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Comportamento

Em Campo Mourão, a “ferrugem que corre nas veias”

Dois colecionadores da cidade se dedicam a relíquias automotivas

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Uma atividade que se confunde com estilo de vida e que para dois moradores de Campo Mourão e tornou uma paixão que vem dos tempos de menino. Amigos pelo antigomobilismo, movimento em expansão no Brasil, Guilherme Augusto, 30 anos, e Itamar Rodrigues Conti, 49, têm mais de 50 carros antigos e sempre estão em incansáveis “caças” por relíquias automotivas.

Itamar, conhecido por Tomatão pelo comércio de hortifrúti, começou a comprar veículos antigos pela lembrança de uma picape Ford F75, que ele pegava escondido do irmão na adolescência para dirigir. “Depois tinha que passar a vassoura no carreador para tirar as marcas dos pneus”, afirmou.

Ele aprendeu a dirigir em estradas de terra na picape vigiada pelo irmão e hoje tem uma do mesmo modelo, ano 1971.

Mas até chegar à picape do gosto, a F75 verde que está na garagem da sua casa com mais noves veículos antigos, que exibe a placa “Tomatão Collection” na parede, ele já havia comprado quatro.

Tudo começou há cerca de 5 anos, quando Itamar adquiriu a primeira F75. “Ai a ferrugem começou a correr nas veias”, diz. Depois surgiu a amizade com Guilherme e a quantidade de carros antigos começou a crescer. Nesta terça-feira (23), os dois foram a Campina da Lagoa, na região de Campo Mourão, para comprar um Landau. Para, é uma satisfação pegar um carro e recolocá-lo para rodar. “Sempre atrás de ferrugem”, disse Itamar.

Os carros que ficam em um salão no Jardim Lar Paraná, local onde Itamar reside e funciona a distribuidora de hortifrúti, estão impecáveis. As picapes, uma F100, uma F1000, Rural e a F75 são as preferidas do comerciante. Mas há Diplomata, Opala, Landau, Fusca e um Dodge Le Baron, sedã fabricado pela Chrysler do Brasil para renovar o carisma da linha Dart/Charger.

Segundo Itamar, mais de 10 carros estão em restauração e logo deverão fazer parte da coleção que ele divide com a família. Ele e o filho de 24 anos aproveitam os passeios com os veículos que chamam a atenção nas ruas.

Fundador do Antigomobilismo Auto Clube de Campo Mourão, Guilherme tem 30 carros que estão na garagem da casa da família, em um salão anexo e na residência de amigos. Ele é colecionador e também caçador de relíquias automotivas.

Há 4 anos, Guilherme deixou o emprego no setor de expedição em uma empresa de equipamentos de saúde e transformou o antigomobilismo em profissão. Ele ganha a vida com venda, compra e restauração de carros antigos.

O veículo que ele não venderia é um Opala SS 1974, que via na rua e conseguiu comprar. O mais velho é um Ford Phaeton fabricado em 1928. E um dos xodós é uma motocicleta Lambretta 1971 comprada pelo pai dele. “Tenho recordações do meu pai me levando à escola com motocicleta”, disse Guilherme. Na garagem também há uma Vespa 1960.

Guilherme, que está construindo um ambiente para os veículos e cresceu em meio aos carros do pai, diz que o gosto pelos modelos antigos é uma mistura de loucura, paixão de fazer coleção e hobby. “Hoje, não tem mais o que fazer; é caso perdido”, brinca.

Para ele, a paixão pelo antigomobilismo é resumida na riqueza de detalhes, a exemplo das cores, os cromos, acabamento interno, informações que envolvem um carro antigo, quando começou e foi encerrada a fabricação, e os milhares de porquês quem envolvem cada modelo. “Os carros de hoje são praticamente iguais, branco, prata e preto. A admiração das outras pessoas e a história de cada carro fazem a gente gostar mais.”

Nos domingos, Guilherme e Itamar participam de um encontro de colecionadores no estacionamento da empresa Paraná Diesel, no Jardim Alvorada. Eles também participam de exposições de veículos antigos que têm se espalhado pelo Brasil. “É uma forma de trocar ideias e para gerar amizades”, disse Guilherme.

Campo Mourão, onde existe o Dia Municipal do Fusca, em 29 de abril, não tem mais desde 2016 o Encontro de Fuscas para lembrar a data. Em 2015 foi realizada a 12º edição do evento na Praça São José.

Em novembro deste ano, Antigomobilismo Auto Clube vai promover o 8ª Exposição Anual de Carros Antigos, na Praça São José. Na edição de 2018, o evento juntou 250 expositores de mais de 30 cidades do país. “A gente sempre fala que não se aprende a gostar de carros antigos, a gente nasce gostando”, disse Guilherme.

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