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Comportamento

Sandra Terena: voz, texto e ação em defesa das comunidades indígenas

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Foto: Divulgação
A jornalista e documentarista Sandra Terena: voz em defesa dos índios brasileiros

Descendente de uma tribo de índios terenas estabelecida em Braúna, na região oeste do estado de São Paulo, Sandra Terena – ou “Alieté”, como é chamada na aldeia – é uma principais vozes brasileiras na construção de políticas públicas direcionadas à defesa de direitos de comunidades indígenas do País.

Nascida em Curitiba, onde ainda mora, Sandra tem uma trajetória incomum dentro do cenário envolvendo a comunidade indígena no Brasil. Ela faz parte de uma minoria de sua etnia a cursar uma universidade e aplicar o conhecimento para implementar, na prática, a busca pela melhoria da qualidade de vida de seus ancestrais. Sandra é formada em Comunicação Social e tem pós-graduação em Comunicação Audiovisual pela Pontifícia Universidade Católica de Curitiba (PUC-PR).

Escolheu a profissão como meio de defesa da comunidade indígena. Presidente da organização governamental Aldeia Brasil, Sandra utilizou seu aprendizado para produzir, com recursos próprios, um documentários em uma aldeia na região do Alto Xingú, no Amazonas, denunciando o infanticídio dentro de aldeias indígenas na região. O trabalho de três anos e 80 horas de gravações foi realizado em sete aldeias de tribos diferentes.

“Quebrando o Silêncio”, título do documentário, teve repercussão internacional.

A obra traz declarações de índios contrários à prática do infanticídio nas aldeia. Apresenta relatos de sobreviventes e de pais que fugiram da aldeia para salvar os filhos, crianças indesejadas condenadas à morte por nascerem com deficiência física ou mental, serem gêmeas, filhas de mãe solteira ou tidas como portadoras de azar para a comunidade. Por ignorância ancestral, são enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta.

Aldeia Urbana

A jornalista não faz apenas denúncias. Sandra também é responsável pela instalação da primeira aldeia urbana no Brasil.

Inaugurada em 2008, a Kakané Porã foi construída pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) no bairro Campo do Santana.

Aproximadamente 35 famílias das etnias guarani, xetá e caingangue que viviam em situação precária, alguns como moradores de rua em centro urbanos, vivem lá. Já adaptados ao contexto urbano, os índios se esforçam para manter elementos da sua cultura tradicional no local.

“Foi uma grande conquista. Passa um filme na minha cabeça quando lembro que toda essa comunidade vivia em uma ocupação irregular, insalubre, que tinha apenas um chuveiro frio para todos tomarem banho, no antigo Parque do Cambuí. Dez anos depois, vendo que toda uma comunidade mudou a sua história, percebo que valeu a pena cada minuto da nossa luta”, diz Sandra Terena sobre a instalação da aldeia Kakané Porã .

Premiada

A frente da ONG Aldeia Brasil há treze anos, a jornalista recebeu diversos prêmios na área dos Direitos Humanos, entre eles o Prêmio Internacional Jovem da Paz em 2009.

O trabalho de Sandra teve alcance internacional com apresentações de seminários e exposições em todo o território nacional e no exterior. Em Portugal, sua passagem pelas tribos do Amazonas rendeu uma exposição de fotografias alcançando repercussão na imprensa daquele país.

Em 2013, Sandra Terena assumiu uma diretoria na Coordenação de Mobilidade Urbana da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) da capital paranaense. No período, ampliou seu leque de luta. Foi representante da pasta nas Conferências Municipais dos Direitos Humanos nas temáticas: Igualdade Racial, LGBTI e da Pessoa com Deficiência e em agosto de 2017 passou a integrar o quadro da Fundação Cultural de Curitiba.

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