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Benê, mais que especial, ele é exemplo para os ditos normais

No primeiro dia do ano, conheça a história de um jovem com deficiência que se destaca no mercado de trabalho

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“Ele é excelente, muito atencioso, separa a compra da gente de forma especial”, diz a confeiteira Terezinha Pereira Periçaro, 65, sobre o Benê, como é conhecido o empacotador em um supermercado de Campo Mourão, Benedito Vicente Junior, 36. Empregado há cerca de 15 anos, ele só tem elogios de clientes, colegas de trabalho e da sua chefia. Benê é deficiente intelectual e foi inserido no mercado de trabalho através de um projeto desenvolvido pela Escola Josephina Wendling Nunes, unidade rural da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Campo Mourão.

A gerente do supermercado, Clarice Doneda, afirma que a deficiência de Benê não interfere no desenvolvimento das suas atividades, nem no relacionamento com outros funcionários. “Tem cliente que chega no caixa e já pede: eu quero o Benedito para empacotar. Eu acho que eles têm uma sensibilidade um pouco maior e os clientes percebem de longe que ele é uma pessoa muito carismática, muito querida, atenciosa. Tudo que a gente fala, ele procura fazer da melhor maneira possível. Ele entende perfeitamente o que a gente diz. Então, a gente tem o Benedito como exemplo para os outros funcionários”, disse.

“Aqui é o melhor emprego. É como se fosse a minha família. Quero continuar aqui até me aposentar”, fala Benedito sobre o seu trabalho, segundo ele, o primeiro emprego de sua vida. O jovem exerce as atividades no período da manhã, principalmente no apoio aos operadores de caixa e aos clientes no empacotamento das compras. Na parte da tarde, Benê continua frequentando a Apae, onde tem aulas de alfabetização, prática de esportes e atividades ocupacionais.

Seres capazes

A pedagoga da Apae rural, Sandra Oliveira Guimarães, explica que atualmente quatro alunos da instituição estão trabalhando em supermercados da cidade, após terem recebido a capacitação oferecida pela unidade ocupacional, que reproduz em detalhes as atividades desenvolvidas dentro de um supermercado. “Nós vemos a pessoa com deficiência como uma pessoa capaz de realizar a maioria das atividades que nós, os dito normais, podemos realizar. Então, a nossa intenção é que a sociedade os veja como seres capazes, que possam visualizar as potencialidades dos nossos alunos, não só as dificuldades”, comentou.

Professora da unidade ocupacional “mercadinho”, Adriana Maria Guiraldi Fávero explica que o projeto trabalha a formação dos alunos para o mundo do trabalho por meio da compreensão e execução de rotinas como empacotar corretamente os produtos nas sacolas, organizar as prateleiras e a operação do caixa. Na parte da alfabetização, Adriana relata que também é ensinado a elaborar a lista de compras. “Trabalhamos também a relação interpessoal, direitos, deveres, ética profissional e como se vestir. O aluno é preparado desde o emocional até a prática”, complementou.

No total, mais de 200 alunos estudam na Apae rural. Segundo a pedagoga Sandra, são adultos de Campo Mourão, Farol e Luiziana. Além das atividades de alfabetização e do mercadinho, ela conta que, de acordo com a avaliação de cada aluno, eles são inseridos também em outros projetos oferecidos pela unidade. Ela cita como exemplo a horta, a jardinagem, o artesanato e a qualidade de vida. “Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida de deles, seja pela socialização, que eles têm contato com outras pessoas, seja pela aprendizagem da alfabetização, de uma função, de um trabalho”, comentou.

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