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Arte e Cultura

Quatro décadas depois, o filho ilustre subiu ao palco em Campo Mourão

Estrela de primeira grandeza do teatro nacional, Nei Piacentini relembra infância na cidade em entrevista exclusiva ao i44 News

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Na década de 70, o moleque cabeludo, jogador “mediano” segundo relato de amigos, corria nas quadras da cidade como titular do Caramuru, uma equipe de futsal – ainda chamado de futebol de salão – , quando fez sua estreia no palco pela primeira vez.

O cenário, arrumado de improviso, era o quintal de sua casa em Campo Mourão. A experiência foi repetida depois, de forma amadora, no Colégio Vicentino Santa Cruz, onde estudava.

Quarenta e quatro depois, com os cabelos quase inexistentes , aos 57 anos, e com uma bagagem de quase quatro décadas – que serão completadas em 2019 – de uma carreira premiada e reconhecida nacionalmente, ele voltou a cidade no sábado (17).

Desta vez, pisou o palco profissionalmente. Na platéia, amigos e espectadores embevecidos com a presença do filho ilustre da cidade, estrela de primeira grandeza do teatro brasileiro.

Nada foi programado, como tudo o que ocorre na vida do ator, diretor, professor, pesquisador, mestre e doutor em teatro Nei Piacentini. Integrante de companhias de teatro que necessitavam de grande logística para apresentações, suas passagens pela cidade se resumiam a visitas aos familiares e uma ou outra oficina aos atores e atrizes locais. A presença do ator em atuação em Campo Mourão era quase inviável

Era, até “Espelhos”, solo teatral onde Piacentini vive dois personagens descritos em dois contos, ambos com o título de “O Espelho”. Um deles é de autoria de Machado de Assis, publicado em 1882, e outro de Guimarães Rosa, de 1962. No monólogo, o ator mourãoense se desdobra entre o ceticismo de Machado e o sentimento de esperança Rosa – travando um diálogo embasado nos contos dos dois grandes escritores brasileiros.

O espetáculo, encenado há dois anos em todo o País, sucesso de crítica, levou Piacentini a ser indicado em 2016 ao prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). No texto, o ator mourãoense medita sobre a imagem que cada um faz de si próprio.

Na tarde de sábado, o ator recebeu o i44 News no palco do teatro municipal, antes da apresentação, realizada naque noite. Falou da infância, da carreira e de sua relação com a cidade que deixou aos treze anos. O resultado do bate-papo está no vídeo acima.

Nome do teatro nacional

Piacentini tem seu nome gravado na memória do teatro brasileiro, participando como ator e diretor de várias peças de sucesso. 

Sua carreira está entrelaçada com a história da Companhia de Latão, grupo teatral, com duas décadas de apresentações – completadas em 2017 -, marcado pela pesquisa na área e na realização de ações pedagógicas e oficinas de dramaturgia, ligada a movimentos populares.

O mourãoense também foi diretor da Cooperativa Paulista de Teatro entre 2005 e 2013,  e ocupou as telonas em várias longas metragens.

Viveu personagens nos filmes “Cronicamente Inviável”, de Sérgio Bianchi,  “Lula, O Filho do Brasil”, de Fábio Barreto, e “Trabalhar Cansa”, de Marco Dutra e Juliana Rojas,  “O Quanto Vale ou É Por Quilo”, de Sérgio Bianchi; “Os Últimos Dias de Stephan Zweig”,  de Sylvio Back,  “Não Por Acaso”, de Felipe Barcisnki e  “Tropicalismo Now”, de Ninho Moraes.

Começou sua trajetória teatral na Universidade Federal de Santa Catarina e fundou, em 1980, em Florianópolis, o Grupo A de Teatro. Foi  para São Paulo, em 1985, onde trabalhou  na  TV Bandeirantes e no programa Revistinha da TV Cultura ( que recebeu o prêmio APCA de melhor programa infanto-juvenil de 1990 e 1991).

Piacentini é idealizador da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo de São Paulo e fundador do Instituto Internacional de Teatro no Brasil, ligado à Unesco. 

Além das graduações de mestre e doutor em teatro pela Universidade de São Paulo (USP), cursou Engenharia Civil, Psicologia – ambos cursos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – e frequentou o curso de Educação Artística na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

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