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Arte e Cultura

Viramundo, Dom e Dinorah: três personagens em “missão” especial pelos rincões do Brasil

“Viramundo é para mostrar que é possível que esse nosso mundo concreto vire o mundo da imaginação”, diz contador de estórias

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Era uma vez um contador de estórias que percorria o interior do Brasil dentro da Dinorá, dividindo seu espaço com Dom, seu fiel escudeiro, convidando crianças a sonhar.  Há dois anos na estrada, ele passou por dezenas de cidades até chegar a Campo Mourão durante a realização da 37ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro, no período de de 17 a 22 de setembro

Leomir Bruch é o contador de estórias. Dinorá, uma velha kombi adaptada como um misto de moradia e biblioteca. O amigo fiel Dom é  um cachorrinho da raça Basset. O “trio”  tem a missão de espalhar literatura nos lugares mais longínquos dos dois estados do Sul.

A tarefa foi idealizado pelo próprio Bruch que criou o projeto “Viramundo”, quando concluía o curso em Letras.  O “Viramundo” é ele mesmo na pele do contador de estórias. A iniciativa não tem qualquer patrocínio. Bruch sobrevive com a arrecadação de estórias contadas por “Viramundo”.

Em 2016, já formado, Bruch deixou o emprego para colocar o plano em prática. A ideia era uma expedição que percorresse o País – priorizando municípios com menos de 100 mil habitantes e afastadas das capitais – passando por escolas, mostras, feiras, festivais, bibliotecas , ruas e praças para apresentar a literatura a crianças e adolescentes. 

“Viramundo é para mostrar que é possível que esse nosso mundo concreto vire o mundo da imaginação”, explica o contador de estórias.

O projeto se sustenta com ingressos populares. Quando estaciona Dinorá em uma escola, Bruch oferece seus serviço pelo valor de  R$ 2, por criança. “Acredito na adesão voluntária. Tem criança que não quer contribuir e tem outras que não podem, mas todas elas estão convidadas a ouvir a história”.

Bruch. nasceu em Palotina, a 190 km de Campo Mourão. Desde a infância teve fascínio pelas estórias. Lembra-se dos livros da mãe, dona Helena, espalhados pela estante. Obras de Agatha Christie e Sidney Sheldon eram sua preferidas.

O primeiro contador que conheceu estava bem próximo. Era o pai, seu Vicente,  fonte de estórias e histórias até hoje, de acordo com o relato do filho.  “Ele foi criado no interior do Paraguai, com 12 irmãos. Pela manhã, minha avó, Adelina, reunia os filhos para ver se a onça não tinha comido nenhum. Todas as minhas estórias  tem um pouco da vó Adelina. Toda a vez que Viramundo fala, é para ela que ele conta.”.

Na estrada

O projeto nasceu ainda na faculdade de Letras.  Enquanto estagiava na educação infantil criou o personagem “Viramundo”. mas foi só em 2016,  que a ideia  se transformou realidade. “Eu estava morando em Florianópolis, um reduto de viajantes. Ouvindo eles, passei a entender a estrada como uma chance de movimentar as palavras e as estórias que conto”.

Assim decidiu transformar uma velha kombi e partir para seu destino que ainda não é ponto final. Com a ajuda de um amigo, reformou o interior do veículo.Dinorá ganhou um frigobar, pia, fogão e uma cama.

Ao traçar a rota do projeto, Bruch tinha certeza que queria percorrer o interior do Brasil. “Minha ideia sempre foi chegar em espaços onde os bens culturais fossem escassos. Histórias, estórias  e registro oral também são bens e precisam ser oferecidos para crianças que nunca tiveram a oportunidade de acesso à esses elementos”.

História e estrada

O contador de estórias já se acostumou com todos os desafios do trajeto, aprendeu onde é seguro parar e onde pedir ajuda.  De vez em quando, a velha kombi – fabricada há quase duas décadas – teima em não fazer seu papel. “Dinorá tem uma personalidade bastante peculiar. Já me deixou na mão, mas sempre encontro uma alma boa para nos ajudar.”.

Para ele, os personagens que as estradas propiciam são a melhor parte do trajeto. “As crianças estão dispostas a imaginar. O adulto está mais endurecido. As crianças não tem bloqueio imaginativo. Basta falar ‘era uma vez’ que elas suspendem o tempo presente e vive o tempo da estória que você está contando”.

Os pequenos ouvintes também ajudam a amenizar a saudade de casa. “Quando eu mando uma foto para os meus pais. Quando eles olham aquelas crianças tão atentas ao que eu estou falando,  ficam felizes e entendem porque eu acredito nesse projeto”.

Bruch acha que “Viramundo”  está dando certo. Diz que já  perdeu as contas de cidades que percorreu e passou a somar os estados. Foram cinco até agora e pelo menos 7 mil pequenos ouvintes. “Sempre digo que, às vezes, me falta coragem, mas sempre sobra vontade de continuar”.

 

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