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Gentil ou com o uso do fuzil, Santana mostra a força da mulher na defesa da sociedade

Formada em Educação Física, ela se apaixonou pela profissão de policial militar

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Ela se formou em Educação Física, fez pós-graduação e trabalhou dois meses na área, mas a realização só veio depois de uma mudança radical, que inclui o manuseio de um fuzil, calibre 556. 

Há dois anos como soldado da Polícia Militar, Vanessa Santana, 28, atua na Rádio Patrulha, faz abordagens e atende ocorrências solicitadas pela população através do 190 no município de Ubiratã, a  98 km de Campo Mourão. O I44 News acompanhou uma parte da rotina dessa jovem mulher que conquistou espaço, respeito e admiração da sociedade por sua dedicação e paixão por uma profissão que até pouco tempo era considerada masculina.

Soldado Santana, como é conhecida entre os companheiros,  acorda cedo e, como toda mulher, antes de sair de casa para o trabalho, tem um encontro com o espelho. Cabelo arrumado, batom bem passado, fardamento alinhado, ela chega na sede da 2ª Companhia da Polícia Militar.

O primeiro compromisso do dia é hastear a bandeira nacional. Após receber as instruções do capitão, a policial e seu parceiro vão para as ruas realizar patrulhamento e atender os chamados que chegam na central da PM.

“Era um sonho do meu pai. Ele tinha muita vontade de ser policial, mas não conseguiu porque não pode estudar na época. Prestei o concurso em 2013 e hoje estou atuando. Se tornou um sonho também para mim. Durante o treinamento peguei paixão pela profissão e gosto muito do que faço”, conta Santana. Segundo ela, em sua trajetória recente não enfrentou muitas dificuldades. Teve apoio da família e diz que “para chegar aqui é necessário esforço e estudo”.

Para a policial, a profissão militar ainda é vista pela sociedade como uma atividade masculina, mas há algum tempo essa realidade tem mudado. “As mulheres estão ganhando o seu espaço até pelos trabalhos que vêm prestando à sociedade. A gente tem conseguido ganhar espaço pelo que a gente faz”, disse. Santana ressalta que para alcançar o objetivo, superando barreiras impostas pela sociedade, o segredo é simples, mas exige esforço pessoal. “Qualquer atividade que você vai fazer tem que se dedicar, conseguir ganhar seu espaço, demonstrar respeito e conquistar respeito da sociedade e isso depende de cada um”, disse.

Reconhecimento

Capitão da Polícia Militar, Eliseu Gonçalves, comenta que a unidade da qual é responsável possui mais três policiais femininas que realizam serviços administrativos. Segundo ele, a distribuição das tarefas é realizada de acordo com as afinidades de cada profissional e as necessidades da instituição. “A Santana se deu bem neste trabalho operacional e também com o companheiro de serviço que desde a época de escola vem fazendo serviços relevantes aqui em Ubiratã”, afirmou.

O soldado João Paulo Faria de Jesus conheceu Santana durante o curso preparatório de formação e desde que foram designados para Ubiratã os dois trabalham junto. O policial reconhece as qualidades da parceira e diz que não existe tratamento diferenciado pelo fato dela ser mulher. “A Santana faz o papel dela, não perde para um homem da equipe. A gente tem respeito mútuo, mas para o serviço o padrão é o mesmo, seja homem ou mulher”, comentou.

Juiz de Direito da Comarca de Ubiratã, Ferdinando Scremin Neto diz que conheceu a soldado Santana quando a turma dela se apresentou ao Fórum e destaca que a presença dela na equipe de policiais de Ubiratã, trouxe não só a sensibilidade da mulher, mas também a capacidade feminina e uma nova dinâmica para o trabalho da polícia comunitária. “Ela é habilitada em fuzil, é motorista de viatura, dirige muito bem, auxilia as equipes nas diligências até quando há perseguições e ela tem se mostrado uma policial bastante competente, dedicada e muito elogiada pela comunidade”, relatou.

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