Fale Conosco

Arte e Cultura

Carneiro no Buraco: “a gente tem outras coisas para fazer”, reclama secretário

Prefeitura cogita deixar organização; “Festa é, realmente, prioridade para uma cidade do porte de Campo Mourão?”, indaga Facco

Publicado

em

Mesmo a contragosto, a Festa Nacional do Carneiro no Buraco – principal cartão de visita da cidade até anos anteriores – voltará a acontecer, depois de ser paralisada no primeiro ano da atual administração. O tradicional espetáculo “Guardião do Fogo“, encenado aos sábados durante a Festa Nacional do Carneiro do Buraco, está, definitivamente, fora da programação deste ano.

A licitação para contratação da atração da festa foi barrada pela Justiça, após acatar denúncia do Ministério Público. Entre as irregularidades apontadas pelo MP, havia um superfaturamento nos R$ 80 mil do contrato,  montante “superior ao pago em anos anteriores”.

A prefeitura de Campo Mourão entrou com recurso na justiça, mas, alegando falta de tempo hábil para refazer o processo, não tentou organizar uma nova contratação do espetáculo. O objetivo do “Guardião de Fogo” é narrar a origem do carneiro no buraco, revelando como os pioneiros chegaram à receita, considerada prato típico da cidade.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão, Carlos Facco, o valor de R$ 80 mil era essencial para a aquisição de figurinos e do cenário. Rechaçando as acusações do MP, Facco lamenta a ausência do espetáculo na programação deste ano. “Quem perde são os mourãoenses. Vai ficar a sensação de que está faltando alguma coisa“, diz.

Carneiro quente

Para o secretário, ainda é cedo para avaliar se a decisão judicial provocou desgastes políticos à atual gestão do prefeito Tauillo Tezelli.

“Em cada decisão da festa, existe a reverberação da sociedade. A programação teve feedback positivo e negativo. O ‘Guardião do Fogo’ também gerou isso: gente dizendo que não deveria ser feito e outros lamentando“.  

Para as próximas edições, porém, a prefeitura sinaliza que gostaria de passar adiante a responsabilidade pela organização do evento. O maior inimigo, segundo Facco, é o processo burocrático que envolve o evento.

A dinâmica de uma festa dessa, quando traz para o modelo público, fica amarrada. Tem que fazer licitação desde a barraquinha da batata até o parque de diversões, até do espetáculo ‘Guardião do Fogo’.”

Cerca de 20 servidores públicos são responsáveis pela organização da festa. Há profissionais de diversos setores, de compras ao jurídico, passando pelo administrativo. Um trabalho que, ao todo, leva cerca de 90 dias – 60 antes do evento e outros 30 após a realização.

“A gente tem projetos grandes para tratar na cidade. Projetos de parque tecnológico, de parque industrial novo, na área de urbanismo, a gente tem outras coisas para fazer. Precisamos pensar se a festa é, realmente, prioridade para uma cidade do porte de Campo Mourão“, diz.

Quem quer o Carneiro?

Para Facco, a organização do Carneiro no Braco deve deixar, nas próximas edições, de ser responsabilidade da prefeitura. “A sociedade, em outras cidades, se apropriou dessas festas pontuais, seja através de uma sociedade rural, de um sindicato, de uma ou de mais entidades privadas.”

A terceirização para uma empresa privada, visando apenas o lucro, está descartada. Apenas na edição deste ano, 11 entidades beneficentes oferecem serviços por meio de trabalho voluntário. “É um dinheiro que faz falta para essas entidades. É preciso ter responsabilidade social.”

Embora seja considerada “economicamente inviável“, o secretário afirma que falta de verba não é a grande vilã do Carneiro no Buraco e admite que há uma série de estratégias para diminuir os custos – algumas, aliás, impopulares. Uma das medidas, por exemplo, seria cobrar ingressos para uma ou para todas as atrações musicais.

Isso já acontece em outros lugares, como a Expoingá (em Maringá), que tem apenas um dia de show, de toda a programação, com entrada grátis. Acho que, aqui, também deveria ser assim.

Para esta 27 ª edição, a prefeitura desembolsou um cachê de R$ 125 mil para contratar o show da sertaneja Naiara Azevedo (4/4). A cantora de pop rock Carol Biazin (6/4), de Campo Mourão, terá o cachê de R$ 21 mil bancado pelo Sesc, parceiro do evento.

Todos os gostos

Eclética, a programação ainda conta com shows do grupo de música gaúcha Minuano (5/4) e das canções de louvor do Tua Palavra (7/4). Com exceção da apresentação de Naiara Azevedo, em que é preciso doar 1 quilo de alimento não perecível, todos os shows têm entrada grátis.

 

 

Comente

Comentários

Copyright®i44 News. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do i44 News (redacao@i44.com.br).