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Saúde

Atividade cerebral captada em sono identifica doenças que atingem até 70% dos adultos

Para o exame, paciente é conectado a eletrodos e dorme uma noite em clínica localizada em Campo Mourão

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“O normal é ter um sono bom, reparador, e que a gente se sinta bem no dia seguinte. Se alguma coisa está fugindo disso, pode ser que esteja acontecendo algum problema”. O alerta é do neurofisiologista, Flávio Taira Kashiwagi, que há 12 anos atua nesta especialidade em Campo Mourão. Segundo ele, a reclamação é mais comum do que se imagina, com potencial de atingir cerca de 70% dos adultos.

As queixas mais frequentes são o ronco e a apneia, mas outras doenças também podem apresentar como sintoma alguma perturbação do sono. Para o diagnóstico correto, um dos exames que pode ser indicado pelos médicos é a polissonografia, que monitora parâmetros da atividade cerebral, respiratória, muscular e cardíaca enquanto o paciente dorme. O exame pode ser realizado facilmente em Campo Mourão, na clínica onde Kashiwagi atua.

O neurofisiologista explica que os problemas mais comuns nos homens são o ronco e a apneia, em função de uma questão anatômica de via aérea, obesidade, consumo de bebida alcoólica ou medicamentos, relaxante muscular e a idade. Nas mulheres a maior ocorrência é a insônia e está diretamente ligada a períodos de maior estresse, maior ansiedade e também de personalidade.

Fatores ambientais também podem prejudicar o sono. O médico destaca alguns hábitos e a exposição a luminosidade, especialmente no período noturno. “Hoje em dia é muito comum a gente chegar em casa tarde do trabalho, jantar tarde, ver televisão, depois computador e às vezes videogame. Além se serem atividades que excitam o cérebro, emitem muita luz. Isso pode atrasar o sono, fazer com que a gente vá dormir muito tarde”, disse.

Substâncias como a cafeína, presente tanto no café quanto no chimarrão, bebidas comuns na região, também  merecem atenção, pois estimulam o sistema nervoso central, assim como a atividade física. “Pessoas que têm dificuldade de sono devem evitar fazer atividade física exaustiva no período noturno. Pode parecer que atividade física é relaxante, mas pelo contrário, ela é um excitador potente do cérebro”, esclarece.

De acordo com o especialista, estudos científicos publicados no Brasil e no mundo indicam que em média entre 50% e 70% dos adultos têm ou já tiveram alguma queixa de problemas do sono. “O nosso sono está relacionado com o nosso dia a dia e a vida que a gente leva é bem agitada”, comentou.

Higiene do sono

Para “higiene do sono”, o médico explica que as pessoas podem tomar alguns cuidados e rever comportamentos para tentar ter uma noite melhor. Ele cita como exemplo evitar ter atividade em um ambiente luminoso até muito tarde, evitar computador, televisão, videogame, tentar a partir de um certo horário, duas a três horas antes de dormir, reduzir a luz do ambiente e evitar o consumo de substâncias que podem estimular o cérebro.

Kashiwagi também faz um alerta em relação ao uso de eletrônicos e diz que o ideal seria não ter televisão no quarto. “O quarto deveria ser um ambiente de descanso, só que muitas vezes vira uma extensão da sala. Às vezes a gente até come no quarto, vendo televisão. Esse hábito de deitar no quarto com televisão ligada, principalmente para criança e adolescente é uma coisa que não deveria ser feita. Mesmo as pessoas que acham que dormem bem com a televisão ligada, isso deveria ser evitado”, disse.

Tempo ideal

Segundo especialista, o tempo que a maioria das pessoas precisa para dormir e se sentir bem no dia seguinte varia entre seis e oito horas. Por outro lado, ele esclarece que têm pessoas que dormem apenas quatro horas e se sentem bem, como há algumas que precisam de 10 horas. “Tanto o fato de não dormir quanto dormir demais é um problema. Tem que ser visto. Pode ser uma série de doenças que estejam acontecendo. Se o paciente tem algum problema e isso persiste por mais de duas semanas, é interessante conversar com o médico”, orienta.

A polissonografia

Para saber quando procurar um médico, Kashiwagi diz que um parâmetro pode ser a permanência dos sintomas por mais de 15 dias. “Sempre que algum paciente tiver alguma queixa que aconteça durante o sono ou relacionado ao sono, por exemplo, pela falta de sono ou por excesso de sono durante o dia, ou por ronco ou por sono muito agitado, ele deve conversar com o médico dele”.

Sendo indicado o exame da polissonografia, o paciente vai dormir em uma suíte que, na verdade, é um laboratório. Enquanto dorme, eletrodos aplicados no couro cabeludo e sensores captam atividade elétrica do cérebro e outros parâmetros biológicos, inclusive a movimentação na cama. “O maior benefício da polissonografia é fazer o diagnóstico correto das doenças que acontecem durante o sono. O exame acaba por volta das 6h da manhã e o paciente é liberado para ir pra casa,” diz o médico.

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