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Política

Após bate-boca, vereador diz que vai pagar fiscalização de recape

Decisão foi tomada após troca de acusações com Tuta, dono da empresa que executa o serviço em Campo Mourão

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Esperadas há anos pela população mourãoense, as obras de recape asfáltico nas ruas do centro começaram e, junto com elas, também vieram questionamentos e polêmicas. A última confusão sobre o assunto, no último final de semana, envolveu o vereador Luiz Alfredo (PTdoB) e o dono da Campusmorão, empresa que ganhou a licitação, Hosnei Casali, conhecido como Tuta. Os dois trocaram acusações e houve até xingamento nas redes sociais. Alegando suspeitas de irregularidades, o vereador anunciou que vai contratar um laboratório e pagar com dinheiro do próprio bolso para fiscalizar a execução do serviço.

A polêmica teve origem em um vídeo postado pelo vereador na rede social onde ele aponta uma série de inconformidades que estariam ocorrendo, como o uso de água na mistura de composto químico, falta de fiscalização independente e uma suposta manobra da empresa para receber da prefeitura e ter condições de terminar o trabalho. “É inaceitável uma aplicação de perfilamento em tantas ruas ao mesmo tempo sem a capa vir atrás. Isso transparece que a empresa vencedora do certame não tem caixa para fazer o que ganhou. Ela está tentando criar medições fictícias para poder receber em 30 dias rápido para fazer caixa para comprar o concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ) para jogar”, disparou o vereador.

Dono da empresa que ganhou a licitação para fazer o recape, Tuta Casali respondeu a postagem na página do vereador, na rede social. “Você não passa de um idiota. Se você tiver dúvida do nosso trabalho, venha e fala comigo, que meus engenheiros te explicam, e não fica falando besteira. Falar qualquer cretino fala. Você é mais que Deus, sabe tudo”. Em seguida, Luiz Alfredo devolveu dizendo: “Tuta Casali, suas obras e ações falam por você. Tenha pressa não”.

A discussão seguiu com troca de acusações. Tuta Casali insinuou que o vereador não teria cumprido as normas quanto a execução do asfaltamento das ruas de um loteamento em que é sócio na cidade: “Você tem que fiscalizar o teu loteamento. Ver a quantidade de brita que o senhor colocou. Vamos juntos fiscalizar. Vamos fazer esses furos e ver se tem 12cm de base. Você sabe que não tem. Vamos ver quem é o pilantra. Você é acostumado fazer porcaria”. Luiz Alfredo rebateu as acusações dizendo estar tranquilo. “Você sabe bem mentir. Sim, faremos os testes em todas obras. Nada tenho esconder”, escreveu.

O I44 News entrou em contato com os dois envolvidos na discussão, que teve vários compartilhamentos e reações dos internautas, mas ambos não quiseram gravar entrevista em vídeo para comentar a troca de acusações. Tuta pediu a um funcionário para responder em nome da empresa sobre os questionamentos técnicos e Luiz Alfredo, por telefone, disse que considera normal a manifestação do empresário. “Acho que essa reação mostra que estou no caminho certo”, disse o vereador.

Luiz Alfredo

Segundo o vereador, os testes para atestar se a mistura dos compostos químicos e materiais utilizados nas etapas do recape asfáltico estariam sendo feitos pela própria empresa, sem um controle externo. Esta seria uma das razões que teria levado o parlamentar a anunciar que vai contratar uma empresa especializada em asfalto para fiscalizar o serviço. “Vou pagar do meu bolso. A minha meta é que ele execute exatamente o que ele se comprometeu a executar pela licitação”, declarou.

Sobre as acusações de irregularidades em seu empreendimento, um loteamento residencial nas proximidades da Santa Casa de Campo Mourão, o vereador garante que tudo foi feito dentro das normas. “Eu tenho atividade pública, o que me obriga a ser mais exigente do que o normal. A engenharia que fez a supervisão é de São Paulo, não é nem de Campo Mourão. Eu tenho todos os laudos e todas as amostragem de verificação de item por item”, afirmou.

Campusmorão

Falando em nome da Campusmorão, o engenheiro civil Douglas Victoria disse acreditar que o vereador está equivocado ou teria recebido informações improcedentes sobre a execução do serviço. Quanto ao uso de água, ele afirma que a substância é prevista nas normas em uma das etapas do trabalho, para diluição do composto químico usado na pintura de ligação, aplicado com um caminhão antes da primeira camada asfáltica de reperfilamento. “A norma fala que o asfalto é diluído em água e os ensaios definem quanto de asfalto residual você tem que ter lá. Pode ser isso que ele tenha feito essa confusão”, disse o engenheiro.

Em relação ao questionamento do vereador a respeito da exposição do reperfilamento, uma camada fina de pedra e asfalto, ao tráfego de veículos e às condições do tempo, sem concluir o trabalho com a camada definitiva de asfalto, a empresa diz que atende uma solicitação do município. “Apesar de não ser recomendável que fique muito tempo exposta, essa camada já resolve um problema da população, acaba com os buracos e as irregularidades. Por isso foi pedido pela equipe de fiscalização do município que a gente estendesse um pouco esse serviço, para a prefeitura já parar de gastar com tapa buracos nestes locais”, esclareceu o engenheiro.

Douglas diz que essa alteração no modo de execução não deve comprometer a qualidade do serviço. “Essa primeira camada não vai ficar exposta mais que dois meses. Problema seria se demorasse seis ou sete meses para fazer alguma coisa encima”, disse. Segundo o engenheiro, também não faz sentido a insinuação do vereador de que essa prática seria uma manobra da empresa para receber da prefeitura e resolver problema de caixa. “Por ser mais fina, é uma camada que usa mais asfalto do que a camada final. Então quanto mais a empresa estende esse serviço, pior para ela na questão de caixa”, afirmou.

A respeito da fiscalização, o engenheiro disse que a empresa possui técnicos que fazem o controle de insumos usados na obra, controle tecnológico da usinagem e controles de execução de acordo com o que está na licitação. “Isso é acompanhado pela fiscalização do município. Inclusive, quando se faz uma medição, ela só segue se todos os controle tiverem sido acompanhados e aceitos pela prefeitura”, declarou.

Recape em rua sem buraco

Outra polêmica recente envolvendo o recape das ruas da cidade também teve a participação de um vereador. No início de fevereiro, Miguel Ribeiro (PRB) viu pelo Facebook uma transmissão de vídeo ao vivo mostrando que a Rua Prefeito Devete de Paula Xavier, em bom estado, sem buracos, sendo recapeada. O parlamentar foi até o local constatar a situação e entrou em contato com agentes públicos para entender o que estava ocorrendo. Após as denúncias, a prefeitura determinou a interrupção dos trabalhos no local.

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