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Política

Universidades estaduais vão receber recursos por “meritocracia”, diz Ratinho Junior em Campo Mourão

Governador esteve nesta quarta-feira na cidade para anunciar investimentos

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Recebido com protesto e “apitaço” de servidores da Educação em frente ao Teatro Municipal de Campo Mourão, o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) disse nesta quarta-feira (15) que os recursos serão repassados pelo Estado às universidades públicas por “meritocracia”.

O governador afirmou que está sendo construído com os reitores um modelo de gestão mais eficiente, no qual instituições de ensino superior ganham credibilidade com o governo à medida que dão mais transparência à administração. “A universidade que fizer uma boa gestão vai receber mais dinheiro e aquela que fizer uma gestão ruim receberá menos. Vai ser por meritocracia”, diz.

De acordo com o Ratinho Junior, é inconcebível que universidades gastem quase a totalidade de recursos com a folha de pagamento e por isso precisam melhorar a gestão.

“Não pode um aluno da área pública custar o dobro da área privada. Tem que ter explicações sobre isso. O dinheiro é do povo, não é do governador. Então é preciso transparência”, disse.

Em janeiro deste ano, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) abriu procedimento especial para apurar possíveis irregularidades na gestão em sete universidades estaduais, de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) e Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

Cerca de 100 pessoas, entre alunos, professores e servidores do campus da Unespar de Campo Mourão, docentes da educação básica e estudantes secundaristas participaram da manifestação em frente ao Teatro Municipal, com cartazes e gritos de ondem contra a redução de verbas das universidades estaduais, o que o governo entende por contingenciamento.

Segundo o governador, não há previsão de cortes de recursos para educação, mas contingenciamento. “Temos uma comissão trabalhando com o sindicato dos professores e demais servidores. Temos a boa vontade de construir. O que não vamos fazer é quebrar o Estado para atender aos servidores. Não vou deixar o Paraná virar o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro ou Minas Gerais.”

Professora de Pedagogia da Unespar e umas das líderes do protesto, Dalva Helena de Medeiros, afirma que neste ano houve corte de 20% dos recursos da instituição em Campo Mourão, o que totaliza R$ 234,8 mil por mês. “Não há dinheiro para pagar a conta de luz”, disse.

De acordo com a professora, desde 2015, 60 agentes universitários se aposentaram e não houve reposição e dos 120 docentes no campus, 50 são temporários. O deficit da Unespar em todo o Estado é calculado pela categoria em 427 professores.

“Baderneiros”

Os manifestantes em frente ao Teatro Municipal foram chamados de baderneiros pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Ambiental e Turismo, Marcio Nunes, que estava acompanhando Ratinho Junior. “É dia e hora de agradecer o governador. A gente não admite baderna”, disse.

E secretário afirmou que chegou ao teatro e o clima era de velório, com o protesto dos servidores da Educação, e que no governador foi recebido com hostilidade. “Somos um povo ordeiro, respeitador e não podemos aceitar o que aconteceu.”

A quarta-feira (15) foi marcada por protestos em várias cidades contra o corte de recursos da educação básica e ensino superior pelo Ministério da Educação (MEC). Em Campo Mourão está marcado, para esta quarta-feira, às 17h, um ato público em defesa da Educação na Praça São José.

Em Dallas, nos EUA, o presidente Jair Bolsonaro chamou de “idiotas úteis” e “massa de manobra” manifestantes que organizaram protestos nesta quarta-feira. “Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais”, afirmou.

Convênios

O governador esteve em Campo Mourão para assinar convênios que somam R$ 12 milhões para Campo Mourão, Araruna, Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Goioerê, Janiópolis, Moreira Sales, Nova Cantu, Peabiru, Roncador, Terra Boa e Tuneiras do Oeste.

Para Campo Mourão, o governador assinou ordem de serviço para a construção de uma escola para 1.500 alunos, de 3 mil metros quadrados, com custo de R$ 5,355 milhões. “A última escola foi construída pelo Estado na cidade foi em 1998”, disse Ratinho Junior.

O governador também assinou convênios de R$ 2 milhões para reforma da cobertura da Santa Casa de Campo Mourão, de R$ 2,685 milhões para pavimentação asfáltica e R$ 800 mil para compra de um caminhão e usina de asfalto. “A liberação desses recursos é fruto de ajustes na gestão pública que estamos fazendo”, afirmou.

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