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Polícia

Relato de ataques em série contra mulheres provoca pânico em Campo Mourão

Morador de rua já esteve preso, é acusado de tentativa de estupro e homicídio, mas não consta mandado de prisão contra ele

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A possibilidade de ataques em série contra mulheres, supostamente praticados por um morador de rua que perambula por Campo Mourão, tem causado pânico e manifestações de revolta desde a noite de quarta-feira (29) na cidade.

Um áudio, gravado por uma mulher já identificada – postado em redes sociais e que circulou em aplicativos de mensagens -, relatava uma tentativa de furto contra mulheres em uma academia localizada na região central da cidade e alertava sobre o envolvimento do homem em ataques anteriores.

Ouça áudio divulgado nas redes sociais e compartilhado em aplicativos de mensagens

Logo após o áudio começar a circular, dezenas de outras postagens identificavam o homem como autor de outros ataques. Os alvos seriam sempre mulheres. Nos relatos, as vítimas se mostravam inconformadas com a presença do homem nas ruas. Fotos do morador de rua também foram publicadas. Em uma delas que teria sido registrada em outra situação de ameaça, o homem foi flagrado com um pedaço de madeira nas mãos.

O morador de rua é conhecido no meio policial e esteve preso na 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão, acusado de tentativa de assassinato e estupro. De acordo com autoridades policiais, há registro de cerca de 30 boletins de ocorrência contra ele.

Dois deles se referem a tentativas de homicídio e de estupro. Em ambos os casos, ele teria utilizado uma faca contra as vítimas. Apesar do histórico, não consta nos registros mandado de prisão contra ele.

O tenente Igor Dornelles, do 11º Batalhão da Polícia Militar, disse que apesar dos antecedentes, os policiais não podem prender o homem. Em vários casos atendidos pela Polícia Militar, as mulheres tem evitado registrar formalmente as ocorrências, o que impede a apuração mais minuciosa dos casos em que ele estaria envolvido.

Mesmo assim, o oficial dispõe de informações sobre o homem. A.A.L. seria de Araruna e, além de Campo Mourão, também tem passagens em sua cidade de origem. “Segundo consta, ele era réu primário na tentativa de homicídio. Permaneceu três dias preso e foi liberado mediante alvará de soltura”, revelou o tenente. Em 2017, o homem também esteve preso, acusado de furto e arrombamento,tendo permanecido 14 dias na prisão.

Dornelles não pode precisar se o homem apresenta problemas mentais, como afirmaram algumas pessoas nas redes sociais, mas diz que boletins de ocorrência contra o homem vem sendo registrados há mais de uma década. “O primeiro boletim de ocorrência que consta no nosso sistema é de 2008, data de implementação do banco de dados. É bem possível que esse montante seja maior” afirma o tenente.

O delegado-chefe da 16ª SDP, Gustavo de Pinho Alves, disse que ficou sabendo sobre a ação do homem na quarta-feira, também através de grupos de aplicativos de mensagens. Imediatamente, ele determinou um levantamento sobre a vida pregressa do homem e constatou que na maior parte das acusações, ele é acusado por infrações penais de menor potencial ofensivo, com exceção das tentativas de homicídio e estupro.

Mesmo assim, o delegado já determinou a apuração do caso e a tomada de depoimentos de envolvidos. Pinho também está agilizando a tramitação de inquéritos com acusações contra o homem. Se houver provas dos crimes atribuidos ao morador de rua, a Polícia Civil deverá pedir a prisão dele.

O delegado lembrou, no entanto, sobre a necessidade do registro formal das acusações.”Para que nós possamos tomar qualquer providência, a vítima precisa registrar boletim de ocorrência”, disse Pinho.

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