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Arte e Cultura

Em Campo Mourão, o encontro inadiável do fã de Araruna e o autor consagrado

O adolescente de 14 anos ficou frente a frente com o escritor ganhador de seis prêmios Jabuti em evento no Sesc

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Na quarta-feira (19), o estudante Lucas Lemanski, de 14 anos, despertou confiante em Araruna. Há  algum um tempo  programou mentalmente um encontro inadiável no prédio do Serviço Social do Comércio (Sesc), em Campo Mourão. Iria participar de um bate-papo com o jornalista e escritor Domingos Pellegrini Junior, sua referência na literatura.

O escritor londrinense compareceu pontualmente ao evento, inserido na 3 edição da Semana Literária e Feira do Livro do Sesc. Lemanski também.

Na palestra, Pellegrini  – ganhador de seis prêmios Jabuti, reconhecimento concedido pela Câmara Brasileira do Livro  e considerado a maior premiação da literatura nacional – abordou a produção literária no Brasil e o ofício de escritor.

Embevecido, Lemanski era o mais atento da plateia, formada principalmente por estudantes. O ararunense destoava do restante do público. Era o único estudante que não tinha uniforme. Acompanhava o evento por conta própria.

Para além das publicações, o autor deixa claro que gosta de conversar com as novas gerações de leitores e possíveis escritores – quem sabe o futuro do Lemanski, que já tem sobrenome de escritor – pois acredita no poder transformador da leitura. “Não dou lição de moral, mas nos meus livros procuro mostrar valores sociais importantes através de personagens e histórias”.

Pellegrini afirma que já perdeu as contas de quantos livros já lançou, só sabe que passou dos 60 títulos. Um deles é o preferido de Lemanski: “A árvore que dava dinheiro”, lançado em 1981 pela editora Moderna. “Na história, a árvore dá dinheiro em forma de frutos e o livro trata da ganância de um jeito bem humorado”, explica o adolescente.

Lemanski conheceu o livro na escola. A  partir daí, passou a procurar por crônicas do autor na internet. “Eu gosto do que ele escreve porque ele aborda temas corriqueiros, de uma forma muito diferente. Você nunca sabe como vai acabar a história.”

Na palestra, o autor londrinense relembrou “causos”, contou sobre sua trajetória como jornalista, cronista e sobre o início de sua paixão por ouvir e contar histórias em dois locais: a barbearia do pai e a pensão da mãe.

A maioria dos contadores eram peões, sitiantes e mascates. “Esse folclore oral era muito vivo em uma época que não tinha televisão. As pessoas se reuniam para ouvir e dividir histórias em saraus e bancos de praça.”

Da mãe, herdou o gosto pela leitura, através de livros colecionáveis que ganhava. Com o pai aprendeu a apreciar cinema e música. “Tive uma formação cultural muito importante em casa. Nesse aspecto, era uma casa rica.”

Lembra-se das sessões que frequentava com o pai no mítico Cine Teatro Ouro Verde de Londrina. Hoje, o espaço foi convertido em centro cultural, mas Pellegrini guarda as memórias das chamadas ‘sessões corridas’ que frequentava ainda menino. “Passavam filmes, seriados, desenhos, futebol, documentários. Meu pai dormia e eu tinha que cutuca-lo para que visse as cenas”.

Pellegrini se transformou em autor com a mesma idade de Lemanski. Primeiro, dedicou-se a poesias e pequenos contos. “Eu gostava de ler e queria fazer igual. Acho que isso é dom que vem pela ‘loteria genética’, mas preservá-lo, estuda-lo e aperfeiçoa-lo é um mérito de cada um”, diz ele.

A forma de escrever

Dividindo-se  entre o ofício de escritor e jornalista, Pellegrini conta que o cotidiano das redações o ensinou a pesquisar sobre o assunto que escrevia e um senso interrupto de observação. Define seu estilo literário como ‘extremamente realista’.

Revela a receita para escrever: observar e imaginar. “Você precisa estudar o assunto e não digo isso academicamente. Falo sobre ouvir, se envolver e prestar atenção. Escrita é dar um ar de ficção, coisa que se consegue com a literatura, para a realidade”.

O próximo livro já está encaminhado. O autor adiantou ao i44 News  que será um romance juvenil, cuja temática será as monarquias ainda vigentes em alguns lugares do mundo. “Debrucei-me sobre o assunto. Estudei muito para descobrir quais ainda existem e quem são essas pessoas”.

Ele também programa a reedição dos seus livros anteriores. “Muita coisa acaba se perdendo no mercado. Eu quero reorganizar isso.”.

Com tantos livros lançados, Pellegrini conta que não tem uma história preferida. “A minha favorita é sempre a próxima, a que eu ainda não contei. Ao contrário dos filhos, que fazemos e cuidamos, os livros nós fazemos e entregamos para o mundo.”

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