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Pesadelo: na madrugada, ela presenciou a tentativa de suicídio de seus dois filhos

“Acordei ouvindo gritos, choro e janelas sendo quebradas”. Ao chegar à sala, ela viu o filho se auto-mutilando

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Ela é professora. Profissionalmente, vive uma das melhores fases da vida. Mas, repentinamente, um turbilhão quase devastou seu mundo.

Mãe, ela foi atingida em cheio em seus sentimentos.  Sozinha, presenciou a quase partida dos filhos: um de 12 anos e outro de 17.  Os dois adolescentes tentaram o suicídio.

Joana (nome fictício) conta que a primeira tentativa foi do filho mais novo.

Ainda criança, o João (nome fictício) foi diagnosticado com Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), uma condição clínica de pessoas que  não conseguem lidar com as próprias emoções e tornam-se agressivas com facilidade. A situação exige olhar constante.  “É como se ele não tivesse senso do que significa o errado”.

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No início de 2018, mesmo em tratamento psiquiátrico, as tentativas de suicídio do caçula tiveram início.

“Você escuta das pessoas que aquilo é frescura, que é para chamar a atenção. Mas, você acorda de madrugada, vê ele ensanguentado, com cortes pelo corpo e tentando ligar o gás e acender um fósforo”.

A madrugada de terror trouxe o desespero na mãe. “Aquilo era real, você não está lendo sobre isso, não está vendo em uma novela. É o seu filho e você está vendo a dor dele”.

Joana é uma mulher culta e preparada. Já havia lido artigos sobre depressão e transtornos mentais. Mesmo assim, o baque veio de surpresa.

“É muito estranho, porque a gente tem a ideia de que a depressão tem motivos e não entende como uma criança que tem recursos e apoio se machuca e diz que não quer mais estar ali, viver ali e que seria uma solução a vida dele acabar”.

“Eu via o desespero e a dor dele, se não tivesse ninguém por perto, ele tinha conseguido tirar a própria vida”

Enquanto os olhos estavam voltados para preservar a vida do filho caçula, o mais velho passava pelo mesmo problema. Joana percebeu que o adolescente poderia ter um quadro de depressão. O desânimo era constante, assim como a vontade de sair de casa.

“Eu cobrava coisas que toda mãe cobraria. Você escuta: ‘eu não quero que você se meta na minha vida’. Na verdade, ele estava pedindo socorro”.

“Batia a cabeça no asfalto”

Mais uma vez, a mãe teve uma madrugada insone e desesperadora.

“Acordei ouvindo gritos, choro e janelas sendo quebradas”. Ao chegar à sala, ela viu o filho se auto-mutilando.

“Foram horas de surto. Ele quebrou tudo dentro de casa tentando se machucar, foi para a rua, batia a cabeça no asfalto. Eu via o desespero e a dor dele, se não tivesse ninguém por perto, ele tinha conseguido tirar a própria vida”.

Para ela, os dois casos se relacionam. “Meu filho mais velho via o que eu estava passando com o irmão dele. Quando ele chegava em casa, se sentia mal de dizer que não estava bem, que não tinha conseguido emprego, era como se ele não quisesse me dar mais preocupações e acumulava tudo para si”.

Desde as duas tentativas de suicídio, não foi só a falta de sono que mudou na mãe, até a casa da família sofreu mudanças. Facas e remédios foram ficaram escondidos e trancafiados com cadeados. O gás foi encanado e os copos de vidro foram substituídos por copos de plástico.

 

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