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Política

Prefeito usa crachá, desentope galerias e cobra moradores pelo “face”

Administrador afirma que intenção de broncas pela rede social é mudar mentalidade provinciana

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Dizer que viu um prefeito usando crachá parece mentira, mas  acredite, é verdade. Em Campina da Lagoa, município com 15 mil habitantes e distante 100 km de Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná. Milton Luiz Alves, 67, venceu as eleições em 2016 com 55% dos votos e desde que assumiu o cargo tem chamado a atenção não só pelo uso da identificação funcional, mas também pela atividade nas redes sociais. Na internet, ele mesmo divulga as ações da prefeitura e cobra moradores por atos irregulares pelas redes sociais.

Alves ficou irritado com a sujeira de garrafas quebradas na avenida central depois da festa de ano novo e mandou o recado ao povo em sua página pessoal no Facebook. Pessoas que despejaram lixo à beira de uma estrada próxima ao lixão da cidade também receberam uma bronca. O furto de vasos de flores na área central do município foi mais um assunto que mereceu uma postagem.

Outra situação que deixou o prefeito furioso foi a necessidade de limpar o interior dos quintais dos moradores para evitar a proliferação do mosquito da Dengue. “Até dentro dos imóveis temos de limpar. Uma vergonha”, escreveu o prefeito.

Sem rodeios, Alves explica que a intenção das cobranças é mudar a mentalidade provinciana dos moradores. “Ou mudamos essa concepção de que não somos província e passamos para cidade ou daqui a pouco eu vou pra casa”, desabafou. “Eu peço, eu falo, mas quando não tem jeito vou pro “face” e não tem conversa. Eu escrevo, falo, seguro, compro a briga. No dedo e na boca, não vem para cima não que leva resposta. A cobrança não é no sentido de denegrir o nosso povo, é tipo de um choque de gestão”, disse.

Curiosamente, a mesa de trabalho do prefeito não tem computador. Ele diz que não costuma acessar a internet durante o horário de expediente e que suas postagens são feitas por volta das 23h. “Eu chego em casa, vou jantar e ver meu ‘face’. Isso é sagrado”, disse. “Não existe essa coisa de briga. É uma coisa que eu gosto. O mundo evoluiu, você tem que evoluir também. É um meio muito rápido de comunicação. A rede social é também para chamar a atenção de quem não faz a sua obrigação”, complementou.

Quer ser exemplo

Na mesma medida de suas cobranças, o prefeito de Campina da Lagoa diz que também está preocupado em ser um exemplo para seu povo e, por isso, usa crachá, medida que tornou obrigatória para todos os servidores públicos do município. “O povo é o fiscal dos agentes políticos. Então ele vai ver as atitudes que eu tenho na minha vida particular, na minha vida pública, e poderá, se ele entender que está errado, fazer a crítica e talvez eu tenha que mudar. Se ele achar que estou certo, eu passei a ser um exemplo para a minha população. Tenho orgulho de usar isso aqui. É para mim uma honra”, disse.

Mas não é só no conforto do ar-condicionado de seu gabinete ou no jeito de se comunicar que as ações do prefeito causam impacto. Um registro fotográfico de um morador em pleno feriado de Carnaval, flagrou Alves ajudando os funcionários da prefeitura a limpar uma boca de lobo. Na imagem, o administrador aparece de costas, agachado, tentando desentupir a galeria pluvial. Segundo ele, tudo o que faz é para tentar retribuir o que recebeu da cidade onde vive desde os 18 anos e provar que nem todos políticos são malandros e não trabalham. “Na política tem gente boa também. Existe exceção”, comentou.

Durante a entrevista o prefeito ainda reclamou do assédio de pessoas que o ajudaram na campanha eleitoral achando que teriam benefícios. “Eles acham que a prefeitura é um cabide de emprego. Todo mundo quer levar vantagem na prefeitura. É impressionante isso. E muda. Eu preguei mudança, vai mudar. Comigo muda. E se não mudar, não faço”, afirmou.

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