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Arte e Cultura

Palmatória para disciplinar alunos? Um tour pelo passado de Campo Mourão

Além de peças curiosas , museu municipal mantém no acervo imagem de santa do século XVII

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O Museu Municipal de Campo Mourão, Museu Deolindo Pereira Mendes, que completa neste mês quatro décadas de existência, reabriu as portas para o atendimento ao público, na última quinta-feira (8).

Uma imagem de Nossa Senhora das Dores, que seria do ano de 1700 e  teria trazida de Portugal, é uma das raridades do local que guarda ainda ferramentas rústicas atribuídas a nativos da região e utensílios domésticos curiosos como uma batedeira e um liquidificador manuais.

Merece destaque ainda, a exposição de uma palmatória identificada como “utilizada para castigar alunos indisciplinados”. O artefato  circular de madeira com cinco orifícios, formando uma cruz e provida de um cabo para bater na palma da mão de pessoa castigada, foi introduzido pelos jesuítas, como forma de disciplinar os indígenas resistentes à aculturação. A prática foi perpetuada pela escravidão africana. Os senhores a utilizavam como um dos muitos castigos aplicados aos negros desobedientes. No século XIX, quando a educação dava seus primeiros passos em nosso país, a palmatória migrou para a escola.

Com um acervo estimado em quase seis mil itens, entre fotos, documentos e objetos, o espaço é um convite à conhecer e se encantar com as origens, fatos e hábitos dos primeiros povos e das famílias que iniciaram a construção da cidade.

O acervo do museu acessível ao público está dividido em seis salas temáticas sobre povos indígenas, cotidiano, educação e saúde, religião e comércio, evolução política e também exposições contemporâneas e maquetes de prédios históricos.

Histórias e memórias

Segundo o historiador Jair Elias dos Santos Junior, a criação do Museu Municipal de Campo Mourão se deu em 19 de março de 1978. “Nesta data, pioneiros e moradores da cidade fizeram uma união onde decidiram pela fundação do museu. Eles reuniram um pequeno acervo e fizeram uma exposição”, explica.

Em 1985, a prefeitura designou uma servidora municipal para reunir documentos, imagens e objetos da história do município. O acervo foi ampliado e organizado na Casa da Cultura. Em 1992,  o museu ganhou o nome de Deolindo Mendes Pereira, filho de um dos primeiros moradores da cidade.

No ano de 2003 o museu passou para um imóvel alugado pelo município e em 2004 foi transferido para prédio atual, na região central, cedido pelo governo do Estado e o primeiro em alvenaria construído na cidade. No local funcionou por décadas uma unidade de saúde.

A entrada no museu é gratuita e o horário de funcionamento é das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h de terça a sexta-feira e das 8h às 12h aos sábados.

 

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