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Política

Réus no “mensalinho” dizem que houve coação do Gaeco

i44 foi o único órgão de imprensa presente na audiência

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Foto: Luiz Carlos de Oliveira / i44 News
Vários réus na ação compareceram ao fórum da cidade

O juiz da 1ª Vara Criminal da comarca de Campo Mourão, Fabrício Voltaré, ouviu na tarde de quinta-feira (7) seis réus e uma testemunha do caso que ficou conhecido como “mensalinho” da gestão da ex-prefeita Regina Dubay.  O i44 News foi o único órgão de comunicação que acompanhou a audiência no local.

Todos negaram a existência de um esquema de corrupção e a maioria disse que se sentiu pressionada e até ameaçada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), em depoimento prestado na fase inicial do processo, em Maringá.

Após interrogar uma testemunha da defesa, Itamar Agostinho Tagliari, foi a vez dos réus Michele Cristine de Araújo, Michely Nassar Assis, Adriana Lucy Paschoal da Silva, Vanessa Lopes Guarato, Guilherme Capelli do Nascimento, Marcia Ferreira de Melo e Osmar Lima Barbosa, o “Espaia Brasa”. Eles foram denunciados por falso testemunho por terem, em depoimento, negado a existência do esquema.

Na audiência também compareceram o servidor da Câmara Municipal, Paolo Oliveira, o ex-coordenador geral da prefeitura Carlos Augusto Garcia , acusados em outra ação de terem liderado o esquema. Ambos porém,  não foram ouvidos nesta quinta-feira. O ex-secretário de Relações com o Governo, José Gilberto de Souza, também esteve presente e não foi ouvido. Estela Simões, ex-secretária da ex-prefeita Regina Dubay, também arrolada como ré, não compareceu.

Todos os réus reafirmaram as declarações já prestadas no processo e, com exceção da ré Adriana Lúcia Pascoal da Silva, informaram que sentiram pressionados, coagidos ou ameaçados durante o depoimento prestado na sede do Gaeco, em Maringá. Segundo os réus, o representante do MP teria sido incisivo ao tentar fazer com que afirmassem algo que não teria acontecido e teria dito que se não colaborassem com as investigações poderiam ser presos.

Questionados pelo juiz Fabrício Voltaré, os réus afirmaram que, apesar da suposta pressão, o registro dos depoimentos constantes nos autos corresponde ao conteúdo das declarações prestadas por eles. Durante a audiência, os depoentes também responderam questionamentos do Ministério Público e de advogados.

Juiz Fabrício Voltaré, da 1ª Vara Cível da comarca de Campo Mourão, ouve testemunha  do caso      Foto: Luiz Carlos de Oliveira / i44 News

Defesas

O advogado do réu Osmar Lima Barbosa não quis falar sobre o assunto. Defensor dos demais acusados interrogados nesta audiência, o advogado Marcio Berbet disse que seus clientes são inocentes e foram denunciados por falso testemunho porque deram um depoimento que não agradou o Gaeco. “Inclusive, narra a peça da denúncia que essa é uma versão espalhafatosa porque, muitas vezes, o Ministério Público acha que a verdade é única e absoluta, que é o que ele acusa”, destacou.

Segundo Berbet, seus clientes efetuaram o pagamento de uma contribuição voluntária para um churrasco para recepcionar Marcio Alencar, que tinha acabado de ser nomeado secretário municipal da Saúde, mas que a festividade não chegou a ocorrer porque Anselmo Junior Camargo foi preso e, junto com ele, o envelope que continha o dinheiro arrecadado para o evento.

A defesa de Anselmo Junior Camargo, acusado de corrupção passiva associação criminosa, – preso em flagrante durante a operação do Gaeco –  disse que seu cliente é inocente e que as provas apresentadas contra ele são frágeis. “Na opinião da defesa, a denúncia é vazia em razão de que a instrução processual está demonstrando que os fatos não ocorreram da forma como relatado pelo Ministério Público. Então, a posição da defesa é de buscar a absolvição do acusado, até pela própria fragilidade probatória”, disse o advogado Edmundo Santana.

Representando o Ministério Público, pela 5ª Promotoria de Justiça, o promotor André Del Grossi Assumpção disse que prefere não dar declarações nesta fase do processo. A audiência teve início às 14h e foi encerrada próximo às 18h sem o interrogatórios de todos convocados e presentes na oportunidade. A próxima audiência ficou agendada para o dia 3 de outubro de 2018.

“Mensalinho”

O caso ficou conhecido na cidade como “mensalinho”. De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público, em 2014, servidores comissionados eram obrigados a entregar parte do salário e os valores seriam destinados ao pagamento de honorários do advogado Guilherme Gonçalves, contratado pela então prefeita da cidade, Regina Dubay.

Na época dos fatos, o diretor da secretaria da Saúde, Anselmo  Camargo, confessou a existência do esquema após ser preso em flagrante recebendo a suposta devolução de parte de salários de um funcionário comissionado. Em declarações anteriores, Regina disse na época,  desconhecer o esquema de corrupção e os secretários municipais e funcionários comissionados também negaram a prática do crime.

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