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Arte e Cultura

O uso criminoso do cargo público para perseguição pessoal

Em atitude sorrateira, secretária extrapolou todos os limites da função ao usar o poder do cargo temporário que ocupa

Publicado

em

Carlos Ohara
Editor

Antes de iniciar a leitura deste texto, peço desculpas ao leitor pela publicação extensa, mas necessária para compreensão dos fatos.

Fiquei em silêncio no último mês, atarefado com a organização de um evento em homenagem à minha Filha. O sucesso do espetáculo para ela na concha acústica não pode me calar porém, frente ao uso indiscriminado do poder temporário de um cargo público, utilizado para uma perseguição implacável, sorrateira e covarde.

Há 32 anos desempenhando a profissão de jornalista já enfrentei todos os tipos de pressões que um profissional que atua na área pode sofrer. Com matérias publicadas em praticamente todos os órgãos da grande imprensa brasileira, já fui alvo de tentativas de agressões e ameaças, inclusive de morte, e uma variada gama de intimidações.

Não sou exceção, tenho amigos de profissão que tiveram planos em andamento para assassiná-los e conseguiram escapar graças a blindagem envolvendo colegas da profissão. O desempenho da profissão, muitas vezes, torna o profissional da imprensa uma pessoa odiada e visada.

Alvos de denúncias expostas publicamente, confundem o jornalista como inimigo. Pessoalmente, não me interessa imiscuir-se em situações particulares que envolvam outras pessoas. Internamente, vivo um drama inexplicável e permanente que não possibilita a perda de tempo para isso, aliado a dura continuidade da existência.

Profissionalmente, no entanto, é dever do jornalista publicar fatos de interesse da sociedade, sempre ouvindo todas as partes envolvidas para que o leitor forme sua opinião.

Como jornalista, não me considero formador de opinião. Sou apenas um operário da Comunicação que publica a informação para que, a partir de ampla gama de fatos e versões, o leitor possa balizar e formar sua própria opinião. Esta é a linha que adoto em matérias publicadas em grandes órgãos da mídia nacional e como editor do i44 News, o que certamente incomoda muitas pessoas.

Pela primeira vez ao longo de todos estes anos, encarei nos últimos dias uma situação inimaginável e covarde, onde a confusão entre a atuação profissional e o lado pessoal foi motivo para uma atuação sórdida, atingindo minha razão de existência: as memórias de minha Filha e Esposa – ambas falecidas no ano passado, em decorrência de tumores cerebrais – e a vida de meu filho.

A ação abjeta foi perpetrada pela figura que ocupa o cargo de secretaria de Cultura de Campo Mourão, cujo nome me recuso a escrever. A identificação completa da pessoa, no entanto, e os fatos que passo a narrar já foram comunicados, e estão sendo encaminhados corroborados com documentos e gravações, às autoridades competentes para as providências cabíveis.

Em meados do mês de junho deste ano, eu e meu filho decidimos homenagear a memória de minha filha, que acreditava na disseminação da leitura e de espaços para amplas manifestações culturais como meio de transformação na sociedade. Ela não só acreditava, como colocava a mão na massa e fazia acontecer.

Com a decisão, partimos para ação. Como já existia uma lei denominando a concha acústica da cidade com o nome dela – apenas no papel – pensamos em produzir no local um espetáculo – à exemplo das muitas apresentações que ela organizou, produziu e até atuou – onde o palco seria tomado por artistas locais e amigos dela que participam da cena cultural. Assim foi feito.

Um dos convidados, amigo pessoal dela, é um músico renomado que atravessou gerações e que que fez questão de estar em Campo Mourão para se apresentar no evento dedicado à ela, realizado no dia 29 – data em que completou um ano de seu falecimento.

Com a ideia formada, procuramos a secretária de Cultura local pra expor nosso projeto. Pessoalmente, não a conhecia. Como editor do i44 News, no entanto, já a havia visto em uma matéria especial que produzimos sobre pacientes que saíram vitoriosas na luta contra o câncer e em denúncias de má versação de dinheiro da Cultura, apresentadas pelo Ministério Público.

No primeiro encontro em seu gabinete, na sala compartilhada com a Associação Mourãoense de Letras, fui muito bem recebido pela senhora. Testemunharam este encontro, um historiador e um publicitário que estavam na sala da AML. Um funcionário da fundação cultural local foi chamado para acompanhar a conversa.

Informados sobre a iniciativa minha e de meu filho – com o adendo de que todos os custos seriam bancados por nós, sem qualquer ônus aos cofres municipais – a mulher e o funcionário exaltaram o trabalho desenvolvido por minha filha e se comprometeram a ajudar “em tudo que fosse possível” para realização do espetáculo.

A mulher disse que entraria em contato com a escola municipal de circo – onde minha filha frequentou aulas – para que seus integrantes se apresentassem durante a homenagem e chegou a oferecer a opção de utilizarmos o teatro, em caso de chuva. Opção rejeitada já que o local que representava minha filha era a concha acústica.

Empolgada, a tal secretária chegou ainda a pedir que fosse incluida na apresentação uma banda onde um sobrinho seu é integrante, justificando que a mesma já havia tocado, e recebido cachê, em uma das apresentações do projeto desenvolvido por minha filha ao longo do ano de 2015. Nos dias seguintes, a mulher trocou várias mensagens comigo por aplicativo de mensagens abordando o evento.

No dia 29 de junho porém, o i44 News publicou um texto – abordando o perfil de um concurso de beleza – que desagradou a secretária. Ela chegou a me ligar, no dia da publicação, pedindo a retirada da matéria. Como editor, julgando que o jornalista havia atuado de forma correta e ética, não permiti que prosperasse a intenção.

Foi alí que comecei a conhecer o modus operandi asqueroso da mulher que, mesmo sabendo do drama que estava vivendo, me indagou: “e se fosse sua filha?”. Desconsiderei o comentário infeliz.

Porém, começava ali a atuação sob as sombras da mulher, que utilizando-se do cargo de secretária municipal – e o poder de direcionamento de verbas da área – procurou permissionários da escola municipal de circo e artistas locais pressionando-os a desistir da apresentação no evento em homenagem à minha filha. A informação rapidamente se espalhou pelo meio cultural e se tornou conhecida.

Pressionados, muitos decidiram não participar da apresentação. Sinto por eles,  porque aqueles que mantinham o real respeito pelo trabalho de minha filha, estiveram no palco.

Dias depois, após várias ligações em que a mulher não atendia, fui informado pelo chefe da assessoria de imprensa da prefeitura que a tal secretária havia informado que o evento era de cunho particular e que não seria possível a participação da escola de circo. A notícia me foi passada dentro do gabinete do assessor, após desligar uma ligação em que conversou com a mulher.

Não creio que a ação da mulher tenha atendido outros objetivos que não os seus próprios. Me recuso a a acreditar que o prefeito ou a administração municipal tenha qualquer envolvimento. Cogitar essa possibilidade seria absurdo e leviano.

Num passado recente, quando  familiares do prefeito foram alvos de perseguição política – denunciada pelo Ministério Público –  fui um dos primeiros a publicar reportagens na imprensa estadual, denunciando o caso.

Além disso, tal crença baseia-se no fato que mesmo atuando nas eleições de 2016 como coordenador de marketing de uma campanha adversária – função temporária, em cujo período me afastei do jornalismo, o que não me impede de manter a isenção na profissão na sequência – recebi apoio, além dos inúmeros Amigos (impossível citar todos), também de pessoas próximas ao atual prefeito, durante o período de tratamento de minha filha.

Entre elas, o próprio filho do prefeito que compartilhou minha dor de pai ao descobrir a doença de minha filha e envidou esforços para que tudo desse certo durante o início do tratamento.

Além disso, um dos coordenadores de campanha do prefeito, cedeu seu apartamento no Rio de Janeiro para que nos hospedássemos pelo período de uma semana no local, até que encontrássemos um hotel próximo ao hospital. Isto após o período eleitoral.

São pessoas que, independente de qualquer divergência de opiniões, terão sempre a gratidão, minha e de meu filho, por estes atos.

Para que houvesse isenção em relação ao evento, todos os protocolos foram feitos em nome de meu filho. Me certifiquei de todas as exigências – inclusive a presença de segurança e brigadistas, não cumpridas pela prefeitura quando realiza eventos no mesmo local – e as cumpri, contratando empresas especializadas com a presença de brigadistas, mergulhadores e seguranças.

A homenagem foi perfeita. O público se comportou dignamente e respeitosamente em memória de minha filha e as apresentações dos artistas transcenderam, em simbiose completa com os presentes. Não tenho como agradecer o carinho demonstrados para Elas!

Tudo isso me confortou, ainda que por alguns instantes, já a dor que me aflige ainda é lancinante.

Diante de todos os fatos narrados, e fartamente corroborados com provas – que serão apreciadas pelas autoridades competentes – repudio a atuação da secretária municipal, incompetente para exercer a função tão importante para o desenvolvimento cultural de uma cidade como Campo Mourão. 

Afinal, o uso de um cargo público para perseguição, vingança ou outra motivação que não se enquadre no princípio da moralidade dos atos da administração pública é conduta criminosa tipificada pela lei .

A máquina administrativa não pode estar à disposição do ideário ou  interesses de quem exerce cargo político ou foi indicado para um cargo comissionado. A impessoalidade deve marcar a atividade administrativa. A atuação transitória destas pessoas, no exercício do cargo, deve ser desinteressada, buscando apenas o atendimento ao interesse geral de utilidade pública.

Quero crer na isenção do Município para apuração de todos os fatos aqui narrados e as devidas providências. Concomitantemente, os fatos também estão sendo submetidos à análise da Justiça.

Alegações de “politicagem”, “oposição” ou qualquer outra, comuns no meio político, não prosperarão.

O objetivo meu e de meu filho com a realização do evento era tão somente o que ocorreu. Um encontro entre amigos para reverenciar sua memória e de minha esposa e realizar aquilo que minha filha fazia: organizar espaços de interação para o desenvolvimento da cultura local.

Boa parte da população sabe desta verdade e por isso esteve presente no evento. A emoção demonstrada por todos no local é a maior prova deste sentimento!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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