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Para fugir do TG, jovens alegam até “espinhela caída”

Ao final da instrução, quadro se inverte e até 87% dos formandos seriam voluntários ao serviço militar

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Rinite, sinusite, gripe e até “espinhela caída” são alguns dos argumentos curiosos – e nem sempre verdadeiros – utilizados por alguns jovens na tentativa de escapar da seleção para o Tiro de Guerra. Levantamento feito pela instituição, em Campo Mourão, revela que, no primeiro momento, a maioria não tem vontade de ser incorporado, mas a situação se inverte no decorrer da formação. Entre os jovens selecionados, o interesse aumenta de 37% para 87% até o final dos trabalhos de instrução, que duram 10 meses.

Nesta sexta-feira (23), 200 participam da última etapa do processo seletivo dos rapazes que completaram 18 anos no ano passado. Serão formadas duas turmas de atiradores com 40 jovens cada. As atividades terão início no dia 1º de março, das 6 às 8h, e vão até dezembro.

Comandante do Tiro de Guerra na cidade, o subtenente Clédison Lopes de Santana, atribui o desinteresse da maioria dos jovens em prestar o serviço militar e até a tentativa dos pais em influenciar na dispensa do filho à falta de conhecimento sobre o trabalho que é realizado. “Eu acho que tem muito folclore, muita lenda, mas quando você entra na instituição, vê não que não é nada disso”, falou.

O subtenente diz que essa percepção pode ser confirmada também em uma consulta realizada com a turma formada no ano passado. “Dos 100 atiradores, no início 35 eram voluntários a servir. Quando finalizamos o ano, fizemos uma pesquisa. Dos 100, 87 eram voluntários a servir tudo novamente”, relatou, complementando que 72 manifestaram ainda vontade de seguir uma carreira militar.

Santana comenta que há casos em que os pais, principalmente as mães, achando que o filho vai sofrer, ser maltratado, vão até a instituição pedir que o jovem seja dispensado. “Muito pelo contrário. O Tiro de Guerra é instrução militar e formação cidadã. Aqui se aprende a ser um cidadão, um defensor da pátria. Tanto é que, quando eles terminam, as mães agradecem pela pela mudança que os filhos adquiriram no comportamento”, explica o militar.

Processo seletivo

O processo seletivo começa pelo alistamento. Santana esclarece que todo cidadão, no ano que completa 18 anos tem que, obrigatoriamente, entrar no site do alistamento ou ir a Junta Militar da Prefeitura para fazer o alistamento militar. Em Campo Mourão, segundo o subtenente, o efetivo é entre 700 e 900, no máximo a 1000, nascidos por ano.

Jovens casados, residentes em área rural e distritos, por exemplo, geralmente são dispensados já na primeira fase. Continuam no processo cerca de 400 e, entre os meses de outubro e novembro, uma nova etapa reduz o contingente para 200. Desses, após nova entrevista e inspeção médica, são escolhidos os que participação das instruções.

Formação cidadã e militar

Durante 10 meses, os jovens selecionados participam de diversas atividades formativas. Direitos constitucionais, meio ambiente, primeiros socorros, além de apoio a comunidade, como o Dia da Bondade, da Campanha do Agasalho, do Dia D contra a Dengue são alguns exemplos das instruções cidadãs.

Na formação prática militar, os jovens são preparados para atuar na defesa territorial. “A finalidade é que eles sejam atiradores. Ao concluírem o curso, são graduados a soldados e, aqueles que forem monitores, graduados a cabo para formar um batalhão territorial de defesa”, explicou Santana. As atividades começam no dia 1º de março e vão até dezembro.

Prédio precisa de reformas

Em 2017 o Tiro de Guerra de Campo Mourão formou 100 atiradores. Para este ano o número será reduzido a 80. Segundo o subtenente Clédison, a decisão foi motivada devido a problemas e limitações na estrutura do prédio cedido e mantido pelo município. Há goteiras no telhado e o banheiro seria insuficiente para atender a demanda.

O militar esclareceu que o Tiro de Guerra está instalado em Campo Mourão a pedido do município. No convênio, a prefeitura é responsável pela manutenção da estrutura física e também cede alguns servidores. A competência do Exército é com a formação dos jovens.

Estima-se que a última reforma do imóvel teria sido realizada em 2013 e que o atual governo municipal ainda não teria executado nenhuma benfeitoria no local.

Nascidos no ano 2000

Gostando ou não do serviço militar, a orientação é não perder o prazo para fazer o alistamento obrigatório. Os jovens de Campo Mourão que completam 18 anos em 2018 devem fazer o procedimento através do site http://www.alistamento.eb.mil.br até 30 junho. Quem não se alistar fica impedido de tirar passaporte e título de eleitor, não poder fazer matrícula em faculdade e nem ingressar em cargo público.

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