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Número de suicídios em Campo Mourão é 86,22% maior que no resto do País

Média nacional é de 5.7 pessoas para população de 100 mil habitantes; na cidade 10 pessoas suicidaram de janeiro a setembro

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Se os números registrados pela Central de Serviços Funerários (CSF) – revelados com exclusividade ao i44 News –   estiverem corretos, Campo Mourão terá atingido neste ano um índice assustador em relação aos casos de suicídio: 86,22% acima da média nacional de cidades do mesmo porte.

No Brasil,  a média nacional de suicídios para um população de 100 mil habitantes é de 5,7 pessoas por ano de acordo com dados constantes no Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil divulgado em 2017.. Na equivalência com a população de 94.212 habitantes –  população  estimada para Campo Mourão em 2018  pelo IBGE  – , a média cai para 5.37 pessoas.

Até o final de setembro, 10 pessoas foram enterradas no cemitério municipal, vítimas de suicídio de acordo com os laudos sobre as causas da morte. Quatro delas, nos últimos dois meses. O último caso conhecido envolveu uma profissional que atuava no setor de atendimento de emergência a saúde.

 

A única fonte de informação oficial encontrada pelo i44 News para contabilizar os números foi a CSF. Na secretaria municipal de Saúde, a informação é que os números não são contabilizados a partir da causa descrita como suicídio ou tentativa. A explicação contraria o que determina a portaria 1.271/2014 publicada pelo Ministério da Saúde.

O documento define que a tentativa de suicídio passou a ser um agravo de notificação obrigatória e imediata, devendo a notificação ser feita para a secretaria municipal de Saúde em até 24 horas. O início do cuidado para a pessoa também deve ser imediato, devendo a vítima  receber o atendimento de urgência necessário e, na sequência, o acompanhamento psicossocial na rede de saúde.

Sofrimento

A chefe de divisão da CSF, Janete Iori, explica que em casos de suicídio, a causa da morte nem sempre consta na ficha do sepultado por alguns meses.

“O suicídio pode ser cometido de várias formas e precisa ser constatado através de exames que podem demorar meses. Às vezes, a própria família é capaz de esclarecer o que aconteceu, mas outros casos podem demorar até seis meses”, diz ela.  Enquanto isso, nas fichas de sepultamento constará “causa da morte: a esclarecer”.

Acostumada a lidar com o luto, Janete relata que as famílias dos suicidas são possivelmente as mais abaladas.

“Eu percebo que há uma dificuldade maior em aceitar a perda. Nesses casos, acontece de os familiares nem comparecerem para fazer a documentação do sepultamento. Isso acaba a cargo de um amigo da família”.

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