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Esportes

Com atletas “importados”, Fecam se destaca em competições de atletismo no país

Dos 70 atletas em atividade, 42 treinam e moram em outras cidades

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Vencedora da Copa Brasil de Marcha Atlética no último domingo (17), com recorde brasileiro da prova, a carioca Viviane Lyra está entre os 42 atletas “importados” da Fundação de Esportes de Campo Mourão (Fecam) que têm levado o nome da cidade a competições de atletismo no Brasil.

Viviane está registrada na Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) como atleta da Fecam desde janeiro do ano passado, mas nunca esteve em Campo Mourão, e passou a receber uma bolsa-atleta de R$ 300 mensais da fundação. “Fui ao Paraná pela primeira vez ano passado para participar dos jogos estaduais [Campeonato Paranaense de Atletismo Adulto, em agosto, em Maringá]”, disse.

A atleta reside e treina no Rio de Janeiro, na Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA). Desde de novembro do ano passado, ela não recebe a bolsa da Fecam, mas mesmo com dificuldades financeiras segue representando Campo Mourão. 

No domingo passado (17), Viviane venceu os 50 km da Copa Brasil de Marcha Atlética, em Bragança Paulista (SP), com o tempo de 4h37m05s, novo recorde brasileiro da prova, e garantiu participação na Copa Pan-Americana, que será disputada dia 20 de abril, em Chihuahua, no México.

A atleta afirma que escolheu competir por Campo Mourão por causa da falta de incentivo no Rio à marcha atlética. “Aqui não há apoio à modalidade e Campo Mourão se tornou referência em oportunidade de federar atletas”, diz Viviane, que também é nutricionista.

Alguns atletas registrados pela Fecam na CBAt treinam no Rio de Janeiro e São Paulo e outros até fora do país, a exemplo de Catar e Portugal, e recebem bolsa-atleta dos governos federal e estadual.

Segundo o treinador da Fecam, Paulo César da Costa, dos 70 atletas da fundação em atividade, 42 treinam e centros esportivos de outros municípios e 28 na pista do Estádio Municipal Roberto Brzezinski.

Costa calcula que a Fecam, em 28 anos, já registrou mais de 400 atletas. “Somos um dos clubes mais antigos do Estado. Temos o maior número de atletas federados no Estado”, comentou.

No Troféu Brasil de Atletismo do ano passado, seis dos 13 atletas que disputaram as provas pela Fecam são “importados” e ajudaram a levar a fundação à quarta colocação geral da principal competição nacional da modalidade.

A Fecam, cujo o orçamento em 2018 foi de R$ 320 mil, somou 75 pontos no Troféu Brasil. Os três primeiros colocados foram clubes com receitas milionárias, o Esporte Clube Pinheiros (SP), que fez 685 pontos, o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima/Orcampi, de Campinas (SP), e São Bernardo do Campo (SP).

O treinador da Fecam avalia que Campo Mourão se tornou referência no país na “questão sobrevivência”, já que federados os atletas prosseguem competindo e conquistam o direito de receber incentivo monetário por meio do programa Talento Olímpico do Paraná. “Fomos, aos poucos, crescendo no atletismo e muitos começaram a nos procurar em função do Paraná conceder bolsa”, diz.

Para Costa, o atletismo não tem investimento suficiente no Brasil. Ele diz que o custo do município com os atletas em competições é “baixíssimo” com viagem, hospedagem, alimentação e material esportivo. “Quando pinta uma oportunidade os altletas agarram”, disse

Lucas Carvalho, Juliana Heinrikhs, Arthur Langowski e Giovana Cristina Ferrarezi são, conforme o treinador, outros atletas que têm se destacado em competições esportivas no país. E todos já competiram nos Jogos Abertos do Paraná por serem registrados pela Fecam.

Giovana, terceira colocada no Troféu Brasil de 2018 na modalidade salto com vara, treina em São Paulo. Arthur, vice-campeão nos 400 metros com barreiras na competição nacional, está em Portugal. Lucas, bicampeão brasileiro nos 400 metros rasos, foi para o Catar. Juliana, medalhista dos Jogos Abertos do Paraná, treina em Curitiba.

A Confederação Brasileira de Atletismo informou, por meio da assessoria de imprensa, que é válida e comum no país a prática de clubes de atletismo fazerem o registro de atletas que treinam em outros localidades.

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