Fale Conosco

Comportamento

“Criança de sete anos já manda nos pais”, alerta presidente do Conselho Tutelar

Para a presidente do órgão, falhas dos pais têm relação com aumento dos casos de violação dos direitos

Publicado

em

“Alô! Venha aqui porque tem dois adolescentes jogando arroz no chão”. Segundo a presidente do Conselho Tutelar de Campo Mourão, Vera Zagotto, pedidos como esse têm sido comuns nos plantões da instituição. Ao fazer uma análise dos atendimentos realizados no ano de 2017, ela diz observar que muitos pais, independente da classe social, não estão preparados para educar os filhos. As consequências ficam evidenciadas no aumento do número de denúncias e solicitações atendidas, especialmente os casos de abuso sexual ou estupro, tratamento de dependência química e até a retirada da criança do convívio familiar.

Na comparação com o ano anterior, de janeiro a dezembro de 2017 houve aumento expressivo no número de denúncias (52%) e casos confirmados (23%) de abuso sexual ou estupro, na quantidade de crianças e adolescentes usuários de drogas (37%) e nos encaminhamentos para abrigos (68%). Também foram notificados 65 casos de negligência ou abandono e 137 de violência física ou psicológica praticadas por membros da própria família.

Vera descarta que as estatísticas e os problemas de indisciplina dos filhos tenham relação com condição socioeconômica. Segundo ela, o fator social, geralmente está mais associado a registros relacionados com falta de alimentos e até de higiene. Nestes casos, ela explica que o Conselho faz encaminhamentos para que a família tenha todas as condições de garantir a educação e o desenvolvimento adequado da criança.

“Nós temos crianças com sete anos que chegam aqui e mandam nos pais e a mãe fala: eu não sei o que fazer com essa criança. Então onde está a falha? É da escola, da sociedade, do Conselho? É da família! Como é que uma criança de sete anos vai saber o que é bom ou ruim pra ela? Então a população tem que estar muito consciente das atribuições do Conselho e aquilo que é da família”, alerta a presidente.

Vera ressalta que o Conselho não interfere na autoridade dos pais, atuando apenas nos casos em que recebe denuncia. “Normalmente, quando nós chegamos lá a criança está espancada, machucada. Claro que, neste casos, vamos tomar as providências e proteger a criança”, explica a conselheira.

Nas situações mais graves, a criança ou adolescente acaba sendo encaminhada para um abrigo enquanto a família recebe atendimento, acompanhamento e orientações. Mas, segundo Vera, “muitas vezes essa criança retorna uma, duas, três vezes e acaba acontecendo a destituição porque a família não está preparada e não quer se preparar para conduzir uma boa educação para os seus filhos”.

Comente

Comentários