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Prostituição: o “lado B” da Praça São José, em Campo Mourão

Espaço diversificado no centro da cidade, praça é ponto de prostituição durante o dia

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Enquanto o pároco da Paróquia São José, Jurandir Coronado Aguilar, rezava a segunda missa do dia na catedral de Campo Mourão, às 12h desta quinta-feira (13), algumas pessoas bebiam ou usavam drogas em bancos na praça e quatro mulheres esperavam por clientes nos arredores da igreja para encontros sexuais.

As cenas fazem parte há anos do cotidiano da Praça São José, espaço diversificado no centro da cidade usado para a realização de eventos de empresas e da prefeitura, feiras e manifestações.

A praça é ponto de vendas para ambulantes, há quiosques com suco, refrigerante, água de coco e salgados, e também serve refúgio para algumas pessoas que vão apenas descansar, conversar ou namorar sob as árvores.

Para a Igreja, a responsabilidade da praça ser um ponto de prostituição em Campo Mourão durante o dia é do município e da polícia.

Cláudia, 41 anos, (nome fictício), faz programas há 16 anos, já trabalhou em casas noturnas e há 6 anos está na praça, único ponto de prostituição de rua na cidade. O trabalho é de segunda à sexta-feira, quase em horário comercial, para sustentar as duas filhas. “É uma vida muito sofrida, muito triste, de cliente querer obrigar a fazer o que a gente não quer. Mas tem que aguentar porque preciso”, afirmou.

O valor por 1 hora com Cláudia é de R$ 50. Da praça, ela vai com o cliente para um hotel nas proximidades. Sentada no banco, a mulher faz abordagens para conquistar clientes: “Moço, vamos namorar”, disse para um homem que passava pelo local.

A mulher diz que o fato de trabalhar ao lado da igreja a incomoda, mas é necessário pagar contas dela e da família. “É a casa de Deus, fico pensando no pecado que estou cometendo, mas preciso, não tem jeito.”

Outra mulher que faz programa na praça, Bruna, 36 anos, (também nome fictício), afirma que prefere o espaço que trabalhar em uma boate porque não consome bebida alcoólica. Ela, que diz ser formada em Farmácia e que não exerce a profissão por questões familiares, está há 12 anos na praça. “Daqui tiro o meu sustento e dos meus filhos. Sou pai e mãe”, disse.

As duas dizem que policiais militares passam às vezes e avisam que elas “não podem fazer programa na praça”. “Ai a gente vai embora e volta. Mas aqui é muito devagar o movimento. Faz um programa na vida e outro na morte”, afirmou Cláudia.

No Brasil, prostituição não é crime, mas manter favorecimento à prática é, a exemplo de manter uma casa de prostituição.

De acordo com o comandante da 1ª Companhia de Polícia Militar de Campo Mourão, tenente Carlos Miguel dos Santos, diariamente é feito policiamento ostensivo na Praça São José para coibir atos ilícitos.

O tenente disse que são feitas abordagens da mesma maneira que em outros locais da cidade que na praça já foram feitas apreensões de drogas e prisões de suspeitos de tráfico.

Igreja

Segundo o pároco, a paróquia não interfere em situações de pessoas “acampadas” na praça – alguns dormem no gramado da praça -, de uso e tráfico de drogas ou prostituição de homens e mulheres. “A catedral é território da igreja, a praça no entorno pertence ao município e é um espaço público. Quem precisa interferir é o município, se isso provoca constrangimento”, disse Jurandir.

O pároco diz que fiéis se queixam da presença de usuários de drogas e mulheres e homens que fazem programas na praça, mas nunca houve problema no interior da catedral. “Pessoas que vêm à igreja reclamam de quem vive acampado, faz uso ou tráfico de drogas ou encontros”, afirmou.

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