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Política

Ignorado pelo Executivo, vereador diz que “há muita coisa para ser investigada”

Eleito por coligação adversária do atual prefeito, Dr. Miguel diz que está cansado de “blá, blá, blá”

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Completamente ignorado pelo Executivo Municipal em seu primeiro ano de mandato, segundo ele mesmo, o vereador Miguel Batista Ribeiro (PRB), conhecido como Dr. Miguel, eleito por uma coligação adversária do prefeito Tauillo Tezelli (PPS), está ressentido com a atual administração – que não responde seus questionamentos e não resolve problemas encaminhados através de seu gabinete.

Incomodado com a situação, ele decidiu desabafar em público, através dos microfones da tribuna do Legislativo. Mais ainda: aborrecido com o desprezo que foi dispensado à suas solicitações, Dr. Miguel pretende alterar sua forma de atuação em 2018 e promete ser mais “ferrenho” ao desempenhar a função, por força constitucional, de fiscalizador. Antes mesmo de se concentrar na nova missão, ele avisa: “existe muita coisa a ser investigada”.

Em entrevista exclusiva, concedida na sede do i44 News durante esta semana, o vereador falou sobre seu discurso na Câmara Municipal, onde chegou a afirmar que como vereador não consegue “fazer nada”. Analisou ainda ações neste primeiro ano da atual gestão municipal – falando sobre o financiamento contraído para recuperação asfáltica, a falta de vagas nas creches e a posição da prefeitura que assinala ter prazo até 2024 para solucionar o problema – e disparou: “não vejo que há grandes avanços”.

De acordo com seu desabafo na tribuna, Dr. Miguel estaria tendo seus encaminhamentos desprezados pelos secretários municipais. Ele alega ter enviado ao paço municipal pelo menos 112 documentos, entre eles requerimentos, indicações e proposições. Do total, houve apenas resposta a 21 deles. Os documentos só foram respondidos, segundo o vereador, “porque o prefeito é obrigado a responder, porque a lei assim o determina”. Em relação as proposições, algumas delas urgentes para a população, nenhuma teria sido respondida. “Nem uma troca de lâmpada”, destaca ele.

Para Dr. Miguel o papel de vereador na Câmara Municipal de Campo Mourão é “mera formalidade. Tem que ter 13, agora só precisa de sete“. A referência é em relação a maioria que acaba decidindo as principais pautas. Afirmando ser amigo pessoal de Tauillo, o vereador disse que pretendia trabalhar junto com a administração, mas vem sendo ignorado. “Não quero ser oposição“, falou ele. O vereador reclama dos secretários municipais que procurou para resolver demandas de seus eleitores. “Me atendem muito bem, mas não resolvem o problema. De blá, blá, blá (sic) eu tô cheio“, afirmou. Irritado, ele fez um apelo. “Pelo amor de Deus, atenda meus pedidos para que possa ajudar o povo que eu prometi ajudar quando entrei aqui”.

Ao i44 News, Dr. Miguel disse que pretende mudar seu posicionamento no próximo ano e fiscalizar detalhadamente os atos da gestão Tauíllo, conferindo cada documento público. O vereador afirmou que “existe muita coisa a ser investigada” – sem revelar, no entanto, quais assuntos seriam motivos para investigação – e confessou ter realizado neste ano uma “fiscalização velada” – dando a entender que atuou de forma branda em sua missão na fiscalização do executivo. Conforme ele, esta ação teria ocorrido porque acredita que “lá (prefeitura) tem pessoas de boas intenções”.

Na entrevista, Dr. Miguel prometeu adotar uma postura mais meticulosa ao fiscalizar o Executivo no próximo ano. ” A partir de janeiro, com certeza, eu vou com mais afinco nesta situações. Vou fiscalizar mais com documentos, fazer meu papel de fiscalização. Já que, como vereador eu não consigo aprovar meus projetos, pelo menos eu faço o papel de fiscalizador para aquilo que eu fui eleito”.

Creches e financiamentos

Durante a entrevista ao i44 News, Dr. Miguel falou sobre ações e posicionamentos adotados pela prefeitura neste primeiro ano da gestão de Tauíllo. Segundo ele, não houve grandes avanços e classificou a administração como “regular”. Ele espera, no entanto, que com dinheiro em caixa em 2018, o trabalho da prefeitura melhore e diz que pretende cobrar ações para criação de mais empregos na cidade.

O vereador vê com bons olhos a possibilidade de recape nas ruas esburacadas da cidade – quadro que se mantém desde a administração anterior. Porém, Dr. Miguel lembra que a recuperação das vias, através do empréstimos obtidos, deve deixar uma “herança” de dívidas para os futuros gestores da cidade. Não tem nada de conquista. É apenas um financiamento. Não é um dinheiro a fundo perdido que os deputados trouxeram.”

Sobre a informação, divulgada recentemente pelo i44 News, apontando a existência de 1.150 crianças, com idade entre zero e seis anos, na lista de espera por vagas nos centros de educação infantil (CMEI) de Campo Mourão e o posicionamento da secretaria municipal de Educação, revelando que o problema não será solucionado pela atual administração, já que a prefeitura tem prazo até 2024 para zerar a fila de espera, o vereador foi enfático. ” Isto não pode acontecer“, fala ele, acrescentando “cadê o dinheiro dos nossos deputados para trazer para cá, para construir uma creche e atender a população”.

“Delegado calça-curta”

Nascido em Mamborê, antes sua chegada na cidade, Dr. Miguel morou em Roncador, distante 100 km de Campo Mourão. Naquele município, na década de 90, chegou a exercer a função de “delegado calça-curta”, nomeado pelo então governador do Paraná, Jaime Lerner. Na época, o termo “delegado calça-curta” era utilizado para designar pessoas que assumiam o cargo de delegado de polícia, sem concurso público, apenas por indicação política.

A função despertou nele o desejo em cursar o curso de Direito. Já formado, passou a exercer a atividade em Campo Mourão, onde atua principalmente em causas criminais e previdenciárias. Em 2012, ele disputou o cargo de vereador pela primeira vez pelo PSC. Obteve 663 votos, correspondente a 1,32% dos votos válidos. No ano passado, disputando o cargo pelo PRB, seu eleitorado ampliou. Foi eleito com 995 votos, conseguindo atingir 1,93% dos votos válidos depositados nas urnas. Seus eleitores, segundo ele, são pessoas de baixo poder aquisitivo e moradores de bairros da periferia da cidade.

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