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Arte e Cultura

“Este show é da Analis” diz Kiko no domingo de emoção e interação entre público e artistas

Momento mágico marcou reverência e lembrança de Analis e sua mãe Cassi, mortas em 2017, em decorrência de tumor cerebral

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Nem mesmo a mais otimista das previsões conseguiria suplantar a realidade em relação ao que aconteceu no Parque do Lago em Campo Murão durante a realização do evento “Domingo no Lago Especial – Tributo à Analis Ohara”, realizado em homenagem à atriz e agitadora cultural Analis Ohara, morta em 29 de julho de 2017 em decorrência de um glioblastoma multiforme, tumor cerebral de etiologia desconhecida e na maior parte das vezes letal.

A série de reportagens publicadas na mídia local, estadual e nacional eram um prenúncio do alcance do espetáculo, mas não poderiam prever o clima vivenciado no local.

Milhares de pessoas de todas idades, espalhados pelo gramado, sentados na arquibancada da concha acústica que leva o nome de Analis ou mesmo em pé, acompanharam o evento – marcado pela emoção e por um raro momento de interação entre a arte e o público –  realizado pela família e parceiros solidários, sem qualquer uso de verba ou apoio de órgãos públicos.

Entre as lágrimas que rolaram pela saudade de Analis e também pela mãe Cassi – também morta por um tumor cerebral, três meses após a morte da filha – havia um misto de felicidade pelo legado de vida delas. Fotos e vídeos das duas rolavam incessante em um painel de led instalado no local, provocando lágrimas.

No palco também não faltou emoção durante as apresentações. Desde a narração do evento – realizada elo apresentador de tv, Marcos LIsboa, de Curitiba – passando pelos artistas do grupo teatral “Experimentos” – que recitaram poemas de autores mourãoenses – e pela banda Sem Base, criada em homenagem à Analis, ainda em vida.

A pulsação forte dos artistas contagiaram o público. Até mesmo quem não conheceu a jovem atriz, estava comovido com a reverência e as lágrimas que molharam o rosto do vocalista e guitarrista Paulo Henrique durante a apresentação.

A simbiose se completou com a presença do cantor Kiko Zambianchi, astro do rock nacional nas décadas de 80 e 90 e autor de composições célebres no cenário musical brasileiro.

Acostumado a grandes plateias, apresentações em grandes cenários urbanos com sonorização de alta tecnologia – onde se destaca cada acorde perfeito do músico e seu quarteto formado por Paulinho Zambianchi (Guitarra), Ney Haddad (Baixo), Eduardo Escalier (Bateria) e André Youssef (Teclado) – Kiko Zambianchi fez uma apresentação apoteótica na concha acústica e mais tarde trocou experiências com os meninos do Sem Base,  como colegas de profissão. 

Quem esteve presente conheceu não apenas o músico profissional, mas também o lado pessoal de Kiko, disposto acima de tudo a deixar a brilhar a estrela da amiga Analis Ohara.

Kiko chegou ao palco descendo as escadaria em meio ao povo. Foi aplaudidíssimo. Mesmo com alguns problemas encontrados no sistema de som para sua performance, o músico não se deixou abalar. Moldou as composições com o cenário que encontrou e tocou quase uma hora e meia. O público correspondeu ao clima.

O cantor – que não cobrou cachê por sua participação – fez questão de deixar registrado o motivo de sua presença ali. “Este show, todo mundo sabe, é da Analis”, disse no início da apresentação. Foi ovacionado.

Nas músicas dedicadas à Analis, como “Mais” – composição de Kiko gravada com o Capital Inicial, uma das preferidas da atriz – público e músico se encontraram em sentimentos. Cada nota foi entoada num coral grandioso e emocionado.

O sol já se escondia e mesmo com o cair da noite, Kiko e seu quarteto continuaram a tocar, iluminados pelas luzes de celulares. Ninguém queria que o momento mágico acabasse.

Quase perto das 19 horas, com a concha acústica escura, Kiko fez algo incomum para um artista que tem uma trajetória de 35 anos de sucesso e considerado o poeta do rock nacional, sendo apontado como responsável por grande parte do sucesso atingido pelos amigos do Capital Inicial.

Sem cerimônia, Kiko pediu que uma luz de serviço fosse acesa na concha e atendeu por quase uma hora os fãs, registrando ele próprio as selfies. Pessoas de todas as idades e classes sociais esperaram para o momento.

O céu avermelhado testemunhou as últimas cenas de um domingo no lago especial. Duas aves grandes, azuladas, sobrevoaram o lago em voo rasante. Talvez, representassem a presença de mãe e filha na festa dedicada à elas.

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