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Arte e Cultura

Negligenciadas, obras de artes estão abandonadas no terminal

Longe do acesso público, escultura está trancada com cadeado

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Obras de arte que compõem o patrimônio público de Campo Mourão estão abandonadas, trancafiadas com cadeados, sujeitas à ação tempo e apresentando sinais de desgaste. Uma escultura e painéis de madeira, que retratam o desenvolvimento da cidade e a história de gerações de pioneiros, foram instaladas na área do Terminal Rodoviário Estanislau Gurginski, em novembro de 2000, durante a gestão do então prefeito Tauillo Tezelli, que comanda a cidade novamente desde janeiro.

Segundo o arquiteto Celso Tanakaresponsável pelo projeto arquitetônico integral da rodoviária,  desde a inauguração, os governos municipais não se preocuparam com a manutenção e restauração do local e das obras de arte.”Do jeitinho que foi entregue está igualzinho até hoje, não fizeram nenhuma melhoria, não fizeram nenhuma manutenção” diz Tanaka.

O arquiteto conta que a escultura foi elaborada com três pontos de água em seu interior para funcionar como um chafariz. A equipe do i44 News foi até a rodoviária, na companhia do arquiteto, e encontrou o monumento seco, com seu entorno cercado por grama alta e com o portão de acesso fechado com cadeados. Os painéis, instalados na parte interna da rodoviária, também apresentam sinais de desgaste do tempo e e de negligência, como arranhões e partes descascadas.

O estado em que as obras se encontram pode acabar tornando o seu significado um fator secundário para a população.  A concepção das obras porém, segundo Tanaka,  está ligada às quatro fases que marcam o processo histórico do desenvolvimento de Campo Mourão. Colonização, ciclo das madeireiras, agricultura, indústria e comércio estão retratados nas obras que deveriam servir como base de conhecimento cultural da cidade.

“Os painéis e os quatro arcos que têm na entrada são as quatro etapas, quatro fases de desenvolvimento da cidade e também representam as quatro gerações: os pioneiros, os filhos dos pioneiros, depois seus netos e bisnetos”, explica o arquiteto, que apesar de ser idealizador, não teve seu nome inscrito nas placas de inauguração do projeto, ao contrário dos políticos.

Dependendo do ângulo observado, as quatro estruturas que simbolizam as fases  se encontram, indicando uma mesma direção: para cima, demonstrando a evolução contínua do município. Nascido em Maringá, Tanaka veio de Curitiba para Campo Mourão em 1981, quando, segundo ele, entre 30 e 40 madeireiras operavam na região. “Tem as histórias antigas da cidade de como eram os pinheiros, a terra aqui era muito ruim pra agricultura na época, eles ainda não usavam calcário, então eles usavam muita madeira”, explica. Parte da história vivenciada por ele, está retratada nas obras instaladas na rodoviária.

Responsabilidade é da Aterfi, diz procurador

A administração do terminal rodoviário, desde sua criação, é feita pela empresa Administração de Terminais Rodoviários (Aterfi), com contrato de concessão pública previsto para 20 anos, prazo que se encerra em 2019.  A reportagem do i44 News entrou em contato com a empresa para apurar mais detalhes sobre o contrato, porém, não obteve resposta.

O secretario municipal de Planejamento, Ademir Moro Ribas, também não soube informar de quem é a responsabilidade de manutenção do terminal. Ribas disse que   ainda não teve acesso ao contrato de concessão à Aterfi e que após conhecer o contrato, se posicionaria para a reportagem.

No dia 11 de outubro, o prefeito Tauillo Tezelli decretou a criação de uma comissão especial para examinar as condições dos serviços da exploração do terminal. De acordo com o decreto, a comissão tem o prazo de 90 dias para “análise, estudos de viabilidade, regularidade, verificação do cumprimento das obrigações, levantamento das condições, conservação e manutenção do terminal, bem como a otimização da prestação desses serviços públicos aos usuários”.

O procurador geral do município, Robervani Pierin do Prado, declarou, em entrevista por telefone, que a manutenção das obras de arte, bem como de tudo que integre o terminal rodoviário, é de responsabilidade da Aterfi, que tem concessão total do local. “A concessão permite a exploração do objeto concedido e também a manutenção do objeto e tudo que faça parte dele”, alega o procurador. Ele explica que se a comissão criada para averiguar a situação do terminal concluir que a empresa não tem cumprido as determinações contratuais, ela poderá ser notificada judicialmente ou, até mesmo, ter o seu contrato reciso.

Burocracia atrasa conhecimento

A reportagem do  i44 News teve conhecimento do caso quando foi procurada por um grupo de alunos do curso de História da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em Campo Mourão. Movidos pela curiosidade, os estudantes utilizaram o monumento externo da rodoviária como tema de um trabalho acadêmico. Diante da dificuldade em ter acesso a informações básicas, como  o nome criador do projeto – segundo eles, a única obra pública da cidade sem assinatura de seu autor –eles tiveram que encarar a burocracia da prefeitura para ter acesso aos dados. Mesmo assim, não conseguiram informações oficiais. Tiveram então que localizar o autor das obras para conseguir a informação.

Um dos integrantes da equipe, Dhony Luiz da Silva, conta que a jornada pela descoberta da história da escultura começou quando ele pediu auxílio a um vereador que o encaminhou à secretaria municipal do Planejamento. No local,  Silva protocolou no dia 11 de outubro deste ano, pedido de esclarecimento a respeito das obras. A previsão, segundo informaram os funcionários municipais que o atenderam, é que seria dado retorno sobre a solicitação no dia 13 de outubro. O estudante esteve na secretaria no dia marcado, mas o protocolo ainda não havia tido andamento e eles não conseguiram informações.

De acordo com o universitário, o nome de Celso Tanaka foi lembrado intuitivamente por uma funcionária da secretaria. Após uma breve pesquisa por endereços e telefones, ele conseguiu agendar uma conversa com o arquiteto acompanhado pela equipe de reportagem, que desde o primeiro momento se interessou pela história e foi de perto conferir a situação das obras. Até a publicação desta reportagem, a secretaria não havia disponibilizado nenhum documento aos estudantes.

 

 

 

 

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