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Esportes

Atletas da Comcam são o Brasil em Pan-Americano na Argentina

Eles tiveram que arrecadar R$ 20 mil para poder representar o País na competição internacional de arte marcial

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Quatro atletas residentes na Comunidade dos Municípios de Campo Mourão (Comcam) vão representar o Brasil na 12ª edição do campeonato Pan-Americano de Sanda, aberto na terça-feira (30) em Buenos Aires, na Argentina, e com encerramento no próximo domingo (4).

A disputa é a mais importante da modalidade na América Latina e está inserida no calendário mundial de competições da Federação Internacional de Wushu, sediada na Suíça.

De Campo Mourão foram selecionados os atletas
Raine Cristina de Oliveira de 21 anos,  e Gustavo Balde de Oliveira, 12 anos. Ana Paula Nogueira, 20 anos, de Terra Boa e
 Jhon Lyon Linhares Ribeiro, 24 anos, de Engenheiro Beltrão,
também estão entre os convocados para a equipe brasileira.

Todos eles pertencem ao Team Markine Fight, formado na academia fundada pelo lutador e professor de boxe chinês Markine Santos que morreu no verão de  2017, aos 40 anos, após ser atingido por um raio em Matinhos, no litoral do Paraná.

Os quatro lutadores se encontraram na terça-feira, no início da tarde no terminal rodoviário de Campo Mourão, de onde seguiram viagem rumo a São Paulo em ônibus convencional. O i44 News acompanhou o embarque dos atletas.

Na capital paulista eles foram incorporados a equipe do Brasil – formada por atletas de vários estados – que segue na tarde desta quarta-feira de Guarulhos com destino a Buenos Aires. Os lutadores brasileiros estreiam na competição a partir do dia 2 de novembro.

Primeiro round: $

A principal luta dos atletas da região, no entanto, começou logo após o término do campeonato brasileiro de Sanda, em setembro, quando foram convocados para integrar a equipe brasileira.

Distante do cenário milionário do futebol profissional, o esporte amador – como é o caso do Sanda – não remunera os atletas pela representação do País em competições internacionais.

Pior ainda: os convocados tem que bancar uniformes, passagens e alimentação. Nos cinco dias em que permanecerão na Argentina, cada um deles teve que virar para conseguir R$ 5 mil, valor mínimo para pagar os custos impostos pela confederação da modalidade no Brasil.

Para vencer este round, os lutadores da Comcam venderam rifas e contaram com a ajuda de amigos, familiares e pequenas contribuições de empresários das três cidades da região. Retribuíram com videos, banners e mensagens de agradecimentos em seus perfis nas redes sociais.

Determinação

Na rodoviária de Campo Mourão o grupo estava ansioso. O atraso de 50 minutos para chegada do ônibus, causou apreensão, apesar do longo tempo que teriam que esperar na capital paulista para o embarque desta quarta-feira no aeroporto de Guarulhos.

Todos estavam seguindo para o primeiro voo internacional. Nenhum deles domina o idioma o espanhol, língua oficial falada pelos hermanos.

Nada disso os preocupava. Estavam centrados na avaliação de oponentes, nos golpes e no sonho de trazer medalhas para o Brasil. Se alguma delas vier para os lutadores de Campo Mourão, serão dedicadas ao professor Markine.

O atleta John Ribeiro embarcou lesionado. No último sábado (27) ele se envolveu em um acidente de motocicleta em sua cidade. Na mão direita, exibia uma grande ferida aberta, próxima ao punho.

Mesmo assim, ele se recusou a desistir. Buscava a automotivação. “Vou bater com mais força ainda por conta da dor”.

Na carteira de cada um, não mais que R$ 500. John e o pré-adolescente Gustavo Oliveira tinham planos para gastar o dinheiro nas horas de folga. Se conseguirem uma folga entre as lutas, querem conhecer La Bombonera – estádio de forma retangular como a de uma caixa de bombons – onde o Boca Juniors manda seus jogos.

As duas atletas diziam que o dinheiro estava reservado para emergências. Mesmo assim, não descartavam um fugidinha pelos pontos turísticos da capital portenha.

“Arte da Guerra”

O sanda,  um estilo do wushu, é disputado em três rounds de dois minutos cada. Os lutadores se enfrentam numa plataforma de 8m de comprimento por 8m de largura. A vitória vem por nocaute ou pontuação. Os lutadores usam luvas muito parecidas com as de boxe. Também é obrigatório o uso de capacete, colete e protetores.


O wushu é mais conhecido no Brasil como kung fu. Na China, wushu significa “arte da guerra” e é utilizado para identificar a arte marcial. Já o termo kung fu serve para designar a habilidade em alguma atividade. Por exemplo: “Neymar tem kung fu em futebol”.

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