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Polícia

Caminhoneiros acusados de “racha” que provocou morte de família na BR 369 são soltos

Eles estavam presos desde o dia 3 de julho, foram denunciados por homicídio e colocaram tornozeleiras

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A Justiça determinou no final da tarde esta segunda-feira (16) a soltura dos caminhoneiros Wagner Aparecido Costa, 30 anos, Emerson Augusto da Silva, 38 anoso, Nilson Ribeiro, 37 anos, e Rodrigo Roman, 29 anos, presos na cadeia pública de Mamborê, desde do dia 3 de julho, acusados de provocar uma colisão que resultou na morte de três crianças – com idades entre 4 à 11 anos – e de seus pais na BR 369, na pista que faz a ligação entre Campo Mourão e Cascavel.

Os quatro já colocaram tornozeleiras eletrônicas, determinação expressa no alvará de soltura, e deixaram a cidade. Na semana passada, a Polícia Civil havia concluído o inquérito e indiciado os quatro homens e mais um caminhoneiro – já identificado pela polícia , por homicídio doloso. O quinto caminhoneiro não foi preso porque escapou do flagrante.
A assessoria do MP informou no início da noite que o órgão denunciou os cinco caminhoneiros por homicídio, previsto no artigo 121 do Código Penal, sem especificar se acatou a tese de homicídio por dolo, proposta pela polícia, ou culposo.
Os caminhoneiros soltos nesta segunda-feira se conheciam antes da tragédia. Eles moram em cidades da região de Foz do Iguaçu e atuam no transporte de produtos hortifruti para centrais de abastecimento distribuídas em todo o Paraná. Momentos antes da colisão, eles jantaram juntos em um posto localizado à 12 km do local do acidente.
“Racha”
A colisão ocorreu na BR 369 na noite de 3 de julho.O caminhão conduzido por Wagner Aparecido Costa atingiu frontalmente um carro modelo Escort, ao trafegar na pista contrária. Os ocupantes do veículo – o casal José Reinaldo da Rocha, 34 anos, e Alessandra da Rocha, 31, e as crianças Mariana da Cruz, 11, Luan Gabriel da Cruz, 9, e Maria Vitória da Cruz, 4, morreram no local. As crianças eram filhas do casal.
Testemunhas que presenciaram o acidente afirmaram em depoimento que os caminhoneiros estariam disputando um “racha” na rodovia. No momento da colisão, de acordo com a PRF, o caminhoneiro Wagner Aparecido Costa tentava uma ultrapassagem proibida, invadindo a terceira faixa e batendo de frente com o veículo modelo Escort, que ficou destruído.
O caminhão arrastou o carro por 100 metros e passou por cima.Segundo o delegado Marcelo Trevisan, titular da delegacia de Mamborê, registros dos tacógrafos revelaram que as velocidades dos caminhões, no momento do acidente, estavam entre 90 km a 105 km por hora.
Em depoimento na delegacia , uma testemunha afirmou que o caminhão que se envolveu no acidente estava em alta velocidade e para não bater na traseira dos outros caminhões, avançou na pista contrária onde estava o Escort da família.
No dia da prisão, os caminhoneiros passaram pelo teste do etilômetro e não foi constatado a ingestão de álcool acima dos limites.
Emprego e compras
Na volta para a comunidade rural de Alto Pensamento, onde morava, passou antes em um mercado para fazer compras de mantimentos. O filho mais velho do casal, José Reinaldo da Cruz Junior, 13 anos, se separou da família no local para acompanhar o motorista que faria a entrega das compras.
Junior estava em casa, a quase 10 km do local do acidente, quando soube da morte dos pais e irmãos. Ele aguardava a família para dividir uma caixa de bombons que havia sido comprada momentos antes no mercado.

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