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Arte e Cultura

Projeto social de capoeira atende mais de 100 jovens no Lar Paraná

Objetivo do grupo Senzalas de Zumbi é atingir população de baixa renda

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Quando a noite vai chegando, os moradores do entorno da Praça Alvorada, no jardim Lar Paraná, em Campo Mourão, começam a ouvir as cantorias e palmas acompanhadas do som dos berimbaus. São os jovens do grupo de capoeira Senzalas de Zumbi chegando para mais uma aula do mestre Cleiton Colera, ou, como é chamado pelos seus alunos, “professor Zidane”.

O grupo tem raízes em São Paulo, onde foi fundado pela mestra “Borrachinha”, que é a mentora de Cleiton. Ele conta que veio de São Paulo para Campo Mourão com um forte desejo de transformar a capoeira em um projeto social. Um ano e meio depois do inicio dos trabalhos, hoje o grupo conta com 125 crianças cadastradas, sendo 87  alunos frequentes. Segundo o professor, o objetivo é atender  pessoas, a partir dos 4 anos de idade, com baixo poder aquisitivo e que não tenham condições de frequentar uma academia ou escola de capoeira.

O projeto se mantém com a ajuda de alguns pequenos e médios empresários da região, como donos de lojas de materiais de construção e pizzarias. E ele atenta: “é um projeto gratuito mas muito organizado”. Com a ajuda, eles participam de torneios e campeonatos da região e, de acordo com Colera, têm conseguido um bom desempenho.

Na última competição, que aconteceu em Maringá no dia 14 de outubro,  os três atletas que representaram o grupo foram premiados dentro dos três primeiros lugares em duas modalidades. Um deles é o pequeno Cauan Vinicius, 10 anos. Ele entrou no projeto há dez meses e já conseguiu uma vitória em primeiro lugar na categoria inicante. Nas suas palavras, “para quem não tem futuro, a capoeira está aí para ajudar a todos”. A aluna Jussara Oliveira, 28, participa do projeto há quase um ano acompanhada de seu filho David Eric e diz: “capoeira é cultura, é brincadeira, é esporte, junta tudo um pouquinho”.

O professor diz que pretende expandir o projeto para alcançar pelo menos  200 crianças. Ao que tudo indica, ele está bem próximo de conseguir. Na última cerimônia de graduação, em fevereiro deste ano, 45 crianças e jovens foram graduados no esporte. Para a próxima, já estão confirmadas 80 graduações.  As aulas acontecem as terças e quintas das 19h30 às 21h na Associação de Moradores do Lar Paraná, local onde as inscrições para o projeto podem ser feitas.

Homenagem

O grupo leva o nome de Zumbi dos Palmares, sobrinho-neto da princesa Aqualtune dos Jagas, um povo de tradições militares com ótimos guerreiros. Ele nasceu em 1965 no Quilombo dos Palmares, região hoje pertencente a Alagoas, de onde saiu aos seis anos aprisionado e, posteriormente, encaminhado aos cuidados do Padre Antônio Melo, o que lhe deu acesso a uma educação acima da média, incluindo o domínio do português e latim.

Aos 15 anos, Zumbi volta ao quilombo, onde se torna um importante líder contra o governo colonial, motivando seu assassinato em 20 de novembro de 1965.  O dia de sua morte hoje marca o Dia da Consciência Negra, uma das datas mais importantes para os movimentos sociais ligados à causa no país.

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