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Cotidiano

Dissidentes da Opecam fundam nova entidade de pastores

Unidos pelo mesmo Deus, Ordem dos Pastores e o novo Conselho dos Pastores apresentam visões bem distintas em alguns temas

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Ele já foi coroinha na Igreja Católica, virou evangélico e fundou sua própria igreja. Há 18 anos morando em Campo Mourão, o pastor Antonio Ibanez Junior, conhecido como pastor Toninho, agora resolveu criar também uma nova organização dos pastores da cidade, o Conselho dos Pastores (Conpas). Segundo ele, a intenção não é dividir nem competir com a Ordem dos Pastores (Opecam), que há quase quatro décadas representa a categoria e o povo evangélico na cidade, mas reconhece que os objetivos e propósitos das duas instituições têm algumas divergências.

Segundo o pastor presidente da Opecam, Arnildo Klumb, a organização existe na cidade desde a década de 80 e a ideia é ser um espaço de acolhimento e unidade dos pastores, respeitando as diferenças teológicas de cada igreja. “Não importa se você pensa igual a mim, importa que a gente tenha a mesma essência. Somos salvos pelo mesmo Deus, da mesma forma. Então não ficamos discutindo questões teológicas”, disse.

Klumb, um homem sorridente e aparentemente sereno, comentou que a Opecam não possui sede própria e que as reuniões acontecem a cada 15 dias, cada vez em uma igreja diferente. “Não temos uma sede própria, a gente não prima por isso. A nossa sede é a nossa casa. Fazemos nossas reuniões nas igrejas, seja grande ou pequena”, disse. “Nosso objetivo é ser uma voz profética na cidade, tal como eram os profetas da Bíblia, não uma voz visionária. A nossa voz profética é no sentido de nos posicionarmos em relação a questão até política, muitas vezes”, acrescentou.

“Eu sou um visionário, tenho uma visão e acredito nesta visão”, destacou o presidente do Conpas, pastor Toninho. Ele conta que nos 18 anos que participou na Opecam “pouquíssimas ideias conseguiu avançar”. Pastor Toninho adiantou alguns planos para o Conselho dos Pastores. Ele pretende construir uma sede social, local de recreação e descanso para os pastores, e promover intercâmbio de pastores de outras cidades. “Eu tenho uma visão meio expansiva, de fazer coisas diferentes, e acho que poderíamos estar realizando outras coisas”, explicou.

Dia do Evangélico

Outro ponto em que as organizações divergem é quanto a realização de eventos, em especial o Dia do Evangélico. A comemoração é lei na cidade desde 1996, mas no ano de 2013 a Câmara de vereadores acrescentou dispositivos incluindo a data no calendário oficial do município e determinando que “a promoção a ser realizada no “Dia do Evangélico” será incentivada pelo Poder Executivo em parceria com as Igrejas e Entidades Evangélicas com atuação no Município de Campo Mourão”.

Para a Opecam, que foi contra o projeto, a nova lei abre brechas para uso de dinheiro público no evento e contribui para “separar a sociedade em fatias”. “Todo o dia é dia de você mostrar o seu lado evangélico para as pessoas. Não precisa de um dia para chamar a atenção da sociedade. Se você é o que você é, vai viver como tal. Se você não é, não adianta. Um dia não vai fazer diferença”, comentou pastor Klumb.

Já o Conpas diz que não há interesse do evento ser beneficiado pela Prefeitura e destaca a influência dos evangélicos na sociedade como justificativa para aprovação do projeto. “Fizemos um evento na praça (recentemente). Mais de cinco mil pessoas. Por quê? Porque nós estávamos declarando que esse dia é um dia do povo que tem característica, que tem uma identidade. É um povo que que realmente pode fazer diferença em todos os aspectos”, disse pastor Toninho.

Pastor Klumb comenta que a Opecam não é voltada para evento. Ele avalia que este tipo de iniciativa não muda a realidade das pessoas da cidade. “Jesus não fazia eventos. Então nós queremos percorrer essa cidade como Jesus percorria: ajudando quem precisa ser ajudado, curando quem precisa ser curado e salvando quem Deus vai salvar. A gente prefere algumas ações mais práticas, desafiar a nossa igreja a doar, repartir, ajudar. Não precisa de um evento para motivar uma doação, uma arrecadação de sangue, isso tem que fazer parte do nosso dia a dia.

Convergências

Apesar de não se entenderem quanto a realização de eventos e até em alguns pontos teológicos, há consensos além da fé em Jesus Cristo. As duas organizações afirmam compreender a importância de atuar e influenciar a sociedade em matérias relacionadas a moral, os costumes e a política. “Temos uma preocupação muito grande com a educação, com os conselhos municipais para pensar a cidade, com a saúde, com os hospitais”, disse Klumb. “Nós entendemos que a comunidade cristã evangélica tem que determinar muita coisa no que diz respeito no andamento de uma cidade, de um estado, de uma nação”, comentou Toninho.

Outro ponto de convergência se dá na forma pacífica como cada organização reage diante da novidade. “O presidente da Conpas era da Opecam. Pela liberdade que a gente tem, ele resolveu sair. A princípio pode ser entendido como uma divisão, como uma rebeldia, mas eu acredito que quando a gente conversar tudo isso vai se dirimir. Não tem problema nenhum em relação a isso”, afirmou pastor Klumb.

Pastor Toninho disse que até já foi questionado como divisor, mas enfatizou que não é esse o propósito. “Não estamos aqui para dividir nada. Assim como existem várias igrejas e elas vão continuar surgindo, na cidade tem uma ordem e um conselho de pastores que surgiu, simples assim. Vamos continuar sendo cristãos, amando e servindo o mesmo Deus. Talvez tenhamos divergências na maneira de pensar. Isso só, mais nada”, explicou.

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