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Com 100 anos, ela conserva o sonho de ir à lua e bebe duas taças de vinho por dia

Delézia Slomp é pioneira de Campo Mourão e diz que a vida está começando agora

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Rumo aos 101 anos, Delézia Luigia Slomp, pioneira de Campo Mourão, toma duas taças de vinho por dia durante as refeições, diz que conserva um olhar otimista sobre a vida, que inveja é atraso de vida e que ainda tem vontade de ir à lua, já que acompanhou na Flórida (EUA), em 16 de julho de 1969, o primeiro voo espacial com astronautas ao nosso satélite, a missão Apollo 11. Depressão, uma das doenças mentais que mais atingem os idosos, ela afirma que só ouviu falar até hoje.

Dona de um sorriso fácil, dona Delézia afirma que é como se a vida estivesse começando agora. Elas nasceu em 18 de janeiro de 1919. Exercita-se em uma bicicleta ergométrica, esta semana está fazendo sabão de abacate e tem o dia tomado pela leitura.

Tem sempre ao alcance livros em português, inglês e italiano. Está lendo uma versão em italiano de “O Ventre de Paris” (Il ventre di Parigi), do escritor francês Émile Zola. “Passo muito tempo na leitura e também escrevo tudo o que tem nos livros e sobre o cotidiano. O que fiz ontem escrevo hoje. É um jeito de lembrar”, disse.

Na semana passada, a centenária ministrou uma palestra no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Campo Mourão em um evento da Câmara da Mulher Empresária e Gestora de Negócios. “Gostei muito. Elas ficaram admiradas porque tenho 100 anos”, disse.

Dona Delézia é filha de imigrantes italianos que chegaram no Brasil na segunda metade do século 19 e conserva o sotaque italiano que, segundo uma pesquisa feita pelo jornal britânico The Independant, é o mais atraente da Europa e lhe confere um ar ainda mais aprazível. Bebe duas taças de vinho por dia e diz que come de “tudo um pouco”, de churrasco a arroz e feijão, polenta, pizza e espaguete. “Vinho é diário. Não pode faltar. Se não tiver faz muita falta. Meu pai dizia que faz parte da digestão”, afirmou.

A centenária já viajou para mais de 100 países. Pelas contas, ela já esteve em 121 aeroportos internacionais. Em 1969, ela e o marido, o empresário Paulino Joaquim Slomp, acompanharam na Flórida o lançamento do foguete Saturno 5, que transportou a espaçonave Apollo 11 à lua, no Centro Espacial Kennedy. “Queria ir junto.” Ela disse que ainda tem guardado o sonho de ir à lua e que a idade não seria empecilho para a viagem de mais de 384 mil quilômetros.

A idosa tem cãibras nas pernas, o que atrapalha a locomoção, e dificuldade na audição. Ela dirigiu até os 96 anos – a CNH dela é de 1968 – e afirma que a vida está cada vez melhor. “Estou começando agora.”

O olhar otimista sobre a vida, diz dona Delézia, vem desde criança. Sente-se feliz hoje por ter saúde, cinco filhos, nove netos e dois bisnetos. “Todos os filhos estão formados e casados; viajei pelos cinco continentes e tenho muita coisa para lembrar. Só vejo coisas boas e gente boa em toda parte”, afirmou.

Ela não reclama, mas queria poder continuar o trabalho de comércio de terrenos e também poder “conversar muito” com as pessoas. “Trabalho e saúde são alguns dos segredos da vida. Gosto de trabalhar o tempo todo. Não sei ficar sem fazer nada.”

Para a centenária, não ter inveja, na linha cada um cuidar da sua própria vida, torna as pessoas mais felizes. “Estou de bem com todo mundo, tudo me dá felicidade. Não sei o que é ficar triste, depressiva.”

Campo Mourão

Dona Delézia chegou em Campo Mourão em 1952 com o marido, que morreu em abril de 1990, quando a Avenida Capitão Índio Bandeira, principal via da cidade, tinha meia dúzia de casas. “Era uma poeira imensa, os caminhões atolavam no barro”, diz.

No início, dona Delézia costurara para os filhos porque não havia estabelecimento para comprar roupas para as crianças em Campo Mourão e cozinhava para a família grande sem relutar. “Fazia tudo o podia fazer, cozinhava muito, nunca pensava em comprar comida porque nem tinha onde.”

Ela e marido trabalharam como “embaixadores” de Campo Mourão porque traziam gente do Rio Grande do Sul, 5 anos depois da elevação à categoria de município, e apresentavam a nova cidade como um “eldorado”, uma terra de novas oportunidades.

A centenária recorda que descrevia Campo Mourão aos gaúchos como uma terra do futuro, com a posição geográfica e clima favoráveis, e uma cidade que estava começando a se fortalecer. “Trouxemos muita gente para morar aqui. Fazíamos propaganda daqui.”

Dona Delézia nasceu em Encantado (RS), casou-se em Videira (RS) e migrou para o Paraná com o marido. Foram para Curitiba, depois Alto Paraná, no noroeste do Estado, e se mudaram para Campo Mourão após uma forte geada, em 1952, dizimou os pés de café da propriedade rual da família.

Em Campo Mourão, diz dona Delézia, ela e marido deram continuidade ao negócio de loteamentos urbanos e foram responsáveis, por exemplo, pela abertura do Jardim Lar Paraná, segundo maior bairro da cidade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Campo Mourão está crescendo bastante, os bairros em volta ficando grandes. Não sei de onde veio tanta gente”, disse.

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