Fale Conosco

Especiais

Dia do Soldado: Apesar da adrenalina e riscos, eles se apaixonam pela profissão

Ela deixou de lecionar para virar exímia atiradora; o trabalho do pai o inspirou e, agora, os dois estão no mesmo Batalhão

Publicado

em

Eles devem estar preparados a qualquer momento para ter controle emocional, preparação física e prontos para enfrentar situações adversas. No dia-a-dia, podem se tornar alvos pelo simples fato de desempenharem sua função.
São homens e mulheres , que apesar de todos os riscos, amam a carreira que abraçaram. A equipe de reportagem do i44 News esteve durante a semana no 11º Batalhão da Polícia Militar em Campo Mourão, para contar quem são alguns destes personagens.
A data escolhida para publicação da matéria, neste sábado (25) marca a passagem do Dia do Soldado, instituído em homenagem ao aniversário de Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que se tornou patrono das forças militares brasileiras.

“Exata” como na docência

Com 29 anos, a soldado Letícia Tureck integra o Pelotão de Trânsito do 11º BPM. Quem a vê de moto, em patrulha pelas ruas da cidade, nem desconfia que a jovem soldado já foi professora de Matemática, antes de abraçar a carreira de policial.

Natural de Luiziana, Letícia sempre sonhou em ser professora. A aptidão com os números fez com que escolhesse o curso Matemática. “Dava aula desde o segundo ano da faculdade e gostava”.

Ser policial nunca esteve nos planos da jovem professora. Um dia porém, por sugestão dos amigos, resolveu prestar concurso para a Polícia Militar do Paraná. O cotidiano na sala de aula fez com que o encanto pela profissão escolhida desde a infância fosse sendo perdido no dia-a-dia.

Foi para as provas e, logo na primeira tentativa, foi aprovada. Os pais ficaram atemorizados.“Eles temiam pela minha segurança”.

Na escola de formação, a novata ficava nervosa ao empunhar a arma. “Nunca nem tinha visto uma arma, mas coloquei na cabeça que iria me dedicar”.

Apesar da falta de habilidade inicial, Letícia decidiu que dominaria o equipamento. Racional e “exata” – como uma professora de Matemática – a soldado, dominou completamente a arma. Fez mais ainda: atualmente é consideradas uma das mais exímias atiradoras do batalhão .

Recentemente, foi escolhida a melhor atiradora em uma competição interna do 11º BPM, disputou uma nova fase em Maringá e é o nome escolhido para representar o 3º Comando Regional da Polícia Militar.

Letícia compete na categoria “El Presidente”, um exercício clássico de tiro de reação. O atirador precisa acertar três alvos, com três pentes diferentes, intercalando os disparos e a troca de munição da pistola. O tempo máximo de prova é de 30 segundos. No último treino, fez o circuito em 15 segundos.

Mulheres policiais ainda são minoria no batalhão. Na turma de Letícia, dos 45 recrutas, somente nove eram mulheres.

Segundo ela, o sentimento de irmandade e proteção que a corporação exige faz com que os colegas a respeitem ao máximo. No entanto, a situação não se aplica durante as rondas.

“Já aconteceu algumas vezes de eu ser desrespeitada em plena ocorrência. Eu sou treinada para agir na forma e hora correta. Tive que respirar fundo e pedir que meu colega de viatura intercedesse” lembra a soldado.

Se a carreira na corporação teve um início espontâneo, hoje, ela não titubeia na resposta. Tem certeza que fez a escolha certa ao trocar o quadro negro pelo distintivo e a pistola .40 que guarda no coldre. “Para falar a verdade, acho que senti mais medo no meu primeiro dia de professora do que na minha primeira ocorrência” brinca a soldado.

Paixão de pai para flho

Aos 49 anos, o subtenente Adilson Laurintino – com 28 anos de dedicação a corporação – já havia servido ao Exército Brasileiro, em 1988, quando decidiu entrar na Polícia Militar do Paraná.

Terminado o período no quartel, veio para Campo Mourão à procura de emprego. “Vi um anúncio do concurso e, ingenuamente, pensei que a carreira na polícia seria semelhante ao trabalho no exército, mas estava muito enganado”.

Laurintino explica que a carreira na polícia tem um viés de proteção ao cidadão e ao bem estar social, além dos riscos iminentes. Mesmo assim, ela não se arrepende. Pelo contrário, afirma que o trabalho na corporação o tornou um homem realizado.

O que o subtenente não esperava é que o filho Ronaldo Laurintino, 22 anos, fosse seguir seus passos. Pai e filho atuam no mesmo batalhão.

Ronaldo está há cinco meses no serviço de radiopatrulha do 11º BPM. O fato do pai ser hierarquicamente superior, não garante qualquer facilidade. “Ele está sempre me cobrando muito. Às vezes, estamos em casa e ele me ‘puxa a orelha’, por alguma coisa” brinca.

O filho não esconde que sempre se interessou pelo ofício do pai. “Tinha muita curiosidade, mas ele não falava sobre o trabalho. Até mesmo para que a família não se preocupasse”, lembra.

“Quando entrei no batalhão, pude conferir o cotidiano policial, entendi ainda mais o valor da profissão do meu pai” conta o filho que também se lembra das vezes em que o pai precisou trocar datas comemorativas em família pelas rondas na viatura.

A presença de Ronaldo na PM, traz sobressaltos ao coração do pai que conhece bem a profissão e suas dificuldades, O subtenente confessa que sempre tem receio pela segurança do filho.

“Isso não pode atrapalhar o trabalho dele, mas claro, como pai sempre vou me preocupar. Até porque também estive na posição dele e sei dos riscos”.

 

Comente

Comentários