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Polícia

Medicamentos controlados somem da secretaria de Saúde e ninguém percebe ausência

Mistério no desaparecimento de seis mil comprimidos está mal explicado e não há registro na Polícia Civil

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Seis mil comprimidos genéricos de carbamazepina – medicamento de uso controlado, utilizado principalmente no tratamento da epilepsia e dor neuropática -, destinados a pacientes atendidos pela farmácia especial do município, sumiram do interior do prédio da secretaria de Saúde de Campo Mourão, sem que nenhum funcionário notasse a falta produto.

O desaparecimento só foi revelado após um cidadão comparecer a uma unidade básica de saúde, localizada na Vila Urupês, para entregar duas caixas contendo os comprimidos.

O caso se transformou em um mistério e a prefeitura não tem uma explicação plausível sobre o assunto. Não se sabe quando ocorreu o sumiço das caixas de comprimidos e nem a forma como foram retirados de um sala de movimentação restrita. 

Rosemeire do Carmo Martello Cruz, secretária municipal de Saúde, disse que foi instaurada uma sindicância interna para apurar o desaparecimento e que o caso foi comunicado à polícia. A informação foi ratificada em nota oficial publicada no site da prefeitura.

Na 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão, após detalhada busca na base de dados do sistema, não foi localizado nenhum registro sobre o desaparecimento dos medicamentos, de acordo com o informações do delegado-chefe Gustavo Pinho Alves.

Sem o uso monitorado, a carbamazepina pode provocar reações adversas no sistema nervoso central, provocando vertigem, cefaleia, perda do controle muscular, sonolência, fadiga, alterações na visão, distúrbios gastrintestinais – com ocorrências de náusea e vômito – e reações alérgicas na pele.

Nem a prefeitura e nem a secretária de Saúde de Campo Mourão explicaram a ausência de um sistema de monitoramento no local, pu qualquer outra ação preventiva, apesar de relatos de ocorrências de vários furtos anteriormente no interior do órgão municipal.

No prazo de validade

Fabricados pelo Laboratório Teuto Brasileiro em abril deste ano, com validade até abril de 2020, os comprimidos genéricos de 200 miligramas de carbamazepina foram adquiridos pelo fundo municipal de saúde através do Consórcio Paraná Saúde, órgão que faz a aquisição em grupo de medicamentos da assistência farmacêutica básica e que reúne 397 municípios do estado.

Os medicamentos – vendidos pela distribuidora Pontamed Farmacêutica, de Ponta Grossa – foram entregues e conferidos por funcionários da secretaria municipal no inicio de maio deste ano. De acordo com o preço registrado da aquisição, cada comprimido teve o custo de R$ 0,0643. O material encontrado em Campo Mourão teria o custo total de R$ 385,80.

Nas farmácias privadas, a carbamazepina – comercializada sob as marcas de Tegretol, Tegretatard ou Carbamaz – são vendidas com preços variando entre R$ 14,80 à R$ 19,80, em caixas com 20 comprimidos

Redes Sociais

Apesar da gravidade do desaparecimento de medicamentos controlados em uma área de acesso restrito dentro da secretaria de saúde, a secretária de Saúde demonstrava preocupação com a divulgação de imagens dos medicamentos encontrados nas redes sociais.

                                                                                                           Reprodução/Facebook
Caixas teriam sido encontradas por um cidadão que recolhe materiais descartáveis 

A mesma posição foi adotada pela prefeitura em nota, ao revelar que “vai pedir apuração quanto a exploração política do caso em um grupo de rede social”. (Também não foi localizado registro policial neste sentido)

Segundo o texto, “antes dos medicamentos serem entregues na UBS, a caixa foi fotografada e uma postagem em rede social culpa a administração do município. A mesma postagem atribui um valor de R$ 15 mil aos medicamentos, que custam R$ 385,40”.

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