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Nelson Tureck: o folcórico político do “Deus o Livre” faz parte da história de Campo Mourão

Com fama de populista, ele é amado por grande parte de seus eleitores; enquanto outros torcem o nariz

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Alguns podem até torcer o nariz quando se pronuncia o nome dele mas, a realidade é inconteste: o ex-prefeito de Campo Mourão, Nelson Tureck (Podemos) é uma figura emblemática e já marcou o folclore na política de Campo Mourão. Entre seus eleitores, não são poucos os que estão dispostos a encarar qualquer confusão para defender o “Nelsão”, uma das formas carinhosa pelo qual é chamado.

Longe de cargos públicos nos últimos anos, após uma vida incessante em palanques, aos 67 anos, ele tem se dedicado a fazer postagens diárias e transmitir mensagens pelo WhatsApp sobre que o julga ser necessário para a cidade. A preparação do conteúdo é curiosa. Sobre a mesa na na sala do apartamento da família na região central da cidade estão vários cadernos com centenas de textos meticulosamente feitos, que ficam ali à espera de momento certo para publicação.

O expediente das publicações vem do início de 2018. Conhecido pelo bordão “Deus o livre!”, com um sotaque catarinense – Tureck nasceu em Rio Negrinho, em Santa Catarina -, nos textos o que não falta é o “Viva Campo Mourão!”

O “Deus o livre” se encaixa visão do ex-prefeito que “hoje em dia, 70% dos políticos não servem nem para fazer sabão”. “Prefeito é empregado do povo e muitos ganham as eleições e querem pisar. É o contrário, quem paga o salário dele é o povo”, diz.

Segundo o ex-prefeito, o que falta em Campo Mourão são indústrias para gerar emprego e moradias para os mais pobres. Ele diz que está preocupado porque não vê crescimento e projetos para a cidade. “Isso é muito triste. Se uma cidade não cresce, não prospera, não precisa de prefeito e nem de vereadores”, afirmou.

E foi o episódio da instalação de uma indústria em Campo Mourão que lhe rendeu processos judiciais quando era prefeito, mas também é motivo de orgulho no projeto que ele rotula como polo brasileiro de alimentos em Campo Mourão. “Recebi um monte de processos. E falei que não queria fazer com uma, mas com quatro, porque que, paga salário dos políticos é o trabalho do povo. Fui absolvido depois de 10 anos de um dinheiro que o banco Itaú deu em um terreno para a instalação da empresa”, disse.

A empresa é a Tyson Foods, que em 2014 foi vendida para a JBS por US$ 575 milhões. Em 2008, a Justiça Eleitoral condenou Tureck a pagar multa de R$ 106 mil o tornou inelegível por 3 anos por irregularidades na campanha eleitoral por usar servidores públicos para fazer campanha e doar recursos para a inauguração da empresa no período eleitoral. A condenação se deu com base na Lei da Improbidade por dispensa de licitação, por concorrer para a prática de crime e por omissão. “Dá para aceitar que a Tyson foi vendida por causa dos processos? Ai fui licitar a BRF [outra indústria de alimentos], entraram com processo e a empresa desistiu”, afirmou.

O pensamento é que a população deve escolher seus líderes que devem trabalhar para a geração de empregos e construção de moradias. “Um líder não pode ser pó de arroz, marcha lenta, luz baixa e nem água morna.”

Para Tureck, o atual prefeito Tauillo Tezelli dá mais atenção às obras de pavimentação asfáltica e para a região central da cidade. “Cadê as casas para a população? Campo Mourão tem deficit de mais de 5 mil moradias. Cadê as industrias? Esse é o perfil dele e foi assim nas administrações passadas”, afirmou.

Tureck foi prefeito duas vezes em Campo Mourão, teve três mandatos como deputado estadual, duas vezes vereador e também foi o primeiro prefeito de Luiziana. “Não sou político marca barbante, pó de arroz.”

Para ele, também é lamentável que na prefeitura decidiu não promover a Festa Nacional do Carneiro no Buraco neste ano por falta de recursos. Em 2017, o evento também não foi realizado.

O ex-prefeito afirma que a festa é algo simples, com empresas que patrocinam, auxílio dos governos do Estado e federal e é possível distribuir a renda entre as entidades assistenciais envolvidas. “Há condições de fazer e muitos caminhos.”

Sem sinais de riqueza aparente

Tureck já foi acusado de envolvimento no “esquema gafanhoto” na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), de desvio de dinheiro por meio de contratação irregular de assessores. O caso que mais repercutiu ficou conhecido como “sacolinha da TIM”.

O ex-prefeito foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) a 4 anos e 12 dias de reclusão em regime semiaberto – pena substituída por pagamento de multa de seis salários-mínimos e a prestação de serviços à comunidade – e à suspensão dos direitos políticos por 5 anos.

Em 2008, o então secretário de Obras, Munir Abdel Karim Daws Dayer, que também foi sentenciado, foi preso em flagrante acusado de corrupção passiva e peculato ao se apropriar de R$ 19 mil de um empresário que venceu uma licitação da prefeitura para entregar materiais de construção. Segundo a decisão, o secretário recebeu o dinheiro em uma sacolinha da TIM.

Em 2018, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) impugnou a candidatura de Tureck e ele acabou lançando a filha Karla Maria Tureck (Podemos) para concorrer à vaga na Alep.

Apesar das acusações, não há sinais aparentes que Tureck tenha enriquecido na política. Seus correligionários dizem quem ele sempre distribuiu tudo que ganhou nas periferias da cidade, muito vezes empenhando até o próprio salário.

Conhecido pelo prefeito que estava com o gabinete sempre de portas abertas para a população, Tureck também é visto como populista. Ele se define como um “prefeito do povo”.

“Faço um desafio: se existe algum munícipe de Campo Mourão ou Luiziana que não atendi na prefeitura que venha falar comigo.”

Também é conhecido como o prefeito da “Lei Seca” de Campo Mourão, que começou a vigorar em 2005 e estabelece a venda de bebidas alcoólicas nos estabelecimentos até a meia-noite de segunda a quinta-feira e até 2h na sexta-feira, sábado e véspera de feriado. “Fui criticado, mas sou uma pessoa que estou em todos os setores, na igreja evangélica, na católica, no boteco, no armazém, no supermercado, na vila, na rua”, disse.

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