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Polícia

Mãe também é indiciada por assassinato de bebê de 4 meses

Pela manhã, padrasto já havia sido preso; Polícia Civil diz que uso de drogas e álcool é agravante do crime

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A Polícia Civil de Campo Mourão autuou em flagrante pelo crime de homicídio doloso o padrasto e a mãe do bebê de 4 meses morto nesta segunda-feira (17) em uma casa no Jardim Modelo. Os dois, que estão presos na 16ª Subdivisão Policial, trocam acusações e negam o crime.

Segundo o delegado-chefe da 16ª SPD, Nilson Rodrigues da Silva, a criança morreu em razão do comportamento de Inês Romano Teodoro, 24 anos, e José Diego Cordeiro, 24, que estavam bebendo e usando drogas com o bebê na residência. “O que estava acontecendo naquela casa, uso de drogas e bebidas, e segundo testemunhas, é uma constância”, disse o delegado.

A Polícia Civil ouviu duas testemunhas, vizinhos que contaram que o casal brigava com frequência, bebia e fazia uso de drogas na residência.

Para o delegado, a droga e a bebida são agravantes do crime. “Levaram a esse trágico acontecimento. Por isso, os dois foram autuados em flagrante por homicídio qualificado na modalidade de dolo eventual”, afirmou o Rodrigues.

Em princípio, foi levado em consideração que José Gabriel tinha ferimento na cabeça que poderia ter sido provocado por um retrovisor de uma motocicleta encontrado no colchão na sala onde estava deitada. A peça foi aprendida pela Polícia Militar e levada à delegacia.

O delegado constatou que a criança não estava ferida. Rodrigues diz que José Diego menciona que Inês asfixiou a criança sem querer enquanto dormia no colchão e ela afirma que o rapaz sentou no bebê. “Aguardamos a necrópsia. Mas, em princípio, o resultado não vai ter uma afirmação convicta. Pode ter ocorrido uma asfixia, sim.”

Presos

Chorando compulsivamente na carcerarem da 16ª SPD, Inês diz não saber explicar o que aconteceu exatamente, mas que acordou no colchão na sala da casa e o filho estava morto. “Eu levantei e fui ligar para a polícia e o Samu”, afirmou.

Ela disse que os dois brigaram no domingo (16) à noite, pouco tempo depois de chegarem na casa da mãe de José Diego, no Jardim Modelo, onde a criança morreu. “Eu bebi um pouco [caipirinha] e começamos a discutir, mas não usei crack. Não uso crack há 2 meses”, afirmou.

Ela diz que o companheiro ameaçava constantemente matar a criança por ele não ser o pai biológico. “Ele já sabia quando registrou meu filho no nome dele.”

Já José Diego afirma que acordou às 5h40 nesta segunda-feira (17) para ir trabalhar e que a companheira rolou em cima da criança e a matou asfixiada. “Ela estava deitada ao lado do neném, fiz minhas coisas e deitei mais um pouco. Ela acordou, colocou a mão nele e viu que já estava gelado”, diz

O rapaz disse que os dois beberam durante o dia, que também fumou maconha e ela crack.

Familiares

Irmã de Inês, Vanessa Romano, 33 anos, também tem um versão diferente do casal. Ela afirma que o padastro da criança foi até a casa da família dela, no Conjunto Habitacional Mário Figueiredo, para avisar que José Gabriel “não estava reagindo”. “Eu cuidava dele, dava banho, mamadeira e agora chego aqui e não vejo ela mais com vida. Muito difícil”, disse Vanessa.

Daniel Romano dos Reis, 18 anos, irmão de Inês, disse que chegou na casa por volta das 8h e José Diego estava em pé na sala e a jovem em um colchão com José Gabriel no colo.

O rapaz afirma que pegou o sobrinho no colo e percebeu que o menino estava vivo. “Coloquei o peitinho dele no meu ouvido e o coração estava batendo bem devagarzinho. Ele sorriu, coloquei de novo na orelha, sorrio novamente e fechou os olhos”, diz Daniel.

Conforme Daniel, a José Diego tentou sair da casa, mas viu a polícia chegar e retornou. “Ai, ele bebeu água na pia [na cozinha] e saiu para falar com os policiais.”

Os irmãos disseram que José Diego era violento com Inês e que as ameças a ela se intensificaram depois dele descobrir que José Gabriel não era seu filho biológico. “Ele ameaça ela se não voltasse com ele. Ele separava e ia atrás dela, brigavam direito”, afirmou Vanessa.

Vanessa afirma que quando o rapaz usava droga (crack) e bebia ficava violento e a irmã tinha medo que ele machucasse a criança. “Ele dizia que se não o acompanhasse sabia muito bem o que ia acontecer com ela e à criança. Ela ficava com medo e acabava companhando.”

Conforme Daniel, José Gabriel era o quarto filho de Inês. O primeiro também morreu ainda bebê. “É tudo muito triste o que aconteceu”, afirmou o rapaz.

A casa em que a criança morreu pertence à mãe de José Diego, que trabalha em um aviário. Na residência de madeira, com cozinha, sala, banheiro e quarto, tinha na manhã desta segunda-feira garrafas de cachaça e latinhas de cerveja vazias.

Vanessa diz que José Diego foi chamar Inês na casa da família dela no Conjunto Habitacional Mário Figueiredo na madrugada da última sexta-feira (14) para ficar com ele na residência no Jardim Modelo.

Rua

Moradores do Jardim Modelo, em Campo Mourão, acompanharam com perplexidade, alguns com misto de tristeza e raiva, o trabalho de policiais militares e socorristas na Rua José Roberto Rodrigues na manhã desta segunda-feira.

José Gabriel foi levado enrolado em uma manta para o carro o Instituto Médico-Legal (IML) por volta das 10h30. Dezenas de pessoas estavam na rua de terra. “É muita crueldade com uma criança”, disse uma mulher. “Quem matou deveria estar no IML também”, gritou outra moradora do bairro.

José Diego é descrito por vizinhos e familiares de Inês como usuário de crack e álcool que protagonizava cenas de violência com a companheira.

De acordo com o subtenente da Polícia Militar, Everaldo Teodoro Alves, vizinhos relataram que ouviram uma discussão do casal no domingo (16), às 21h, na qual Inês gritava que José Diego havia machucado o filho dela. Vizinhos disseram à polícia que, às 22h, o casal discutiu novamente e, às 4h, o rapaz gritou para que a companheira colocasse o bebê na cama.

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