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Vida e Estilo

Não é EUA: self-service de cerveja é tocado na base da confiança ao cliente em Campo Mourão

Método é adotado por ‘beer trcuk’ na região central que não tem atendente

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As bancas de feiras sem vendedores à beiras de estradas ou nas cidades são vistas como um símbolo de honestidade e senso de coletividade no Japão, onde são chamadas de chamadas de mujin hanbai. Também funcionam negócios parecidos no Brasil. Em outros países há supermercados, postos de combustíveis e bancas de jornal na linha self-service. Em Campo Mourão, existe um trailer de bebidas na rua, sem ninguém para vender ou cobrar, que funciona na confiança à honestidade dos clientes que vão beber cerveja, refrigerante ou destilado.

A placa no “beer truck” de 7 metros quadrados na esquina da Rua Santos Dumont com a Avenida Manoel Mendes de Camargo, na região central da cidade, dá o recado: sirva-se. Anote. Seja honesto. Pague. Volte sempre.

O cliente tem a liberdade de abrir uma das geladeiras do trailer, que fica sob uma árvore sete-copas, e pegar um cerveja ou chope que ele mesmo serve na caneca. Anota o nome em um papel no bacão e vai marcando com risquinhos a quantidade que consumir. Pode sentar em alguma cadeira ou banco na calçada. Se quiser há alguns salgadinhos, refrigerante, uísque, vodca e outras bebidas.

O comerciante Jefferson Ferreira, 28 anos, frequenta o “beer truck” desde que abriu, há 2 anos, e afirma que o local é um ponto de encontro de amigos. “É legal porque há liberdade para o cliente e o dono do lugar. Tem que ter honestidade”, disse.

O trailer foi uma maneira que a fábrica de gelo, que funciona há 20 anos em Campo Mourão, encontrou para complementar a venda do produto. Ao lado também tem um carrinho de cachorro-quente. Então, em um mesmo local há cerveja gelada, gelo e lanche.

O “beer truck” funciona das 8h à meia-noite. Em Campo Mourão, uma lei seca em vigor desde 2005 estabelece a venda de bebidas alcoólicas até 0h e até as 2h na sexta-feira, sábado e véspera de feriado.

Segundo o gerente da fábrica de gelo, Robson Luiz Cardoso da Silva, 34 anos, o trailer é mais frequentado por amigos e essa também foi uma das intenções para começar o negócio. “Os amigos ajudam a cuidar. Então se alguém quiser ‘roubar’ todos vão ver e a pessoa vai passar vergonha”, disse.

Rodson diz que o cliente pega o produto e marca o que consumiu, mas não tem, como nas bancas de feira no Japão e algumas no Brasil, uma caixinha para deixar o dinheiro e pegar troco. Ao final do consumo é preciso chamar algum funcionário na fábrica de gelo para pagar em dinheiro ou cartão. “Os clientes ficam à vontade. É uma empresa familiar”, disse o gerente.

Mesmo com o conceito de deixar o cliente pegar e marcar o que consumiu, o trailer tem uma câmera de vigilância, já que o único guardião do “beer truck” é o Sapeca, um cachorrinho simpático que tem 16 anos. Conforme o gerente, o equipamento é necessário para o local ter mais segurança, até mesmo para os consumidores.

Para os fraquentadores do trailer não vale a desculpa de ficar bêbado e esquecer de marcar o que consumiu no papel no balcão. “Aqui é preciso consciência, honestidade”, afirmou Jefferson. “Passa vergonha quem tenta enganar”, diz Robson.

A confiança está estabelecida no sistema de venda de bebidas no “beer truck” e o gerente diz que não há confusão com clientes. Amarrada para não ser furtada só mesmo a caneta sobre o balcão usada para marcar as cervejas consumidas. “Várias já foram levadas, até mesmo por distração, e colocamos uma cordinha”, disse Robson.

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