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Copa do Mundo 2018

Com auxílio solidário, surdo e cego consegue “ver” gol do Brasil

Vídeo registrou o ápice da emoção vivida pelo massoterapeuta Carlos Junior no gol de Philippe Coutinho

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Foto: Reprodução / Facebook
Amigos se reuniram para ajudar Carlos Alberto (centro) a curtir os jogos da Copa

Um grupo de amigos brasileiros deu uma verdadeira goleada de inclusão e acessibilidade durante a vitória do Brasil por 2 a 0 contra Costa Rica, nesta sexta-feira (22). O massoterapeuta Carlos Alberto, que é surdo-cego e completamente apaixonado por futebol, contou com a ajuda dos colegas para assistir à primeira vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo 2018.

Um vídeo registrou o ápice da emoção vivida por Carlos no gol de Philippe Coutinho aos 46 minutos do segundo tempo de jogo. Nas imagens, o grupo de amigos formado pelos intérpretes e guias-intérpretes de libras Hélio Fonseca e Renato Rodrigues e do jogador de futebol Vinícius, utilizam a prática de língua de sinais tátil com complemento de informações da comunicação háptica para repassar detalhes do jogo ao Carlos.

Veja o vídeo:

Hélio Fonseca explica que a técnica consiste em reproduzir, nas mãos de Carlos, os movimentos dos jogadores e, nas costas, complementos de informações do jogo como impedimento, falta, cartão amarelo, gols, time que está com a posse de bola e etc.

Fonseca revela que o amigo nasceu surdo e, depois de alguns anos, ficou surdo-cego. “Como nós somos da área e ele é amigo, fissurado em futebol, vibra, e acompanhava tudo sobre o esporte antes de perder a visão, decidimos ajudar, já que ele queria continuar assistindo aos jogos”, diz.

Segundo o guia-intérprete, a técnica adaptada com as informações para a área do futebol foi inventada por eles. “Pode se dizer que com a quantidade de informações que é passada, nós inventamos sim. Nós conhecemos a mulher que inventou a comunicação háptica no mundo. Ela é da Finlândia. Quando ela nos encontrou, nos parabenizou pelo nosso trabalho”, comenta.

Os amigos aprenderam a prática com um grupo de noruegueses durante uma viagem para as Filipinas, em 2013. “Nós aprendemos a técnica e adaptamos para o futebol”, fala. Segundo Hélio, o motivo da divulgação do vídeo é mostrar para as pessoas que é possível acompanhar uma partida de futebol mesmo possuindo incapacidade total de audição e visão.

“Inclusão e acessibilidade estão presentes no futebol. Na maioria das vezes, nós não conseguimos repassar 100% daquilo que está sendo transmitido na televisão. Contudo, trabalhamos para poder passar sempre o máximo de informações, pois quanto mais informações pudermos passar, mais emoção ele vai sentir”, finaliza.

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