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Cotidiano

Mecânico transforma sucata em réplicas que chegam a custar R$ 12 mil

Atualmente, ele trabalha na reprodução de um modelo MD-11 que terá 12 metros de comprimento

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Ele estudou apenas até a oitava série, mas nas horas vagas se transforma em um construtor de carretas, ônibus e até de aviões com 12 metros de comprimento. O mecânico de veículos, Carlos Eduardo Ramos Francisco, 35, usa a criatividade e sucatas de ferro velho para reproduzir todos os detalhes dos originais. O que começou como uma brincadeira de criança, virou paixão e hoje complementa a renda da família. A produção é na garagem de casa, no bairro Cohapar, periferia de Campo Mourão.

O primeiro avião foi construído com uma lata de óleo, aos 12 anos. “Morava na fazenda e quando vi o primeiro avião, comprei uma revista de aviação. Desde então é a paixão da minha vida”. Um ano depois, incentivado pelo pai, vendeu a primeira unidade por R$ 2,5 . Com a mudança nas embalagens de óleo, de lata para plástico, passou a usar restos de calhas e aprimorar suas técnicas. Atualmente trabalha em uma encomenda que planeja vender por R$ 12 mil.

Umas das duas mil unidades que Carlos diz ter produzido até hoje, de vários tamanhos, está instalada em uma quitanda na avenida principal do bairro Lar Paraná. Quem encomendou foi a comerciante Sueli de Oliveira, 50. “Vi ele passando na rua com crianças dentro de uma réplica de carreta. Quando eu descobri que foi ele quem fez, pedi alguma coisa pra colocar aqui na feira. Foi então que ele fez essa réplica do Boeing 747 pra mim.”

A aeronave instalada sobre o telhado do comércio mede 4 metros de comprimento e foi vendida há dois anos por R$ 2,5 mil. A réplica é equipada com luzes que piscam, simulando os procedimentos de um avião de verdade. Sueli afirma que o investimento valeu a pena. Segundo ela, as vendas “decolaram” depois da aquisição e transformaram o estabelecimento em ponto de referência. “Outro dia fui em Goioerê, uma pessoa me reconheceu e perguntou se eu era da feira do avião.”

Apesar de ter cursado só o ensino fundamental, Carlos diz não encontrar dificuldade para produzir as réplicas. “Se um homem faz um avião desse, porque eu não posso fazer? Eu vou olhando na revista e fazendo em escala o tamanho do pneu, do motor. Faço a turbina funcionar, fazer barulho, como se fosse de verdade”, explica, acrescentando não ter acesso a vídeos na internet para o desenvolvimento dos projetos.

Os modelos maiores são produzidos com motores, luzes, trem de pouso, suspensão, painel e outros acessórios, alguns operados por controle remoto. “As pessoas acham engraçado, admiram, perguntam se eu fiz um curso de engenharia. Pra mim é um dom que Deus me deu.”

Dependendo dos detalhes, os pedidos ficam prontos em 30 dias e são comercializados por uma média de R$ 3 mil. “Quando tem encomenda, eu trabalho todos os dias, das seis da tarde até dez da noite e também nos finais de semana.”

Casado, pai de três crianças, Carlos revela que ainda sonha em ser piloto ou engenheiro aeronáutico, mas há 20 anos ganha a vida trabalhando como mecânico geral de veículos. A renda, no entanto, em alguns meses dá apenas para pagar o aluguel. “Este mês, por exemplo, eu tirei cerca de R$ 500 na oficina até agora, pois estou ganhando por comissão. O que ajuda no leite, na água, no mercado é a venda dos aviões, porque só a oficina não dá”.

No momento Carlos se dedica na reprodução de um modelo MD-11, aeronave que começou a ser desenvolvida pela empresa McDonnell Douglas em 1986. O original mede 61 metros de comprimento, 51 de envergadura e 17 de altura. É impulsionado por três turbinas e tem capacidade para até 410 passageiros.

A promessa é reproduzir com fidelidade todos os detalhes, inclusive no interior com os assentos, cabine e painel iluminado. A réplica, que está em fase inicial de construção, terá 12 metros de comprimento, cerca de dois metros de altura. A estimativa do mecânico é investir cerca de R$ 5 mil em materiais.

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