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Arte e Cultura

Kiko Zambianchi de coração aberto

Cantor fala sobre carreira, atual momento da música, a amiga Analis e mesmo querendo evitar, falou sobre trabalho voluntário

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Antes de seguir para Maringá e pegar o voo para São Paulo, onde realiza apresentação do seu show “Bem Bacana Demais” no Teatro Porto Seguro na noite de terça-feira (31), Kiko Zambianchi recebeu a imprensa de Campo Mourão na manhã de segunda-feira (30).

Falou sobre carreira, o atual momento da música,  o show na concha acústica e sobre a amiga Analis  Ohara. Perguntado, tentou evitar, mas também acabou falando sobre o trabalho voluntário que desenvolve com outros músicos em hospitais que tratam pacientes com câncer.

Kiko fala o que pensa, mas não busca o rótulo de polêmico. É sincero e fala com sabedoria e confiança de um artista que conquistou o topo das paradas, lançando desde o vinil até streaming na era digital. No espaço dos erros, ele surpreende e inclui a gravação de “Hey Jude”, a versão brasileira do clássico de Paul McCartney e John Lennon. “Fiquei meio chateado comigo mesmo, não queria ter gravado, mas hoje está entre as preferidas do público”.

“Os erros fazem parte da nossa história. Errei muito e ainda erro porque sou meio complicado. Talvez eu não chutasse tanto o balde, mas acho isso normal para quem está começando, só que talvez eu tenha chutado alguns baldes errados” conta Kiko Zambianchi, colocando na balança os 35 anos de carreira, comemorados com uma nova turnê : “Bem Bacana Demais”, que combina seus sucessos gravados por outros artistas com novas composições.

Fazer música nos tempos de post

Em um papo sobre o rock de ontem e de hoje, Kiko é taxativo e comenta que a cultura do like afeta o ofício do músico iniciante “Influencía porque é referência. Se tínhamos bandas boas no topo das paradas, outros músicos, que tinham um trabalho parecido percebiam que tinha chegado a hora deles. Se ele vê algo ruim fazendo sucesso, ele se baseia naquilo, para entrar na onda e se sobressair’.

“Quem trabalha há mais tempo e consegue fazer shows pelo país, não faz tanta diferença, mas acho que prejudica mais quem está começando, que tem que competir com algo apelativo, que nem parece música, tá mais para uma sacanagem qualquer” afirma.

Para ele, o novo panorama da internet tornou o mercado fonográfico um jogo de sorte ou azar. “Tem muita coisa boa, mas tem muita coisa ruim e no meio disso tudo você ainda pode patrocinar sua música nas redes sociais. Isso toma o espaço de muita gente”.

Se o afeta de forma particular, ele desconversa, mas admite que nunca parou de compor, mas pensa duas vezes antes de lançar faixas inéditas. Enquanto isso, divide seu tempo com produções de outros músicos e composições voltadas para o teatro e outros meios.

Kiko defende que sucesso comercial e altas tiragens nas vendas nem sempre significam talento e relembra da década de 80, quando Xuxa atingiu a marca de 18 milhões de discos vendidos. “Não queria dizer que ela era boa, só que ela vendia mais, por isso não acredito nesse conceito do ‘bombar’” brinca o músico, que emenda falando sobre Gretchen, a dita Rainha do Rebolado “Nessa época a gente já tinha ela dançando nos programas de televisão, mas as gravadoras, empresários e produtores entendiam aquilo como algo menor, que era popularesco, vendia mais do que o Paralamas do Sucesso ou Legião Urbana, mas que não iria perdurar como a música de uma década”.

Sucesso que atravessa gerações

Ele fala com orgulho que seus shows sempre atraem o público de várias idades.  “O pessoal ‘de ontem’ curtia as nossas músicas, e o pessoal de ‘hoje’, tomara que isso continue” brinca Kiko que diz não saber qual a receita para o sucesso que atravessa gerações, mas que fazer boa música é fundamental. “Acho que as músicas hoje estão muito voltadas para sexo. Não toca em todo mundo porque nem pode tocar no rádio”

Para ele, “Primeiros Erros”, canção que compôs e foi gravada pelo Capital Inicial, é o principal fator nessa fórmula. A faixa não sai da lista das mais tocadas em estações de rádio do país. Prova do apreço pela composição foi o momento marcante no show do “Domingo no Lago Especial –Tributo à Analis Ohara”, quando, a capella, a plateia cantou com Kiko o icônico refrão.

Na seara da importância de estimular a cultura, ele relembra a jovem que foi o motivo de sua vinda para Campo Mourão. “Ela ia sempre nos nossos shows e com aquele cabelão ruivo, quase vermelho, não tinha como não notá-la. Ela era marcante e tinha um carinho pela gente e nós tínhamos um carinho por ela” comenta o músico sobre Analis Ohara.

“Os Pitais”

O músico fala com timidez sobre sua atuação voluntária. Junto com um grupo de artistas, ele integra o “Os Pitais”, que se apresenta para pacientes em tratamento contra o câncer e nasceu da ideia de fazer uma serenata para a mãe de uma amiga, que lutava contra a doença.

O projeto já dura três anos e  envolve músicos consagrados como a banda de Kiko Zambianchi , Canisso (ex Raimundos), Andreas Kisser , China, os guitarristas Carlos Pontual e Martin, Rodolfo Krieger e Pedro Pelotas, do Cachorro Grand,  Nando Reis, Pitty, Skank, Jota Quest e outros nomes do rock nacional. “Fazemos algo acústico, somente com violões e percussão, bem popular para todo mundo cantar junto. Apresentamos músicas conhecidas que vão do rock até a MPB”.

A ideia é levar um pouco de brilho ao ambiente hospitalar. “O trabalho é voluntário, mas o cachê que eles nos pagam é alto. Saímos mais leves, porque eles nos transmitem gratidão e felicidade” conta Kiko.

 

 

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