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Vida e Estilo

Alguns vão para o futebol e outros ao parque no fim de semana. Mas tem gente que prefere combate armado

Em Campo Mourão há cerca de 250 praticantes de airsoft e um sítio foi transformado em campo de batalha

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Em um sítio no Parque Industrial de Campo Mourão, a batalha armada é formada nos fins de semana. Roupas camufladas, pistolas e fuzis se misturam a táticas militares, resistência física e coordenação motora. É ponto de diversão para praticantes de airsoft, um esporte interativo que simula combates.

A estimativa é que em Campo Mourão há 250 praticantes de airsoft, jogo que teve origem no Japão na década de 1970, enquadrado na legislação brasileira sobre arma de pressão, que também agrupa airgun (arma de chumbinho) e paintball.

O auxiliar de inspeção Reinaldo Ferreira Borges, 31 anos, é um dos 27 integrantes do time Grupamento Airsoft Tático (GAT), de Campo Mourão, que participa das missões no sítio. “Aos sábados e domingos vamos para lá, praticar. É como se estivesse em um combate de verdade. É adrenalina”, disse Reinaldo.

Equipamentos indispensáveis para o operador de airsoft são protetores contra disparos e objetos, principalmente óculos, já que as bolinhas de plástico, a munição chamada de BB (Ball Bearing) , machuca, deixa vergões. Elas têm normalmente 6 milímetros de diâmetro, com peso de 0,12g a 0,50 g.

Ir além nos equipamentos é adquirir transporte de ferramentas, de suprimentos, de kit de primeiros socorros, hidratação, camuflagem, colete, rádio comunicador ou indumentária especial.

E tudo tem um preço nesse esporte. Em um site de produtos especializados, há rifles que custam quase R$ 3 mil, mas também pistola por R$ 52. Colete comercializado a R$ 380, luvas por R$ 120 e calça camuflada que pode ser comprada por R$ 176.

Reinaldo pratica airsoft há 1 ano e tem uma pistola, um rifle e também investiu na compra de capacete, fardamento e luvas. Calcula que já gastou R$ 9 mil. “Não fazia nada, ficava em casa jogando videogame. Vi que o airsoft precisava de condicionamento físico e escolhi como esporte”, diz.

A principal identificação da arma de airsoft é a ponteira laranja, que a distingue de uma arma de fogo. Todas têm acionamento por mola. A diferença é como o sistema impulsiona o dispositivo para disparar. Há armas spring, por ativamento manual, elétricas e a gás.

Reinaldo afirma que foi para o airsoft por conta dos benefícios que o jogo traz, de melhora da condição física, coordenação motora, prática de tiro e interatividade. “É uma terapia para o estresse. E não tem como ser antissocial”, afirmou.

O time participa de jogos em outras cidades e recebe grupos. No próximo domingo, no sítio no Parque Industrial, praticantes de Maringá e Paraíso do Norte estarão no campo de batalha com o GAT. No almoço, churrasco de confraternização. “Um domingo diferente. Alguns vão para o futebol e a gente escolheu o airsoft. Quem quiser por ir assistir também.”

O jogo

De acordo com Reinaldo, o comportamento do operador de airsoft deve ser pautado pela honra e honestidade, já que no campo de batalha, quando é atingido, precisa levantar o braço e declarar a “morte”. As batalhas envolvem missões com captura e recuperação de bandeira, desarmamento e instalação de “bombas”.

No sítio, as partidas duram, em média, 30 minutos, e sempre tem gente para averiguar situação de morte para o não surgimento de Highlander (O Imortal, referência ao filme da década de 1980), aquele operador que nunca morre. “Mas as pessoas que estão jogando estão sempre ali no fim de semana e uma confia na outra”, disse.

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