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Cotidiano

Em nove dias, ministério de Damares resolve problema de oito anos criado pelo PT

Articulação envolveu órgãos dos governos federal e estadual e vai levar água para índios levados para Campo Mourão na gestão de Dilma Roussef

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Em apenas nove dias, um problema – originado na gestão da ex-presidente Dilma Roussef – que se arrastou por oito anos e disseminou a miséria na vida de famílias indígenas esquecidas e abandonadas em uma área do Barreiro das Frutas, na área rural de Campo Mourão, na região Centro-Oeste do Paraná, começa a ser solucionado em uma parceria entre o os governos federal e estadual. Desde 2011, quando foram transferidos para o local, os índios não tinham acesso à água.

Já nos próximos dias, a água deve jorrar na terra indígena e abastecer as casas dos moradores da aldeia instalada em uma área de dois alqueires, depois da perfuração de um poço artesiano e a instalação de bomba, caixa d’água e encanamento.

A solução da ausência da água no local foi intermediada pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado pela ministra Damares Alves, e teve a parceria do Ministério da Saúde – com a participação da Secretaria Especial de Saúde Indígena – e do Governo do Paraná, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo do Paraná.

A articulação para que os índios pudessem ter acesso à àgua foi realizada pessoalmente pela titular da Secretaria Nacional de Igualdade Racial (Seppir), Sandra Terena, que também pretende incluir a pequena aldeia em programas de apoio a comunidades indígenas geridos por sua pasta.

Seguindo a mesma linha de diálogo e ação, três mourãoenses – gentílico utilizado para designar moradores de Campo Mourão – tiveram papel fundamental para que a falta de água no local fosse um problema superado: a Coordenadora Nacional de Políticas Afirmativas da Seppir, Naiany Hruschka Salvadori, o secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Márcio Nunes, e o vereador Cicero Souza, que pertence ao PT., partido que estava no governo quando o problema foi criado.

Cicero, inconformado com o abandono dos índios, foi quem acompanhou o cacique Emiliano Mbey Tupã em uma reunião com Naiany na aldeia. A representante mourãoense no governo Bolsonaro fez um detalhado relatório do local e, em Brasília, apresentou a situação para Sandra Terena que entrou em contato com o secretário paranaense Márcio Nunes.

Imediatamente, Nunes autorizou a perfuração do poço no local, mas explicou que não havia a estrutura disponível para bombeamento e distribuição da água. Sandra acionou o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena – Litoral Sul, Valter Viana, que autorizou o fornecimento dos equipamentos necessários.

O prazo de tramitação de todo o processo para acertar o inicio dos trabalhos ocorreu em tempo recorde. A visita de Naiany foi acompanhada pelo i44 News no dia 6 de fevereiro. Na quinta-feira (14), já havia o comprometimento de todos os órgãos envolvidos para solucionar a ausência de água no local. O serviço deve ser iniciado nos próximos dias.

Esquecidos e sem água

A falta de água na aldeia guarani obrigou várias famílias de índios a deixar o local, provocando o fechamento da escola implantada na área, que ficou sem alunos. Sem poder contar com o líquido, até mesmo a subsistência dos índios estava comprometida.

A aldeia foi originada em 2011. Os índios foram levados para Campo Mourão com a promessa de apoio do governo petista, o que acabou não ocorrendo. Isolados em uma área de dificil acesso, adquirida com recursos da Petrobrás, eles foram esquecidos nos últimos oito anos pelos gestores públicos.

Na época da implantação da área, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) chegou a publicar em seu site oficial uma nota sobre o local, incluindo uma declaração do cacique Emiliano Mbey Tupã. “Nesta aldeia nossas crianças vão poder viver e presenciar o modo verdadeiro do guarani. Vamos plantar e viver desta terra.”

Na semana passada, o parlamentar , em nota enviada ao i44 News, afirmou que esperava que o problema “se resolva”, sem demonstrar qualquer interesse na resolução do problema.

Nos últimos oito anos, a aldeia guarani passou por completa deterioração e as famílias que resistiram no local vivem em condição extrema de pobreza, conforme reportagem publicada pelo i44 News.

A ação conjunta dos novos governos estadual e federal deve modificar o cenário a partir de agora. Pelo menos, é o que espera a família índio Antonio que vive na área na companhia da mulher e de 11 filhos, com renda aproximada de R$ 700 e duas cestas básicas.

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