estelionato e maus-tratos. A denúncia foi registrada em meados de abril deste ano pelo Conselho Tutelar, mas o presidente do time nega os problemas e a responsabilidade sobre o caso.

Segundo o MP, o clube atraía adolescentes e jovens de outras regiões com a falsa promessa de treinamento e suporte na carreira como jogador profissional de futebol e eram convencidos a pagar valores diversos por “avaliação esportiva” e despesas de manutenção do treino. Na prática, não recebiam nada do que era prometido e as instalações eram inadequadas para treinos e alojamento dos atletas, sendo ainda expostos a condições caracterizadoras de maus-tratos.

A conselheira tutelar Titina Espindola, 41, que apresentou o caso ao MP, conta que teve conhecimento dos fatos ao acompanhar o registro de uma ocorrência com um dos adolescentes que afirmou ter sofrido agressão física e verbal por parte do treinador do time. “Na delegacia ele disse que acontecia outros problemas como falta de comida, luz e água. Eu fui verificar e cerca de outros nove adolescentes reclamaram das mesmas condições, inclusive estavam fora da escola. Era quase um cárcere privado, uma escravidão moderna, tipo vamos trabalhar a troco da comida”, relatou.

Titina diz acreditar que, para atrair os adolescentes, o clube anunciava informações sobre os títulos conquistados no passado e dizia que ex-atletas estavam jogando no exterior. “O que eu percebi é que o Sport Club vendia sonhos para os meninos. Os jovens recebiam através de e-mail fotos que eram de outros clubes do Brasil. Então os meninos vinham acreditando que teriam uma possibilidade de realizar o sonho de ser um jogador de futebol, mas quando chegavam aqui, ficavam naquela situação deplorável, tinham que pagar até para usar a água e o sabão para lavar suas roupas”, contou.

Outro lado

Presidente do Sport Club Campo Mourão, Luiz Carlos Kehl, 69, disse não ter ficado surpreso com a denúncia do MP e negou todas as acusações. “O que ocorre é que a gente traz empresários para administrar o clube. Questão de pagamento, alimentação, contrato com jogador, tudo isso não é parte minha, é dos administradores. Agora, dizer que é uma quadrilha, isso não é verdade, nunca peguei um centavo de nenhum jogador”, explicou.

Sobre as denúncias de maus tratos e condições inadequadas, Kehl afirmou que os relatos repassados ao Conselho Tutelar foram manipulados por atletas que não passaram nos testes. “Questão de problema com alimentação e maus tratos não existe. Todo jogador que vem para o clube paga uma taxa de alimentação e de treinamento, R$ 500 por mês. Eles vêm fazer o teste para jogar, então é lógico que o jogador que não passa fica desanimado e acaba falando besteira”, justificou.

O presidente do time falou ainda que, por determinação do MP, não há mais adolescentes no local e toda estrutura vai ser desocupada nos próximos dias para uma reforma completa no prédio. Segundo ele, todos os dirigentes envolvidos nas irregularidades tiveram o contrato com o clube encerrado.

De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério Público, foram sete casos e há suspeitas de que tenham mais, até estrangeiros. Acrescentou que, por conta de envolver adolescentes, o promotor não irá falar sobre o caso e que além do presidente atual do clube, Luiz Carlos Kehl, foram denunciados Pedro Antonio Damião, Edivan Lopes Pereira, Cristóvão da Silva Correa, Maicon Elias Silvestre Oliveira e Pedro da Silva Correa. O i44 News não localizou os demais acusados.

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