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Dignidade e carinho na etapa final da existência

Há 46 anos, instituição é mantida principalmente com doações da comunidade

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Ex-catador de materiais recicláveis, Paulo José da Silva, 80 anos, é um dos moradores do Lar dos Velhinhos Frederico Ozanan, de Campo Mourão. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o idoso passa o dia pintando desenhos com temas religiosos e soprando cantigas com sua gaita inseparável. Há três anos na nova morada, recebe carinho, atenção e atendimento de profissionais. A instituição, fundada em 1972 pela Sociedade São Vicente de Paula, é mantida até hoje principalmente com doações da comunidade.

As rugas no rosto de Silva não são apenas sinais da idade, mas também do sofrimento que já passou na vida. Segundo a coordenadora do Lar, a religiosa da congregação Franciscanas da Penitência, Luciene Peixoto, o idoso era cuidado por desconhecidos e chegou na instituição desnutrido. Agora, bem tratado, Silva gosta de uma prosa para falar de seus talentos. Ele se orgulha de uma pintura que fez e está fixada na parede do refeitório. Na imagem, a figura de Nossa Senhora Aparecida, a quem ele também dedica as canções que produz com sua gaita.

De acordo com a religiosa, assim como o caso do ex-catador, a maioria dos idosos chega ao Lar dos Velhinhos através de encaminhamentos e até por denúncias de mau tratos. Ela ressalta que os idosos são “crianças grandes que exigem um pouco mais de cuidado, carinho, dedicação e atenção” e, por isso, não podem ficar sozinhos em casa. Por outro lado, não existe na cidade uma instituição mantida pelo poder público que oferece essa assistência. A religiosa diz que o custo para manutenção de um idoso é alto, no mínimo R$ 1,2 mil por mês, mas a maioria das famílias não consegue oferecer essa condição.

Na instituição, os idosos recebem, além de carinho e atenção, sete refeições por dia, cuidados básicos e assistência de especialistas de diversas áreas. Segundo a irmã, uma das principais faltas é dos familiares que, em sua maioria, não visitam os seus idosos. “Família é essencial na vida de cada pessoa. É difícil para eles saberem que tem um filho ou alguém da família e não vem visitar. Então, para eles, é a maior alegria quando alguém vem visitar”, comentou.

Segundo a coordenadora do Lar dos Velhinhos, atualmente a instituição atende 64 idosos, sendo 27 mulheres e 37 homens. “Pra mim aqui é a nossa casa, assim como eles dizem, é a nossa casa. A partir do momento que entra aqui, faz parte dessa família”, disse a religiosa.

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