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Dia da Mulher: Ela venceu, pela primeira vez, o poder masculino na política de Campo Mourão

Aos 85 anos, Amélia Hruscka continua a incentivar o empoderamento feminino nas decisões da cidade

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Ela barrou pela primeira vez  a hegemonia masculina na política mourãoense. O Brasil ainda era governado pelo regime militar e uma mulher não se intimidou e foi eleita pela primeira vez na história de Campo Mourão – e com votação recorde – para cargo de vereadora. E isso tudo ainda numa época, em 1976, onde as mulheres representavam apenas  35% do eleitorado brasileiro, de acordo com os dados do TSE.

A professora Amélia de Almeida Hruschka recebeu 2.509 votos, mais que o dobro do que o segundo mais votado. O sucesso das urnas a levou para a Assembleia Legislativa por duas vezes e ela ainda foi suplente de senador. Atualmente com 85 anos, esbanjando saúde e disposição, Dona Amelinha – como é chamada carinhosamente pela população – recorda dos 30 anos de sua vida pública e gosta de falar sobre sua atuação na área social, em favor de crianças, adolescentes e famílias de baixa renda, e do papel da mulher na sociedade.

Com seu olhar feminino e preocupada com o próximo, Amélia participou da vida de muitas pessoas e teve o reconhecimento registrado pela história e pelos números das urnas. Com sua votação expressiva para vereadora, logo foi apresentada pelo partido, Arena, como candidata a deputada estadual e mais uma vez surpreendeu, sendo eleita, segundo ela, com 36 mil votos. “Eu fui constituinte, nós que escrevemos a nova Constituição do Paraná, mas o que mais me marcou foi a emancipação do município de Luiziânia, que era distrito de Campo Mourão”, lembra ela. Por pouco também não assumiu como senadora, já que foi a segunda suplente do senador Afonso Camargo.

Para Amélia, a mulher tem participado muito pouco da vida política. Ela diz que, em sua passagem por este espaço, não sofreu com preconceito e acredita que o medo de enfrentar uma campanha eleitoral pode ser um dos motivos da ainda pequena presença feminina nos cargos políticos. “Antigamente nós não não tínhamos nem direito de votar. Agora a mulher tem voz e tem vez. Ela tem que participar, arregaçar as mangas e dizer: eu também vou participar da política do meu município,” comentou.

“Eu acredito que todos nós, quando viemos para este mundo, temos uma missão para cumprir. A minha foi essa, ajudar as pessoas que mais necessitam”
Amélia Hruscka

Vocação

“Eu acredito que todos nós, quando viemos para este mundo, temos uma missão para cumprir. A minha foi essa, ajudar as pessoas que mais necessitam”, diz Amélia, fazendo referência a sua vocação para a política e o trabalho social. Segundo ela, com a colaboração de amigas, participou da fundação de pelo menos 17 organizações beneficentes em Campo Mourão. “Para mim, como mulher, como mãe, como filha, eu vejo no meu próximo o sofrimento talvez da minha mãe, do meu pai. Então, isso me deu estímulo, coragem para atender essas pessoas”, contou.

Nascida em Lins, interior do estado de São Paulo, Amélia chegou em Campo Mourão com 20 anos. Veio com os pais e dois irmãos. Na época, em 1953, a cidade tinha apenas seis anos de emancipação. “Papai comprou uma fazenda em Goioerê e nós viemos morar em Campo Mourão. Era uma cidade deserta, não tinha asfalto, não tinha boa luz, mas nós aguentamos porque nós éramos jovens, tínhamos força. Talvez hoje não iria aguentar o que minha mãe passou o que nós passamos em Campo Mourão. Mas hoje a cidade é maravilhosa”, disse.

Mãe de quatro filhos, além de de ter sete netos e dois bisnetos, Amélia mora atualmente no sossego de uma chácara há cerca de 15 minutos do centro de Campo Mourão. Ela confessa que seu único sonho ainda não realizado é ver o país em boas mãos, governado por uma “pessoa de pulso forte que consiga dominar essa ala de pessoas má intencionadas”. Feliz com a vida, a professora que marcou a atuação da mulher na política mourãoense e dedicou sua vida pública em favor dos que mais precisam dá exemplo de coragem e de propósito com a vida. “Eu quero que os meus últimos dias de vida sejam como eu estou. Não tenho nenhuma doença. Sou forte, sou saudável. Ainda tenho disposição para sair e ajudar muita gente que me procura”.

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