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Educação

Rede municipal tem única escola bilíngue para surdos da Comcam

Sem recursos, diretora desempenha funções de secretária e porteira da escola

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Proporcionar um ambiente em que crianças e jovens surdos possam, por meio da convivência e de uma metodologia bilíngue de ensino, adquirir e desenvolver não só a língua portuguesa como também a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Este é o trabalho desenvolvido pela Escola Municipal Espaço Aberto, na região central de Campo Mourão. Atuando há 37 anos, a instituição é única da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam) a oferecer um sistema de ensino especializado para surdos.

Rossana Hodniuk, que trabalha no local há 19 anos e há 12 dirige a instituição, conta que a iniciativa que levou a implantação da escola surgiu quando um grupo de pais sentiu a necessidade de uma atividade especifica para seus filhos, dando início, em 1980, a uma classe especial. Em 1990, o local passou a ser denominado como Centro de Reabilitação Auditiva, atendendo alunos no contra turno escolar e utilizando uma metodologia de trabalho com foco na oralidade, com treinamentos de fala e audição, em um trabalho relacionado mais à área da fonoaudiologia.

Foi só em 1999 que o local passou a funcionar como escola municipal, adotando a metodologia do bilinguismo, com alfabetização na língua portuguesa escrita e, ao mesmo tempo, em Libras. Hoje a instituição atende 24 alunos do 1º ao 5º ano do ensino básico e um bebe de dois anos que vai para estimulação, que é o contato com outros surdos envolvendo brincadeiras e atividades lúdicas dentro da proposta pedagógica, toda em língua de sinais. Depois do 5º ano, os alunos são direcionados para colégios convencionais, mas podem continuar a frequentar o local no contra turno.

A diretora explica que a instituição funciona como uma referência para a comunidade surda da região. “Nessa minha caminhada eu observei que a escola espaço aberto nunca deixa de ser referencia para o surdo”, diz. O apoio que a escola oferece vai desde auxilio para atendimento médico, até a realização de boletins de ocorrência e inscrições para concursos e vestibulares. Rossana fala também sobre a importância para o surdo em desenvolver sua própria língua, a Libras, “se o surdo vem muito tarde para escola e não tem contato com a língua dele própria, a parte de estimulação vai ser queimada e ele vai ter dificuldade de compreensão do mundo”, defende.

Dificuldades

Atualmente a escola conta apenas com seis funcionários: a diretora, uma cozinheira, um zelador e três professoras especialistas em Libras. O pequeno quadro de colaboradores faz com que Rossana também divida entre outras funções, como secretária e porteira da instituição. Outra dificuldade, segundo a diretora, é manter o sentido e a referência da escola frente ao pequeno número de alunos. “Nossa batalha é mostrar esse trabalho e valorizar esse trabalho que existe para que permaneça e não se acabe”, explica.

Há ainda o preconceito que parte da própria família em relação a aceitação da surdez, muitas vezes evitando que a criança surda tenha contato com a Libras e tentando forçar com que ela desenvolva a oralidade. Para a professora, a alfabetização em Libras é fundamental para a posterior inclusão do aluno nos colégios convencionais, “quanto mais cedo detectar a surdez, mais rápido possível deve ser o contato com a Libras”.

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