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Copa do Mundo 2018

Pinga e cerveja embalam “joguinho safado” do Brasil no reduto santista do Giroldo

Desempenho da seleção rendeu bocejos e ironias; caídas de Neymar foram recebidas com deboche

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Com uma dúzia de torcedores espalhados pelo balcão e pelas mesas do espaço interno, o Bar do Giroldo está vivendo a pior Copa do Mundo desde que abriu as duas portas na região central de Campo Mourão, há 27 anos.

Reduto da torcida santista, que costuma lotar o boteco para acompanhar as disputas pela TV LCD, o Giroldo nunca teve partidas esvaziadas, tal como nesta sexta-feira (22). Foi lá que a equipe do i44 News assistiu a partida do Brasil contra a Costa Rica na manhã desta sexta-feira (22).

Desde que o Brasil perdeu de três a zero para a Holanda, em 2014, o movimento não foi o mesmo. Tinha bem mais que o dobro de gente assistindo“, lamenta Francielle Giroldo, 32, filha do comerciante que dá nome ao bar.

Em clima desanimado, nem mesmo o próprio Cosmo Giroldo, santista roxo, resolveu sair de casa para acompanhar o jogo. “Acho que ele está dormindo“, arrisca a filha, antes de criticar uma das várias finalizações ruins protagonizadas pelo ataque brasileiro durante o primeiro tempo: “Chute fedido não faz gol“.

O Giroldo foi um dos poucos bares da região central em que mourãoenses se reuniram para acompanhar o “joguinho safado” – como classificou um dos torcedores, em tom de desânimo, no final do primeiro tempo – entre o Brasil e a Costa Rica. A maioria das lojas no Centro baixou as portas, e funcionários puderam acompanhar as partidas em suas próprias residências.

No bar, cada caída de Neymar era recebida com risos e revolta. Torcedores não escondiam os bocejos – de sono ou tédio? Quando o narrador Galvão Bueno afirmou que “é hora de mostrar que viemos aqui para ganhar”, uma voz desanimada, nas mesas do Giroldo, respondeu: “Nem você acredita nisso, meu filho”.

Pinga para torcer

Sentado ao balcão, o pintor Samuel Cardoso, 38, não se incomodou com o fuso horário russo. Manteve seus hábitos de torcedor em Copa e mudou o café da manhã, regalando-se com uma dose de Jamel, às 9h15, tal como outros três clientes – alguns rebatiam as doses de pinga com cerveja. “O brasileiro precisa disso, né? É assim que a gente torce“, justificou.

Questionado se conseguiria cumprir a jornada de trabalho após a partida – até então no zero a zero e desacreditada -, o pintor deu uma risada e admitiu: “Acho que trabalho, só amanhã“.

Surpresa da vitória

Os dois gols da seleção, nos últimos seis minutos, foram recebidos com espanto e alegria. E reacenderam, nas mesas do Giroldo, a esperança na seleção sem crédito. “Acho que dá para vencer a Copa. Mas tem que acertar o ataque e a zaga“, opinou o assessor Luis Vieira, 52.

“Viu aquele gol de bico do Philippe Coutinho? O Romário fez um desses, também, numa Copa passada. Isso é gol de Copa. Ali, todo mundo sabe jogar. Por isso é tão difícil“, justificou.

 

 

 

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