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Educação

MBL apoia aluna do Rondon e usa caso para defender ideia de Escola Sem Partido

Movimento aprova apoio a estudante de Campo Mourão; Nicole diz que é alvo de ataques e se sente “acuada”

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O Movimento Brasil Livre (MBL) utilizou o caso envolvendo uma desavença entre uma aluna e um professor na sala de aula no colégio estadual Marechal Rondon, em Campo Mourão, – ocorrida após uma discussão sobre a decisão de Cuba de deixar o programa social “Mais Médicos” – para ilustrar uma das principais bandeiras do grupo: a implantação do projeto “Escola Sem Partido”.

O MBL repercutiu a  discussão ocorrida em Campo Mourão – publicada inicialmente pelo i44 News – nos seus canais de comunicação e redes sociais.

Na página do movimento no Facebook, o assunto foi ilustrado com uma imagem, produzida pelo i44 News,com a legenda em letras maiúsculas: “ESCOLA SEM PARTIDO JÁ!”.

No Instagram, um braço do movimento, chamado de MBL Estudantil,usou a mesma imagem para parabenizar a aluna que discordou do professor. “Parabéns Nicole!” dizia o título da publicação que trouxe uma chamada elaborada com um juízo de valor do movimento, classificando que houve “doutrinação de esquerda” na sala de aula do Rondon.

No site MBL News, no final da noite de sábado (17), foi publicada inicialmente um texto embasado na matéria do i44 News, incluindo um link para entrevista gravada no estúdio do portal de notícias e disponível no canal do i44 News no Youtube.

No domingo (18), o movimento escalou a editora-chefe do MBL News, Francine Galbier, uma das principais lideranças femininas do movimento nacional,  para entrevistar Nicole.

O texto foi publicado no final da tarde de domingo e apresentou a estudante como “liberal conversadora” e favorável ao projeto “Escola Sem Partido”. O site do MBL diz ainda que a aluna do Rondon estaria “sentindo-se acuada para retornar ao colégio” na segunda-feira e que ela teria sido alvo de “diversos ataques de colegas pelas redes sociais”.

O MBL Estudantil, apoiou a atitude de Nicole e diz que “irá acompanhar de perto o desenrolar do conflito”, segundo o canal de comunicação do MBL.

O texto diz ainda o professor de Química, Denny Cesar Faria, “do lado oposto, acredita que o Escola Sem Partido criará a lei da mordaça”.

Sem entrevistar o professor, a afirmação do MBL se embasou na entrevista de Faria concedida ao i44 News. No entanto, em nenhum momento o entrevistado falou ao portal de notícias sobre o este assunto, limitando-se a explicar sua versão sobre o desentendimento ocorrido com a aluna.

A direção do colégio Marechal Rondon prometeu falar sobre o assunto na segunda-feira. O Núcleo Regional de Educação de Campo Mourão vai enviar o caso para ser analisado pela Ouvidoria do órgão.

Escola Sem Partido

O MBL defende a aprovação de projetos em todo o país, semelhantes ao texto do projeto de lei (PL 7.180/14) conhecido como Escola Sem Partido, que propõe adicionar à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional a proibição do que chama de “prática de doutrinação política e ideológica” pelos professores, além de vetar atividades e a veiculação de conteúdos que não estejam de acordo com as convicções morais e religiosas dos pais do estudante.

Define, ainda, os deveres dos professores, que devem ser exibidos em cartazes afixados nas salas de aula. O projeto está em tramitação na Câmara Federal.

Parte da ideia encampada pelo movimento já se transformou em lei municipal em Santos, Jundiaí, Pedreira, Ocauçu e Lorena. Nestas cidades, todas localizadas no interior paulista, a lei impede discussões ideológicas ou sobre gênero. No entanto, a legislação não tem efeito prático.

Em Alagoas, onde a Assembleia Legislativa aprovou uma legislação semelhante, batizada como ‘Escola Livre, a lei é alvo de uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).  O Ministério Público Federal já se posicionou sobre  a inconstitucionalidade do Escola Sem Partido, enquanto que especialistas argumentam que, na prática, o projeto atenta contra a liberdade do professor na sala de aula.

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