Fale com o i44 News

Cotidiano

No frio, albergue é refúgio para moradores de rua

Na sexta-feira temperatura deve chegar a 8ºC, com sensação térmica de 5ºC em Campo Mourão

Publicado

em

A temperatura vai cair drasticamente na sexta-feira (15) em Campo Mourão e deve atingir a mínima de 8ºC. Com vento de 3km a sudeste, no entanto, a sensação térmica será de 5ºC . A previsão é de meteorologistas do Sistema Meteorologista do Paraná (Simepar).

A região não corre risco de encarar uma geada, mas deve sentir o efeito da massa polar que virá atrás da frente fria que, atualmente, domina o clima. “Um sistema meteorológico de alta pressão vai derrubar a temperatura, algo muito comum nessa época do ano. Depois, a temperatura volta a subir“, adianta a agro-meteorologista Heverly Morais, 46, do Simepar.

Albergue

A mudança radical nos termômetros deve aumentar em 50% a procura por uma das 40 vagas, femininas e masculinas, oferecidas diariamente no albergue José do Patrocínio, mantido pela prefeitura.

O albergue costuma receber, diariamente, cerca de 15 pessoas por dia. De janeiro a abril deste ano, 240 pessoas – 197 homens e 33 mulheres – passaram pelo albergue de Campo Mourão. O número de maio ainda não foi contabilizado pela prefeitura.

Quando chega essa época do ano, a procura cresce. Até quem mora na rua por escolha própria acaba indo ao albergue“, comenta a diretora da Secretaria da Ação Social, Silvia Rocha.

Em maio do ano passado, um mês tradicionalmente de calor, o albergue recebeu 100 pessoas. Em julho, diante do frio, o número aumentou mais de 50%, com 255 albergados.

O albergue, além de banho e cama, oferece duas refeições: janta e café da manhã. A estadia máxima permitida é de até três noites, mas há casos de pessoas que passam mais de 15 dias hospedados no local.

Oficialmente, o albergue recebe os interessados diariamente entre as 19h às 22h. Na teoria, se alguém pede abrido depois do horário não deveria ser permitido. Felizmente, o teto do albergue não segue essa norma, mais burocrática, com rigor excessivo. “A gente entende que cada caso é um caso e nunca negamos receber alguém“, garante Silvia.

Teto seguro

Durante seis meses, o pintor desempregado mourãoense, 53, dormiu sob as marquises da Rua Urupês, na região central da cidade, após ficar sem dinheiro para custear o aluguel de sua casa.

Nas ruas, recebeu dinheiro e comida dos transeuntes. Em uma noite, foi atendido por uma equipe do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e aceitou, há 15 dias, o convite para dormir no albergue.

O café da manhã é bom, o jantar, também. Não tenho do que reclamar. Até dão sabonete para o banho“, elogia.

O desempregado admite que teve problemas com álcool e que, atualmente, está livre da dependência. Separado há mais de uma década, é pai três filhos, todos com residência própria em Campo Mourão: um trabalha como mecânico e outro é funcionário de um supermercado. Não sabe responder qual é a ocupação da filha.

Me sinto melhor na rua. A mulher de um dos meus filhos não gosta de mim“, lamenta, com um português correto, repeitando as normas gramaticais.

A 15 dias no albergue, Sobrinho torce pelo dia em que a crise econômica vai passar e ele, com pincel em mãos, poderá conseguir trabalho novamente. “Tudo o que eu quero é ter meu próprio espaço“, diz.

Batendo à porta 

Para ser acolhido no albergue não é preciso apresentar nenhum tipo de documento. Menores de idade são permitidos apenas em companhia dos pais ou responsável. O albergue está localizado na Rua Curucaca, 26, na esquina com a Rua Edmundo Mercer. Doações de cobertores e agasalhos são bem-vindos.

 

 

 

Comente

Comentários

Copyright i44 News. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do i44 News (redacao@i44.com.br).