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Educação

Maior leitor da Biblioteca Municipal de Campo Mourão tem 82 anos e começou com o “Velho e o Mar”

Germano Valentim, apaixonado por livros, emprestou 280 títulos nos últimos 2 anos

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Com uma sacola de pano a tiracolo, daquelas de levar à feira, Germano Valentim, 82 anos, corta a Praça São José, no centro de Campo Mourão, com mais três livros, ansioso por novas histórias. A leitura é rotina para aposentado que é o leitor mais assíduo da Biblioteca Municipal Egydio Martello. Nos últimos 2 anos, ele emprestou 280 títulos, o que dá uma média de 11 por mês.

Germano também está na lista dos leitores quem mais emprestam livros na Biblioteca Municipal de Londrina, no norte do Panará, cidade na qual visita com frequência por ter o que ele chama de “parentes do coração”. “Ler é uma paixão”, diz.

O aposentado que nasceu em Petrópolis (RJ), mora em Campo Mourão há 30 anos, onde já teve uma livraria, e trabalhou por 20 anos como vendedor de uma multinacional, conseguiu o diploma do antigo primário (ensino fundamental) aos 37 anos ao fazer uma prova para mostrar documento à empresa.

Do primeiro livro que leu aos 11 anos, “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, até hoje, persiste o pensamento da leitura ser fundamental na formação de uma cidadão. Na casa de Germano não tem nem aparelho de tevê. “Quando alguém me pergunto que program assisto, digo esse aqui, o livro”, diz. Ele lê, em média, 6 horas por dia, faz e exercícios físicos e acompanha as notícias do esporte pelo computador. “A leitura é a minha principal atividade”, conta.

Germano é admirado por quem trabalha na biblioteca. Vai sempre no começo da semana e volta dias as depois para devolver os livros. “Ele nos respeita bastante. É uma pessoa que gostamos de ter aqui”, afirmou a coordenadora da biblioteca, Luciana Demetke.

O aposentado diz ter ânsia por ler e que até bula de medicamento desperta sua curiosidade como leitor. “Ando bastante de ônibus e ao ver alguém como um livro pergunto: ‘dá licença, posso dar uma olhadinha?´”

Germano cita que a crônica “Fobia”, do livro “Comédias para se ler na escola”, de Luis Fernando Verissimo, explica bem sua gana pela leitura e também que uma história parecida contada pelo escritor ocorreu com ele quando trabalhava de vendedor para a multinacional e visitava várias cidades.

Na crônica, Verrissimo fala sobre o pânico de estar num quarto de hotel, com insônia, e não ter nada para ler. No livro, ele chama isso de “gutembergomania”, um vício pela palavra impressa. Na crônica, o autor narra que ligou para a recepcionista e pediu uma publicação. Ela disse que tinha apenas uma carta da mãe e o escritor disparou: “Manda”.

Também em um quarto de hotel em uma de suas viagens, Germano lembra que pediu algum livro, mas não tinha nenhum. O jeito foi “devorar” a lista telefônica que, segundo ele, é um manancial de informações. “Ler uma lista telefônica parece loucura, mas não.”

O aposentado, que se encaixa na “gutembergomania” citada por Luís Fernando Veríssimo, diz que tem verdadeira paixão pela leitura. “Pra mim é fundamental ler sempre”, afirmou.

Na manhã desta terça-feira (26), Germano estava escolhendo os novos títulos da semana nas prateleiras da biblioteca municipal. Um foi “Manifestações literárias do período colonial”, de José Aderaldo Castello.

Na mesma linha, os livros que mais exerceram influência na vida de Germano têm envolvimento com a política, que são “Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre), “Brasil Nuca Mais” (arcebispo dom Evaristo Arns) e “As Veias Abertas da América Latina” (Eduardo Galeano). “São fundamentais para conhecer a realidade do Brasil”, comentou.

E o livro “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, com mais de 600 páginas, é o preferido do aposentado. “Muito importante porque fala do preconceito narrado por uma descendente de escravos.”

Biblioteca

A Biblioteca Municipal de Campo Mourão desenvolve a campanha “Devolva”, dentro do programa “Biblioteca em Movimento”, que substitui a multa de R$ 1 por dia de atraso na devolução de livros por doação de alimento não perecível.

Segundo a coordenadora da biblioteca, a campanha segue até o dia 12 de abril. O ano passado fechou com 61 títulos não devolvidos por leitores. A biblioteca tem cerca de 30 mil livros catalogados. “O objetivo é resgatar os livros emprestados que, por um motivou ou outro, as pessoas acabam esquecendo de devolver. É uma campanha solidária.”

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