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Profissionais defendem a pósvenção para reduzir casos de suicídios

Médica e secretário da Saúde do Paraná defendem serviço qualificado para atendimento de quem tentou o suicídio e familiares

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No consultório da psiquiatra Fernanda Maria Marques, na área central de Campo Mourão,  os casos se repetem nos atendimentos. São pacientes de várias idades e de ambos os sexos que chegam por lá apresentando quadros clínicos com tendência suicida.

Experiente, Fernanda diz que a intenção de tirar a própria vida não é fruto exclusivamente da depressão.

“É importante que a gente entenda que o suicídio está relacionado a um transtorno mental. Não,  necessariamente,  o paciente está deprimido, mas está sob uma demanda emocional muito grande”, diz ela.

O quadro depressivo, no entanto, é o mais comum entre as pessoas que com tendência de tirar a a própria vida que a procuram.

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“A depressão é uma doença e não podemos esquecer disso. O histórico familiar e predisposição genética são fatores que aumentam a vulnerabilidade do indivíduo a fatores externos”.

O caminho entre um quadro depressivo e a decisão de tirar a própria vida é pavimentado por frustrações e dores que o indivíduo acumula no cotidiano, fala a profissional.

“São gatilhos que criam um cenário propício: solidão, questões financeiras e afetivas. Tudo isso está muito frágil na nossa sociedade, os fatores são muitos e só aumentam. Isso faz com que o número de suicídios cresça” diz a psiquiatra.

Ao longo da carreira, Fernanda percebeu a necessidade de um tratamento integrado.

“O indivíduo que passa por isso está muito debilitado emocionalmente. Ele precisa de um tratamento psiquiátrico, muitas vezes com medicamentos, mas também precisa de um acompanhamento psicológico e atenção familiar. Todo o necessário para que ele se sinta amparado”.

“Isso é um processo contínuo. Precisamos prevenir a causa, mas precisamos dar suporte a essa vida”
(Antônio Carlos Nardi, secretário de Saúde do Paraná)

Pósvenção

Há alguns dias quando esteve na cidade para acompanhara a entrega do novo centro cirúrgico da Santa Casa local, o secretário de Saúde do Paraná, Antonio Carlos Nardi, ficou impressionado com os números repassados pelo i44 News sobre os casos de suicídios registrados em Campo Mourão neste ano.

Nardi defende que o caminho para diminuir os índices de suicídio é oferecer uma rede pública para tratamento da saúde mental, desde a atenção básica com profissionais qualificados para atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nos ambulatórios das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

“Precisamos realizar uma abordagem junto às famílias, esclarecendo a importância de tratarmos da saúde mental dos cidadãos. Vejo que o que falta ainda é a escuta qualificada, com profissionais preparados e aptos para ouvir quem precisa de ajuda” disse o secretário.

No comando da secretaria da Saúde do Estado do Paraná (Sesa), Nardi diz que além do processo de conscientização na saúde básica, há o desafio de oferecer um serviço qualificado para tratamento na chamada pósvenção, ou seja, o atendimento a quem tentou suicídio e as famílias.  

O secretário está trabalhando para ampliar em todo o Estado, a formação de equipes para o trabalho que objetiva dar apoio a familiares e pacientes que estão em risco.

“Isso é um processo contínuo. Precisamos prevenir a causa, mas precisamos dar suporte a essa vida”.

 

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