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Arte e Cultura

Ele vai recontar nas telas o crime hediondo de Suzane Von Richthofen

Revelação da literatura policial, o escritor Raphael Montes esteve em Campo Mourão para participar da semana literária do Sesc

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Autor de romances policiais, o escritor carioca Raphael Montes esteve em Campo Mourão na noite de terça-feira (18) para participar da 37ª Semana Literária do Serviço Social do Comércio (Sesc). Ele veio para falar sobre os  desafios e seu estilo de escrever romances policiais.

Montes tem 27 anos de idade e oito de profissão. Já é um nome estabelecido na literatura policial brasileira. Alguns de seus livros são traduzidos em várias línguas e suas ficções vão ganhar vida nas telas do cinema.

Apesar de todo o sucesso do jovem autor, com elogios internacionais a seu texto, a passagem de Montes pela cidade foi marcada por sua nova empreitada: ao lado dacriminóloga Ilana Casoy e escritora de não-ficção, ele é responsável pelo roteiro do filme “A menina que matou os pais”, nome ainda provisório de um thriller psicológico de suspense, que vai recontar a história real de Suzane Von Richthofen condenada a 39 anos de prisão como mandante do assassinato dos pais, Manfred e Marísia mortos a pauladas enquanto dormiam em casa na capital paulista, em 2002.

O crime foi cometido pelos irmãos Daniel (namorado de Suzane na época) e Cristian Cravinhos, que também foram presos.

“Suzane não tem direitos autorais”

Montes foi convidado pela produtora do filme – marcado para estrear nas telas em 2019 – para escrever o roteiro em julho. Em Campo Mourão, ele falou sobre o filme com o jornalista Matheus Bez Batti, do i44 News.

O escritor diz que a obra é uma mescla da ficção baseada na história real. “Não é um documentário, não usa imagens das investigações nem do julgamento, mas é inspirado nos autos do processo”.

Foi a primeira vez que o escritor precisou adaptar um fato real. “Foi interessante, porque trabalhando com elementos da realidade, eu tinha um teto e não podia inventar coisas. Esse caso tem um universo muito rico e estou animado com o resultado”.

Para ele, o crime de ampla repercussão em todo o País, possui elementos interessantes justamente pelo contexto familiar.  “As pessoas não estão acostumados a ver criminosos com a cara angelical da Suzane”.

Montes diz que o roteiro já está pronto e a produção já está promovendo testes de elenco. “São todos papéis interessantes. O perfil da Suzane é complexo e para uma atriz que tenha esse ‘biotipo angelical’ e está acostumada aos papéis de mocinha, é um grande desafio encarar uma personagem tão profunda”.

Ele, no entanto, não revela nomes dos atores. A definição do elenco cabe a produtora.

O escritor falou ainda sobre os direitos autorais da obra e negou que Suzane vá receber parte do dinheiro arrecadado. “O caso é público, então, em tese, não. Ela não poderia ter direitos autorais pelo assassinato que cometeu”. Ele porém, não descarta a hipótese de Suzane processar a produção. “Ela pode acionar a justiça para buscar o que achar que tem direito, então, a decisão ficaria a cargo do juiz”.

“Figura da cena literária mundial”

Montes tornou-se conhecido por inovar no gênero do romance policial. Escreveu seu primeiro livro aos 19 anos, enquanto cursava Direito, em 2012. “Suicidas”, lançado pela editora Benvirá, foi traduzido para sete idiomas. O romance o colocou entre os finalistas do prêmio Machado de Assis naquele mesmo ano. Logo após, veio “O Vilarejo” editado pela Suma de Letras.

Em 2014, a obra “Dias Perfeitos”, foi lançada pela Companhia das Letras. Montes conseguiu um fã de peso. Foi elogiado publicamente pelo “papa” da escrita noir, o americano Scott Turow. “Raphael certamente redefinirá a literatura policial brasileira e vai surgir como uma figura da cena literária mundial”, disse o veterano autor.

Em 2016, Raphael lançou mais um sucesso da literatura policial: “Jantar Secreto”, livro que conta a história de quatro amigos que saem do interior do Paraná para tentar a vida no Rio. Em dado momento, entram em desespero financeiro e a solução (sanguinolenta) é promover jantares milionários em que servem carne humana. O romance policial também que teve os direitos de adaptação já comercializados para uma produtora americana e foi traduzido para 20 países.

Para o autor, suas narrativas servem como reflexão sobre a sociedade. “Violência é feita por pessoas e um livro é capaz de contar a história da sociedade naquele momento”.

O escritor prepara o lançamento do próximo livro:”Uma mulher no escuro”. Ele mesmo solta o spoiler: será um suspense psicológico com uma trama romântica em paralelo. Já escrito, o livro deve chegar ao mercado em março de 2019. “É um livro mais leve. Tem uma trama tensa, mas é uma história bem menos assustadora”.

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